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VANGUARDA EUROPEIA-PARTE II


2---VANGUARDA EM LITERATURA
BELLE ÉPOQUE - Mundo da classe dominante:  viver confortavelmente  e aproveitar o presente sem preocupações... - euforia relativamente curta. Período da literatura européia que vai aproximadamente de 1886 a 1914:  pluralidade de tendências filosóficas, científicas, sociais e literárias, advindas do realismo-naturalismo.  Época das boemias literárias, como as de Montmartre e Munique - cafés e boulevards, transição pré-vanguardista, antecedendo os inúmeros ‘-ismos’ de todas as artes.
POESIA - Desde o início do século XX, a linguagem poética tentava libertar-se da “linguagem discursiva” e referencial, e essa fuga do discursivo-linear e a adoção do sintético-ideográfico inaugura a fase de automação da palavra, da valorização de espaço gráfico e da estrutura verbo-visual.
1-expressionISMO - Em diversas cidades alemãs, um rol de revistas promulgando o dogma expressionista da criação estática, concepção do mundo, fusão de sentimentos e sensações,  fruto frustrado pela guerra e elevado número de poetas mortos no campo de batalha;  ao contrário do Futurismo, sentimento de horror ante o absurdo da I GM.  Tendência expressionista:  JOYCE, KAFKA e HUXLEY.
2-CUBISMO - Na literatura, iniciou-se com um manifesto assinado pelo francês APOLLINAIRE (1880/1918), publicado em 1913 - valorização da vanguarda européia de aproximar ao máximo as manifestações artísticas (pintura /viagens e paisagens exóticas/, música, literatura, escultura), preocupando-se com a construção do texto e ressaltando a importância dos espaços em branco no papel da impressão tipográfica, o que viria a influenciar a poesia concreta da década de 60 no Brasil.  Para Apollinaire, “palavras em liberdade” e “invenção das palavras”, propondo “a destruição das sínteses já condenadas pelo uso”, ilogismo, presença do humor, enumeração caótica, criando texto marcado por substantivos soltos em aparente anarquia e menosprezo por verbos-adjetivos-pontuação; utilizar verso livre e conseqüente negação de estrofe-rima-harmonia - como exemplo de texto cubista, um famoso poema de Apollinaire, “La colombe poiguardée et le Jet d’eau” - A pomba apunhalada e o jato d’água (Patrícia Galvão, a Pagu, traduziu no jornal “Diário de São Paulo”, edição de 18/5/47 - pesquise, caro leitor, a curiosa imagem:  pomba sobre a água.)  Daí, o termo cubista passou a designar toda poesia em que a realidade surge em forma fragmentada, planos superpostos, simultâneos.  Essas tendências , “espirit noveau”, impregnaram o ambiente cultural brasileiro na Semana de Arte Moderna, nitidez em textos de MÁRIO DE ANDRADE.
3-FUTURISMO - Em 1912, Manifesto Técnico da Literatura Futurista:  canto das estações de veículos, fábricas, pontes, navios a vapor, locomotivas, aeroplanos, poesia apoiada em elementos essenciais, como coragem-audácia-revolta, destruição da sintaxe, disposição casual dos substantivos, substantivo e seu duplo por analogia (homem-torpedeiro, mulher-golfo, multidão-ressaca, praça-funil), liberdade vocabular, uso de símbolos matemáticos e musicais, verbo no infinitivo, menosprezo pelo adjetivo, advérbio e pontuação;  destruir na literatura o “eu”, isto é, toda psicologia, substituindo pela “obsessão lírica da matéria”.  ----- OSWALD DE ANDRADE conheceu o FUTURISMO em viagens à Europa anteriores a 1919, não o relacionando com o Fascismo, a palavra designando qualquer postura inovadora na arte, daí o levando em 1921 a saudar num artigo o jovem poeta MÁRIO ANDRADE como “O meu poeta futurista”.  Temendo identificação com o fascismo, MÁRIO negou no prefácio de seu livro “Pauliceia desvairada”: ----- “Não sou futurista de Marinetti.  Disse e repito-o.  Tenho pontos de contacto com o Futurismo.  Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou.” ----- Em Portugal, décadas de 1910 e 1920, maior identidade entre os modernistas de primeira hora e o Futurismo - ao início da revista “Orpheu”, FERNANDO PESSOA e MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO;  em Lisboa, 1917, um escandaloso “espetáculo futurista”, com participação de SANTA RITA-PASTOR e ALMADA NEGREIROS;  revista “Centauro” (1916), primeiro e único número da revista “Portugal futurista”(1919),  textos de SÁ-CARNEIRO, ALMADA, RAUL LEAL, APOLLINAIRE, BLAISE CENDRAS, e o poema “Ultimatum”, de ÁLVARO DE CAMPOS (heterônimo de Pessoa). -----Poema “Ode triunfal” (fragmentos), de ÁLVARO DE CAMPOS - “À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica / Tenho febre e escrevo (...) Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno! (...) Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! (...) Tenho os lábios secos, ó grandes ridos modernos, / De vos ouvir demasiadamente de perto.” ----- Romance “Memórias sentimentais de João Miramar” (fragmento) - “Um cão ladrou à porta barbuda em mangas de camisa e uma lanterna bicou mostrou os iluminados na estrada da parede.” - OSWALD DE ANDRADE
4-DADAÍSMO - A antiliteratura.  Em 1916, plena guerra e suposição da vitória alemã, grupo de refugiados em Zurique, Suíça, início do mais radical movimento - palavra escolhida ao acaso para batizar o movimento, “dadá” não significa nada.  Negar passado-presente-futuro é a total falta de perspectiva diante da guerra, daí contra teorias e ordenações lógicas.  Reação contra academias cubistas e futuristas, “laboratórios de ideias formais”, contra manifesto, mas ocorre o Manifesto Dadá, Tristan Tzara (1896/1963), um dos iniciadores, 1918:  “Eu escrevo um manifesto e não quero nada eu digo portanto certas coisas e sou por princípio contra os manifestos, como sou também contra os princípios.”  Demolição da linguagem, importante criar palavras pela sonoridade, significante puro em estilo antigramatical, não importa significado, e sim grito-urro contra capitalismo burguês e mundo em guerra.  MÁRIO DE ANDRADE, prefácio de “Pauliceia desvairada”:  “Quem não souber urrar não leia “Ode ao burguês”, poema.” ----- “Berr.. bum, bumbum, bum... / Isi... bum, papapa, bum, bum / Prá, prá, prá... rá, ah-ãh, aa... / Haho!...” - Augusto de Campos.
5-SURREALISMO, o último -ismo.  Realidade superior.  Origem se prende ao expressionISMO, pela revalorização do passado:  redescobertos BAUDELAIRE, RIMBAUD, MALLARMÉ, FREUD  e outros - como característica comum, a emancipação total do homem fora de lógica,  razão, inteligência crítica, família, pátria, moral, religião e relações psicológicas e culturais - alquimia medieval na obsessão da descoberta do homem primitivo, puro; humor negro; valorização de ocultismo-esoterismo-magia-fantástico-telepatia - não movimento desintegrador, como alguns de vanguarda, e sim organizador-construtivo, motivado pelo “espírito novo”:  reconstrução da arte, vítima como o mundo, da I GM.  Paris, 1924, Manifesto Surrealista, ANDRÉ BRETON (1896/1970), ex-dadaísta rompido com TZARA - SURREALISMO, movimento de vanguarda iniciado entre guerras, criado sobre as cinzas da I GM e a experiência acumulada de outros movimentos, porém origens mais próximas do expressionismo e da sondagem do mundo interior (busca do homem primitivo, da liberação do inconsciente e da valorização do sonho).  Impressionados com os escritos de SIGMUND FREUD, “entorpecidos os pensamentos em vigília, passam a dominar a criança e o selvagem que existem em nós” - logo, a ciência é racional, porém arte não é produzida pela razão inteiramente desperta, a não-razão.  Segundo manifesto, 1930, ruptura interna do Surrealismo quando Breton opta pela arte revolucionária, influenciado pelo Marxismo;  não engajamento da arte, surrealistas comunistas X não-comunistas.  ----- POESIA CONCRETA - Paralelo entre civilização tecnológica e crise da linguagem e pensamento discursivo rompimento com os rígidos padrões lineares de leitura e gradual instalação da leitura não convencional, apelo à comunicação não-verbal - exemplo nos grandes cartazes murais e nos arredores da cidade exigindo  rápida leitura da linguagem verbo-visual de dentro de um carro veloz, estrutura ideogramática, ausência de pontuação, valorização do espaço em branco.  Aproximação da poesia com as artes plásticas.  Expressão mais viva e dinâmica das tentativas de reformulações dos padrões estéticos, poesia retrocede à palavra-frase. ----- Na poesia de vanguarda, poeta trabalha com a função poética da linguagem, voltada para a própria mensagem, estímulo é o ato de poetar, função metalingüística na escritura de poemas sobre o próprio poema ou o ofício de fazer versos - poesia cada vez mais técnica e pensada. ----- No Brasil, OSWALD DE ANDRADE, JOÃO CABRAL DE MELO NETO, CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, MANUEL BANDEIRA e RONAL DE CARALHO, os poetas desbravadores desta nova perspectiva de poesia consciente e trabalhada. ----- A partir de 1950, novas complementações - pontos de partida em MALLARMÉ, JOYCE, POUND e CUMMINGS das pesquisas experimentais para a instauração da Poesia Concreta na nossa literatura, início na revista “Noigrandes”, poemas de HAROLDO DE CAMPOS, AUGUSTO DE CAMPOS e GEIR CAMPOS.
FONTE:
 Coleção de recortes de livros didáticos.

                                           F  I  M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 20/11/2017
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 50 anos
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