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VANGUARDA EUROPEIA


Aula de professor voluntário - tópicos avulsos com projeções:
Do francês, ‘avant garde’ - estar à frente, tomar a dianteira;  literalmente, guarda avançada ou a parte frontal de um exército.
Importante identificar as características dos movimentos de vanguarda da arte européia que continuam  influenciando toda a literatura ocidental, e compreender as correntes culturais modernistas do BRASIL.
1---VANGUARDA EM PINTURA
CONTEXTO HISTÓRICO - “A guerra totalmente nos absorveu, reformou nossas formas, destruiu nossas linhas e nos deu uma nova visão do Universo.” - MARC CHAGALL (1924. ----- Esta célebre frase resume as vítimas da I GM:  jovens idealistas no front de batalha, logicamente idéias artísticas, em especial as visuais, tradicionais no Ocidente. //  Realmente, a guerra é um combustível para a criatividade.  Os primeiros anos deste século foram os mais inovadores e provocativos da História da Arte, logo depois influenciados e dinamizados pelos horrores do primeiro conflito em escala mundial.  Artistas dos movimentos de VANGUARDA européia rejeitaram de uma vez por todas as regras realistas e trouxeram novos métodos e temas para aquela monstruosa realidade.  Antes da I GM (1914/18), apogeu da sociedade liberal capitalista, mas a inquietude dos artistas é desde o nascimento.  A Revolução Industrial e a nova ciência trouxeram  o progresso econômico e tecnológico, avanço das comunicações e crescimento urbano, sociedade marcada pelo consumo e pela democracia da cultura de massa:  superação da exploração do homem pelo homem?  Isto em tese - duas situações antagônicas, mas complementares:  na verdade, miséria X abundância, euforia exagerada da burguesia com o progresso industrial e avanços técnico-científicos (eletricidade-telégrafo-automóvel-lâmpada-telefone-cinema-avião), vertigem das sensações da vida moderna (velocidade- técnica-máquinas) X pessimismo característico do fim do século representado pelo decadentismo simbolista;  problemas sócio-econômicos no processo burguês-industrial, disputa das grandes potências por mercados industriais de consumo, movimentos políticos nacionalistas, tudo resultou na I GM...  A seguir, em cenário “surrealista”, dez milhões de mortos, vinte milhões de feridos e uma Europa devastada. ----- No período conturbado, contradições geram clima propício para a efervescência artística  - pré (efervescente e premonitório) e pós-guerra, nas artes plásticas um novo cenário se impondo - passaram a representar corpos e perspectivas pontilhadas, estilhaçados, desequilibrados, curvilíneos, temas irreais, desconexos, caóticos, o que conhecemos na vanguarda com nomes diversos, os -ismos. ----- CHAGALL, russo, família judaica, mudou-se para Paris, a então Cidade-Luz, no início do século XX, onde conheceu artistas do movimento surrealista;  voltou para seu país, eclodiu a guerra, foi imobilizado para as fronteiras...  mais tarde, sentiu na pele e retratou as tensões sociais com perseguição aos judeus na II GM (1939/45). ----- O cubista FLÉGER serviu no exército francês durante anos  e produziu rascunhos de artilharia, aviões e soldados. ----- O expressionista austríaco KOKOSCHKA foi ferido na guerra, internado por oito anos, retratou seu sofrimento. ----- O expressionista DIX voluntariou-se para o exército alemão, atingiu altos postos e mais tarde usou a guerra para uma série de pinturas. ----- Outros artistas saíram ao colapso:  o francês DUCHAMP acompanhou irmãos e amigos se alistando, deixou Paris  e em 1915 chegou a Nova York, novo berço da cultura e da arte - nome dele, um dos emblemas do DADAÍSMO que nasceu em 1916, reação aos primeiros desastres da I GM.  Reflexos profundos:  com a Europa devastada, mercados enfraquecidos (a guerra mal resolvida geraria a II GM), toda uma geração artística atravessou o Atlântico - continente sacudido, mercados enfraquecidos, tanto que a guerra mal resolvida gerou a II GM.  Deslocou-se o eixo simbólico do mundo! ----- A Revolução Russa, 1917, conduziu pela primeira vez na História a classe operária ao poder, desassossego na classe dominante européia, pavor ao comunismo - terrível crise econômica em 1929 gerou a II GM (1939/1945);  curto período entre as duas grandes guerras é chamado “anos loucos”, ânsia frenética de viver...
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Denominador comum de muitos “...ismos”, proliferação no espaço de tempo entre a passagem do século XIX e o aparecimento do Surrealismo em 1924, ruptura estética e temática na poesia ocidental, destacando-se as experiências literárias dos poetas BAUDELAIRE, RIMBAUD, MALLARMÉ, WHITMAN e POE, responsáveis por vários grupos de vanguarda europeia, transformação de “crenças” verificada no pensamento e na arte.  A repercussão do Simbolismo francês transformou Paris no maior centro cultural da Europa:  de  um lado, o esplendor da “belle époque” e de outro, “o pessimismo decadentista” do “fin de siécle”... + tendência renascentista de revalorização das tradições culturais da latinidade, ou seja, artistas divididos:  forças negativas do passado X organização do futuro e investigações em todos os setores da arte. ----- Duas frentes opostas e ao mesmo tempo unidas por um princípio comum, o da renovação literária:  expressionISMO, CUBISMO e SURREALISMO - movimentos que representam construção, reorganização e crença no espírito novo   X   FUTURISMO e DADAÍSMO - pregam a destruição da poesia e a negação dos valores estéticos do presente.
1-expressionISMO - Movimento alemão que surgiu em 1910, contemporâneo do futurismo italiano e do cubismo francês, forte herança da arte no final do século XIX, preocupada em expressar as manifestações do mundo interior, ou seja, materializar em tela ou papel as imagens nascidas na intimidade, representação psicológica e impacto da expressão, imagens vindas do fundo do ser em manifestação patética, pouco importando conceitos de belo ou feio, continuidade dos trabalhos de VAN GOGH, CÉZANNE e GAUGUIN.  Van Gogh via quase caricatura na distorção da imagem para expressar a visão do artista.  Espécie de “barroco anacrônico”, antecipando alguns aspectos essenciais do Surrealismo - manifestou-se principalmente na pintura.  Em 1912, a brasileira ANITA MALFATTI, paulista de 16 anos, matriculou-se na Escola de Belas Artes de Berlim e realiza em 1914 sua primeira exposição em São Paulo.  O declínio do expressionismo, a partir de 1933, com a ascensão de Hitler na Alemanha, é buscarem uma arte pura e limpa que retratasse a ‘superioridade’ germânica, jamais uma caricatura. Representantes:  LACHNIT, CHAGALL, PAUL KLEE, KANDINSKI, SEGALL,  PORTINARI, RIVERA e ANITA MALFATTI.
2-CUBISMO - Nasceu das experiências de BRAQUE e PICASSO, inspiração no construtivismo de CÉZANNE, desenvolvido em início nas pinturas, valorizando as formas geométricas (cones, esferas, cilindros etc.), um objeto revelado em múltiplos ângulos - início da pintura em 1907, declínio com a I GM.  O termo cubista foi usado por MATISSE para qualificar um quadro de BRAQUE:  paisagens com elementos geométricos básicos - outro ponto de partida seria “Les demoiselles d’Avignon”, de Picasso.
3-FUTURISMO - Como precursores, NIETZCHE e WHITMAN.  Total identificação entre o movimento e seu líder, daí quase sinônimas as palavras FUTURISMO-MARINETTI (1876/1944) - Manifesto do Futurismo, por MARINETTI, jornal “Le Fígaro”, Paris, 1909 - em geral, movimento mais de manifestos que de obras:  amor ao perigo, à energia e à temeridade, abominação do passado, exaltação da vida moderna, culto da máquina e da velocidade, glorificação da guerra  (“única higiene do mundo”), combate a museus-bibliotecas-moralismo-feminismo e a todas as covardias oportunistas e utilitárias.  Adesão de Marinetti ao fascismo de Mussolini, a partir de 1919, evidentes afinidades ideológicas, daí a repugnância dos principais modernistas brasileiros posicionamento político do movimento, apesar de certos pontos comuns, como as idéias artísticas. 
4-DADAÍSMO - A antiarte.  Origem no Cabaré Voltaire, de Zurique, a única cidade européia de vida tranqüila no meio da guerra, daí o grupo de refugiados criadores.  “Dadá não significa nada.”  (no “Petit Larousse”, francês ‘dada’, diminutivo infantil de ‘cheval’, cavalo) -manifesto de TRISTAN TZARA, 1916. Certeza de que os alemães ganhariam a I GM, tormento dos intelectuais, terrorismo cultural - nem passado nem futuro, mas o nada do presente.  Afinidades com o SURREALISMO e a POP-ART - revolta contra todas as convenções vigentes, prega liberdade total de expressão e associação de ideias:  clima de desintegração de valores provocado pela guerra, irreverência, destituição de qualquer sentido lógico  e a conseqüente ‘crise do espírito’ são responsáveis e propícios ao desenvolvimento das tendências anarquistas do Dadaísmo.  O movimento Dadá aproveita e desenvolve os objetivos dos futuristas:  pintura, colagens, fotomontagem, ready-mades, poemas sinfônicos, filmes ultra-sintéticos etc. Representantes:  TZARA, ARP,  PICABIA e DUCHAMP (criou o urinol como símbolo).    ----- READY-MADE - Utilização do objeto industrial, achado e selecionado, sem sofrer processos de elaboração, mas podendo ser retificado.  Representantes:  inventor francês DUCHAMP, MAN RAY e MAX ERNST. ----- POP-ART - Estados Unidos, 1960 - utiliza-se do cotidiano, desde o jornal até a sucata de ferro, para obter obras representativas da chamada sociedade consumo.
5-SURREALISMO, o último -ismo - Arte fantástica que desponta em 1924, com o manifesto do líder ANDRÉ BRETON (1896/1970)  - vai contribuir para a abertura dos novos rumos artísticos atuais:  influenciado por FREUD, explora o inconsciente, narrações de sonhos, êxtases e outros estados mentais.  Representantes:  pintores DALI, TANGUY, CHAGALL, MAX ERNST, MIRÓ, ARP e PICASSO.  Na cinematografia, BUÑUEL, filme “O cão andaluz”, colaboração de DALI, imagens aparentemente absurdas.
 
IMAGENS (pesquise, caro leitor!) - indicações para projeções:
ANITA MALFATTI - A boba (elementos dramático-emocional, temática marginal - 1927). // // BALLA - Garotinha correndo numa sacada, 1912)  //  CARRÁ - La Galleria di Milano (progressos tecnológicos e mecanização da vida moderna, 1912) // CHAGALL - O soldado bebe (1911/12).  // DALI - O nascimento dos desejos líquidos (1932), Construção mole com feijões cozidos (premonição da guerra civil, 1936) e As tentações de Santo Antão (1946)  // ISMAEL NERY - Nu cubista (1927). // JEAN ARP - Configuração. // KANDINSKI - No quadro-negro, 1923)  //  KURT SCHWITTERS (artista multimídia) - Colagem-espelho )1920), Marzbild (1922) e Merzpicture-okola (colagem de restos de materiais:  madeira-corda-trapos-jornal-passagem de ônibus, 1924)  //  MAGRITTE - A condição humana //  MONDRIAN - Composição (1913)  // PICABIA - Rubber (1909) // PICASSO - As senhoritas de Avignon (1907) e Menina com bandolim (1910). //  RUBENS GERCHMAN (diversas áreas da cultura nacional) - obras diversificadas do surrealismo à pop-art, anos 60/70. // VOLPI - Cidade e fachadas (brinquedo de armar, 1950) //WILHELM LACHNIT - A morte em Dresden.
FONTES:
Coleção de recortes de livros didáticos  //  “Ao devastar a Europa e exterminar milhões de pessoas, a I GM causou uma revolução na arte no início do século XX”, artigo de FLÁVIA MILHORANCE - Rio, jornal O GLOBO, 8/3/14.
 
                                     FIM
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 20/11/2017
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 50 anos
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