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ANÁLISE ESTILÍSTICA DE 3 CONTOS DE RUBEM FONSECA

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[ I M A G E M  ( Capa de livro do autor Rubem Fonseca ) ]
http://www.overmundo.com.br/uploads/banco/multiplas/1297491487_os_prisioneiros.jpg


Trabalho universitário, para a disciplina Estilística da Língua Portuguesa, do curso de Letras, da Universidade Federal do Piauí, em 2.000


UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ   --   UFPI
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS   --   CCHL
DEPARTAMENTO DE LETRAS   --   DL
CURSO: LICENCIATURA PLENA EM LETRAS
DISCIPLINA: ESTILÍSTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSOR: AIRTON SAMPAIO



ANÁLISE ESTILÍSTICA DE 3 CONTOS DE RUBEM FONSECA




CLÁUDIO CARVALHO FERNANDES
DANIELLI
DELZENITE



TERESINA   --   PIAUÍ
2.000




“Não há remédio certo
para as dores da alma”

Machado de Assis


1 - Introdução

Considerando que, na literatura brasileira de hoje, talvez seja o gênero de maior destaque, em termos de vigor e criatividade, o conto cumpre a seu modo o destino da ficção contemporânea. Alfredo Bosi, em “O CONTO BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO”, situa-o entre as exigências da narração realista, os apelos da fantasia e as seduções do jogo verbal, assumindo formas de surpreendente variedade. Dentre outras, ora é a quase-crônica da vida urbana, ora o quase-drama do cotidiano burguês, ora, enfim, uma luta mais intensa com as técnicas de invenção, de sintaxe compositiva, de elocução. Em tais meandros situam-se os caminhos de Rubem Fonseca como herdeiro da “tradição” modernista quanto à invenção temática privilegiando o dizer (de) situações exemplares vividas pelo homem contemporâneo. Seu fazer visa intensamente situações para as quais convergem signos de pessoas e de ações e um discurso que os amarra.

Assim é que a percepção pode reconhecer as lesões de vários graus que a sociedade de classes não cessa de produzir no tecido moral do anti-herói contemporâneo e, na tensão com o presente, é ainda a sociedade de consumo que se reinventa pelo miúdo no elenco de objetos e hábitos compulsivos presentes em “Teoria do consumo conspícuo”, “O agente” e “Os prisioneiros”.



2 – Rubem Fonseca e seu contexto histórico

Rubem Fonseca tem seu modo de escrever recente, formado nos anos de 60, tempo em que o Brasil passou a viver uma nova explosão do capitalismo selvagem, tempo de massas, tempo de renovadas opressões, tudo bem argamassado com requintes de técnica e retornos deliciados a Babel e a Bizâncio. A sociedade de consumo é, a um só tempo, sofisticada e bárbara. Imagem do caos e da agonia de valores que a tecnocracia produz num país do Terceiro Mundo é a narrativa brutalista de Rubem Fonseca que arranca a sua fala direta e indiretamente das experiências da burguesia carioca, da Zona Sul, onde, perdida de vez a inocência, os “inocentes do Leblon” continuam atulhando praias, apartamentos e boates e misturando no mesmo coquetel instinto e asfalto, objetos plásticos e expressões de uma libido sem saídas para um convívio de afeto e projeto. A dicção que se faz no interior desse mundo é rápida, às vezes compulsiva; impura, se não obscena; direta, tocando o gestual; dissonante, quase ruído.

Essa literatura, que respira fundo a poluição existencial do capitalismo avançado, de que é ambiguamente secreção e contraveneno, segue de perto modos de pensar e de dizer da crônica grotesca e do novo jornalismo yankee. Daí os seus aspectos antiliterários que se querem, até, populares, mas que não sobrevivem fora de um sistema de atitudes que sela, hoje, a burguesia culta internacional.

É o estilo urbano, de expressões violentas, em que o processo modernizador do capitalismo tende a pôr de parte o puro regional, e faz estalarem as sínteses acabadas, já clássicas, do neo-realismo, que vão sendo substituídas por modos fragmentários e violentos de expressão. Esta é a literatura-verdade que nos convém desde os anos de 60, e que responde à tecnocracia, à cultura para as massas, às guerras de napalm, às ditaduras feitas de cálculo e sangue.



3 – Biografia do autor

José Rubem Fonseca, escritor brasileiro (Juiz de Fora, MG, 1925). Estudou administração de empresas e direito nos Estados Unidos. Foi professor da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e escreveu críticas de cinema na revista Veja (1967). Escreve desde 1953, mas seu primeiro livro de contos, Os prisioneiros, foi publicado em 1963. Seguiram-se A coleira do cão (contos, 1965), Lúcia McCartney (contos, 1967), O caso Morel (romance, 1973), Feliz ano novo (contos, 1975, na época proibido pela censura), O cobrador (contos, 1979), A grande arte (romance, 1984), Bufo & Spalanzani (romance, 1985), Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (romance, 1988), Agosto (romance, 1990), transformado em minissérie para a televisão em 1993, Romance negro e outras histórias (contos, 1992), O selvagem da ópera (romance biográfico, 1994) e Contos reunidos (1994). Mora no Rio de Janeiro desde os 07 anos de idade. Alto funcionário da Light no Rio. Tem colaborado em argumentos e roteiros de filmes. Com uma temática urbana e linguagem extremamente ágil, retrata o submundo e a violência, onde prostitutas, marginais e policiais são os principais personagens.



4 – Obras do autor:


Os prisioneiros (contos) – 1963

A coleira do cão (contos) – 1965

Lucia McCartney (contos) - 1967

O caso Morel (romance) - 1973

Feliz ano novo (contos) - 1975

O cobrador (contos) - 1979

A grande arte (romance) - 1984

Bufo & Spalanzani (romance) -1985

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (romance) - 1988

Agosto (romance) - 1990

Romance negro e outras histórias (contos) – 1992

O selvagem da ópera (romance biográfico) - 1994

Contos reunidos (contos) - 1994



5 – Traços estilísticos do autor

- Linguagem simples, informal, rápida

- Vocabulário coloquial, sem preciosismos

- Utilização freqüente do discurso direto, agilizando a narrativa

- Pouca intervenção do narrador

- Presença marcante do verbo “dizer”

- Maior número de verbos e substantivos, contraposto a um número muito reduzido de adjetivos

- Verbos de ação em predominância sobre os demais



6 – Estrutura narrativa

A estrutura narrativa do conto “O AGENTE” tem como:

a) ENREDO: A história de um agente censitário que, em uma de suas pesquisas, encontra uma pessoa decidida a matar-se. O agente, embora se manifeste contrário a tal decisão, não se empenha em demover o seu interlocutor desse intento, sob alegativas pessoais.

b) PERSONAGENS: O agente e seu interlocutor, José Figueiredo.

c) ESPAÇO E AMBIENTE: A sala de uma imobiliária, num prédio de escritórios executivos. O ambiente é urbano.


d) TEMPO: Há referências a tempo cronológico (ontem, amanhã)


e) FOCO NARRATIVO: Em 3ª pessoa, com diálogos e discurso direto.



7 – Traços estilísticos do conto “O AGENTE”

- QUANTO À EXTENSÃO: Sintético, sem pormenorização ou detalhes irrelevantes para a seqüência das ações.

- QUANTO AO TOM: Incisivo, na medida em que o despojamento da linguagem serve para revelar a situação dos personagens no conto.

- QUANTO AOS ADEREÇOS: Despojado, sem se utilizar de muitos recursos, seja em nível de linguagem ou de construção do enredo: linguagem econômica.

- QUANTO À EXPECTATIVA: Imprevisível, já que a expectativa comum seria a de o agente insistir em demover o interlocutor de sua intenção.

- QUANTO À ‘TRANSPIRAÇÃO’; Inspirado, uma vez que não existe tanto trabalho com a linguagem, chegando a haver mesmo uma certa displicência no uso dos verbos que alternam as falas dos personagens.

- QUANTO À FIGURAÇÃO: Denotativo, com a linguagem procurando retratar fielmente as ações dos personagens, o mesmo ocorrendo em suas falas.

- QUANTO À ORIGEM: Linear, já que as ações se sucedem umas após as outras no decurso do tempo.

- QUANTO AO RITMO: Rápido, propiciado pela reduzida participação do narrador e pelo constante diálogo entre os personagens.



8 - Inserções reflexivas do conto “O AGENTE”

- A sociedade moderna, urbana, objetivista, pragmática, condicionando o viver das pessoas


- A “poluição existencial do capitalismo avançado”.



Bibliografia

Grande Enciclopédia Larrousse Cultural, v. 10, p. 2490, Nova Cultural, 1998.

BOSI, Alfredo. O conto brasileiro contemporâneo. Editora Cultrix, São Paulo, 1998.

GOTLIB, Nádia Battella. Teoria do conto. Editora Ática, São Paulo, 1998.



Cláudio Carvalho Fernandes
Enviado por Cláudio Carvalho Fernandes em 03/11/2019
Código do texto: T6785944
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cláudio Carvalho Fernandes
Teresina - Piauí - Brasil, 55 anos
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