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Determinantes Sociais de Saúde - Uma análise sobre o documentário Herança Social

     O documentário assistido foi “Herança Social”, distribuído pela VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz e realizado pela mesma em conjunto com a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS). O vídeo foca na situação de Manguinhos, uma das muitas favelas da cidade do Rio de Janeiro, onde as diversas situações precárias de vida estimulam o aparecimento de doenças, como a tuberculose.
     O documentário tem início com um fragmento do arquivo nacional “Vida Nova Sem Favela” de 1971, que fala sobre as problemáticas das favelas no RJ. Entre elas, estão a falta de saneamento básico e o risco de desabamento. Também é citado a CHISAM, a Coordenação de Habitação de Interesse Social da Área Metropolitana, um órgão do Governo Federal e Estadual que esteve em funcionamento entre 1968 e 1973. Essa entidade foi responsável pela “era das remoções”, implementando políticas sistemáticas de erradicar favelas. Dessa forma, esses conjuntos habitacionais são removidos das Zonas Sul e Central para as Zonas Norte, Oeste e demais periferias.
     Consequentemente, as condições de vida que já eram precárias antes, intensificam-se e os problemas envolvendo saneamento básico e habitação permanecem. Além disso, a mobilidade urbana deteriora-se, já que agora as favelas estão longe do centro da cidade. O conjunto de todos esses determinantes sociais fizeram com que os casos de tuberculose resistente aumentassem nessas regiões. Sendo que essa complicação ocorre até nos dias atuais (a produção do documentário ocorreu em 2016).
     Como mencionado pela pesquisadora da Fiocruz, Rosely Magalhães: “Hoje, o Rio de Janeiro, é uma das capitais que mais tem tuberculose resistente. É uma das cidades que têm uma mortalidade, inclusive, de tuberculose.” Isso se deve ao fato da tuberculose ser uma doença antiga, conhecida e estudada, entretanto muito negligenciada. Além disso, o nível de renda não explica a propagação da doença, já que municípios com maior nível de pobreza mostram menos casos de tuberculose. De acordo com o documentário, os principais atingidos pela enfermidade são as pessoas carentes de cidades ricas e populosas.
     O que torna a tuberculose pulmonar mais propícia em Manguinhos e em outras favelas são as condições socioeconômicas e ambientais locais. A difusão da enfermidade ocorre devido à um conjunto de situações precarizadas como moradia escura, fechada e sem ventilação, vielas estreitas e a ausência de água encanada e saneamento básico.
     Segundo José Wellington Araujo, outro pesquisador da Fiocruz: “O problema da tuberculose não é o diagnóstico, uma vez que a tuberculose pulmonar tem sintomas característicos.” Os sintomas referidos são a tosse por mais de três semanas, suor noturno, febre vespertina e, em casos de moradores de favelas, se existe casos na família. Este último, não por ser uma doença com origem hereditária, mas devido à uma situação social que ultrapassa gerações. O morador da favela observa os seus familiares ficando enfermos devido à tuberculose e sua percepção é que se trata de uma doença genética. Araujo conclui: “E o que de fato é hereditário é a situação social. A pobreza é hereditária.”
     Assim que diagnosticado, o enfermo começa com o tratamento orientado pelo médico, realizando a ingestão de comprimidos durante seis meses. Após duas semanas, pode já apresentar melhora e todo o tratamento é gratuito pelo SUS. A mediação, normalmente, é realizada por agentes comunitários de saúde que levam os medicamentos, aconselham e servem como referência para o paciente.
     Contudo, todo o processo pode tornar-se um ciclo vicioso. Graças à moradia precária,  a pessoa desenvolve tuberculose pulmonar, então faz o tratamento com a medicação durantes os seis meses e por fim, recebe alta. Porém, o problema inicial com a residência em condições prejudiciais permanece e a tuberculose pode voltar a aparecer. Como é o caso de Marcio Moreira de Souza, morador de Manguinhos, e de Gleide Guimarães Alentejo, pesquisadora e moradora do LTM/Fiocruz, que tiveram a doença mais de uma vez.
     Concluindo, ao ver este documentário foi possível perceber as diversas causas do grande número de ocorrências de tuberculose em Manguinhas, Rio de Janeiro. Entre essas razões, estão as condições socioeconômicas e ambientais do local, sendo que estas são macrodeterminantes sociais de saúde. Além disso, pode-se perceber os pormenores problemáticos da situação como a habitação em más condições, falta de saneamento básico e água encanada, sendo estes determinantes estruturais de saúde. Portanto, se faz necessário políticas públicas voltadas para esses aspectos para garantir a qualidade de vida dessa população marginalizada.
Joana Born
Enviado por Joana Born em 25/03/2020
Código do texto: T6896361
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Sobre a autora
Joana Born
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 20 anos
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Joana Born