*O DIÁRIO E ANNE FRANK
Acabei de ler

No dia 14 de junho de 1942, Anne Frank, judia, nascida em Frankfurt Alemanha, aniversariou, aos 13 anos, recebeu alguns presentes, o que mais lhe chamou a atenção, foi o presente mais lindo, um caderno de capa dura, vermelho, que chamou meu diário. E passou a escrever, desde essa data. Era jovem estudiosa, inteligente, observadora, tagarela, devorava livros e estudava incansavelmente. Estuda francês, inglês, gostava da mitologia grega, de biografias, lia muitos autores. Necessitando de uma amiga deu nome ao seu diário de querida Kitt. Sonhava em ser jornalista e uma grande escritora.

“Gosto de escrever para aliviar o meu coração de todos os pesos. O papel é mais paciente do que os homens. Mas quem lerá meu diário, dizia? ”
A Família migrou para Holanda em 1933: Anne Frank, o pai Otto Frank, a mãe Edite Frank, a irmã Margot Frank, e outra família muito amiga, Hermann Van Daan, e mulher e Peter Van Daan o filho. Eram sete, depois apareceu o médico dentista Abert Dussel. Todos com nomes fictícios, no final do diário lemos os verdadeiros nomes. Muitos familiares continuaram na Alemanha. Eram de família rica e perderam tudo após enfrentarem outra guerra.
Perseguidos por Hitler, precisariam se esconder.

Os judeus só podiam fazer compras das 3 às 5 horas, e só em lojas judaicas. Não podiam sair à rua depois das oito horas da noite, e sequer ficar no quintal ou na varanda. Não podiam participar de nenhuma diversão nem esporte, nem visitar os cristãos, cada vez saíam mais decretos. Foram marcados com uma estrela. Não podiam andar de ônibus, tomaram até as bicicletas.

Foi declarado e o estado de sítio. Chegou uma convocação, e todos tremeram. Não era para seu pai, e sim, para sua irmã Margot com apenas 16 anos. Eles obrigavam as garotas partir sozinhas sem a família. Foi um desespero, então decidiram se esconder. Aonde? Na cidade, no campo, num edifício, numa cabana. Recolheram algumas coisas. Abandonaram suas casas com todos os pertences.

O esconderijo foi no anexo de uma casa comercial do seu pai, era um grande armazém com três andares. Ninguém iria descobrir. Ficaram no andar superior, isolados do mundo. Tinha hora para falar, sorrir abafado, hora para abrir as torneiras, de puxar a descarga, um paredão sem janelas, uma escada íngreme na subida. Tinham muitas noites de insônia. Na entrada, uma porta giratória disfarçada de estante com livros. Alimentação racionada e repetida. Johanes Koophuis, funcionário do pai da Anne, fazia as compras. Havia outros funcionários que sabiam, alguns não sabiam.

A comida era sempre salada crua ou cozida, espinafres e batatas velhas, feijão com bolor, papa no almoço, no jantar batatas fritas ou saladas. A mamãe me dá glicose, levedura, cálcio, óleo de fígado de bacalhau para poder me aguentar. Dizia Anne.

Anne Frank 14 anos e Peter Van Daan 15 anos, se apaixonaram. Ele a achava bonita inteligente, alegre, tagarela. Ela via nele um rapaz bonito, mas tolo, imaturo e de caráter fraco. Olhavam a rua por uma brecha da janela e diziam; ah, com o mundo é belo, a liberdade, a lua, as árvores, avida.
Anne Frank: “por que é que se gastam tantos milhões para as guerras e não há dinheiro para a medicina, os artistas e os pobres? Por que uns passam fomes e com outros apodrecem mantimentos? Por que os homens são tão insensatos. O homem da rua tem sua culpa, quando por medo, não se revoltam, contra os governantes e capitalistas. ”

Anne Frank; “o homem nasce com o instinto de destruição, do massacre, da fúria, e enquanto toda a humanidade não sofrer uma metamorfose total, haverá sempre guerras.

“Crianças de oito e onze anos quebram os vidros das casas e retiram tudo o que conseguem; máquina de escrever, tapetes persas, relógios elétricos, tecidos... Relógios das ruas são desmontados, tiram os telefones das cabines, são crianças subalimentadas e doentes. Todos os dias crimes profissionais, assaltos, muitos envolvidos policiais
Sonhava em chegar o dia para dançar, assobiar, andar de bicicleta, ver o mundo, gozar da juventude livre. Todos são iguais ricos e pobres tudo pertence a todos.

Lia muito a história das guerras, de escritores, dos países, da mitologia grega, da bíblia, sobre animais, traduzia do holandês para o inglês. Leu até sobre o “Brasil: o tabaco da Bahia, a abundância do café, o milhão e meio de habitantes do Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo, o Rio Amazonas, das coisas dos negros, dos brancos, das mulheres, dos mulatos, dos mestiços, e que lá vivem, cinquenta por cento de analfabetos, e que há malária. ”

Ficaram todos estressados se agrediam por tudo. Era tensão por todo lado, com bombardeios, guardas entravam em todas as residências e levava quem fosse judeu ou cristão. Tivemos que entregar o nosso rádio.
Anne Frank escrevia todos os dias, foram 230 páginas desde domingo, 14 de junho de 1943, sua última anotação terça-feira, 1º de agosto de 1944.
No dia 4 de agosto, o esconderijo foi descoberto e todos foram presos em Westerbork, maior campo de concentração alemão na Holanda.

No dia 3 de setembro, amontoados em vagões de gado, os judeus foram levados para Auschwitz, o mais famoso centro de extermínio na Polônia ocupada. Sua mãe Edith Frank morreu em 5 de janeiro. Anne Frank 16 anos e Margot 18 anos, foram envidas, no final de outubro de 1944, para Bergen-Belsen, na Alemanha, campo de concentração alemão, morreram de tifo em março de 1945, sepultadas anonimamente, valas comuns. Seu amado, Peter Van Daan, foi para longa marcha da morte com mais onze mil prisioneiros e morreu em 1945.

O anexo secreto foi saqueado e destruído pelos policiais. Miep e Elli funcionárias do seu pai não foram presas, guardaram o Diário de Anne Frank e entregaram ao seu pai quando voltou da guerra, que escapou por milagre, foi para o hospital e o campo de concentração foi libertado pelas foças soviéticas. Morreu em 1980. Ele foi o principal divulgador do Diário de Anne Frank. Criou em 1963, uma fundação com o nome da filha. O Prédio do esconderijo, em Amsterdã, hoje funciona o Museu Anne Frank com seu Diário original, escrito a mão, e todo os seus pertences. A tradução virou Best-Seller.
Já investigaram o denunciante e nada concreto. As fotos dos familiares e da outra família e do médico, em isolamento, oito, estão no livro.

À parte: Hitler tinha temperamento forte e era grosseiro igual ao seu pai, e nunca se entendiam. Hipnotizava multidões com discurso nazista e na vida privada nada impressionante. Ditador alemão que instigou a Segunda Guerra Mundial. Tinha doenças, no intestino, arritmia cardíaca, Parkinson e arterite.
Dizia: o cristianismo com sua mansidão e flacidez tornam as pessoas fracas.
Os judeus pessoas indesejáveis, quem não o apoiava merecia a morte. Os eslavos, ciganos. Hitler afirmou: "nós iremos reganhar nossa saúde apenas eliminando os judeus"
A guerra alemã deixou devastação, pobreza, massacre e 22 milhões de soldados mortos e 19,3 milhões de civis. No holocausto 11 milhões por fome, doenças, trabalhos forçados ou na câmara de gás.
Perdeu a guerra e para não ser capturado se matou. Os industriais ricos financiavam o movimento. Foi a maior imoralidade política que a história registrou.


Escrito a mão

O Diário de Anne Frank

Sobrado do pai onde se esconderam


 
Sonia Nogueira
Enviado por Sonia Nogueira em 25/04/2020
Código do texto: T6928294
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2020. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.