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TÉCNICOS ILUSTRES

Importantes personalidades da ciência desempenharam funções de técnicos no passado, estudando e idealizando equipamentos que hoje são imprescindíveis para a vida moderna

André-Marie Ampère (1775-1836), francês que contribuiu significativamente para o estudo do eletromagnetismo; James Prescott Joule (1818-1889), britânico que estudou a natureza do calor e suas relações com o trabalho mecânico; Charles Proteus Steinmetz (1865-1923), alemão idealizador da corrente alternada; e Thomas Edison (1847-1931), cientista norte-americano inventor da lâmpada e cujo nome dispensa comentários. Enfim, o que essas figuras ilustres, que fazem parte dos livros de história, têm em comum além do fato de contribuírem de maneira tão significativa para o progresso da humanidade? Todos, à sua própria maneira, desempenharam o papel de técnicos. Verdade seja dita, nos dias de hoje os técnicos não se dedicam mais às atividades inventivas; são profissionais liberais aptos para exercerem funções de acordo com as respectivas modalidades, mediante vínculo empregatício ou prestação de serviços como autônomos.

Em seu livro Técnico Industrial: Especialista na Arte de Fazer (a ser lançado em breve), Alceu Rosolino, diretor do SINTEC-SP – Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio do Estado de São Paulo, afirma que “o desenvolvimento da técnica é a comprovação de que muitas coisas podem ser feitas sem o conhecimento científico”. Para embasar sua explanação, ele cita vários exemplos, como a invenção e o aperfeiçoamento da máquina a vapor do matemático escocês James Watt (1736-1819), e a aplicação dos geradores e motores elétricos da Siemens, de Michael Faraday (1791-1867) e de Antonio Pacinotti (1841-1912). Entre muitos outros aperfeiçoados com o tempo para facilitar a vida moderna, esses aparelhos foram inventados sem que seus idealizadores tivessem qualquer acesso à grande gama de recursos e informações que a ciência e os estudos de laboratório proporcionam atualmente em escolas e importantes centros de pesquisas.

Mineiro de Belo Horizonte, Nélio José Nicolai é popularmente conhecido como o “pai” do bina – ou, num termo mais técnico, identificador de chamadas –, recurso comum nos telefones fixos e praticamente essencial nos celulares. Só que, de acordo com o próprio idealizador, ninguém nunca lhe pagou royalties, ou seja, a comissão que se destina ao detentor dos direitos da invenção pela exploração econômica do equipamento; apenas no ano passado, depois de décadas de disputa judicial com operadoras de telefonia, que ele começou a obter reconhecimento judicial de seus direitos.  “Lutei praticamente sozinho. Não foram poucas as pessoas que, nesse período, aconselharam-me a desistir. Fui até mesmo ridicularizado por advogados, autoridades e jornalistas; esse direito não é só meu, mas também do povo brasileiro”, disse, na ocasião, ao jornal O Estado de S.Paulo. O bina tem transformado a habitual saudação de atender ao telefone; afinal, por que perguntar ‘quem fala’ se o número da chamada está ali no visor do aparelho? E as invenções do técnico mineiro não param por aí: ele criou um recurso de sinalização sonora que indica outra chamada quando o telefone está sendo utilizado; um sistema de mensagens de instituições financeiras para celular; e ainda um dispositivo para registro de chamadas perdidas. Além da capacidade do idealizador, essas invenções se devem também à sua técnica, descoberta na juventude quando ele se formou Técnico em Eletrônica pelo CEFET-MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Em setembro de 2005, nas comemorações do Dia Nacional do Profissional Técnico, Nélio José Nicolai foi homenageado em sessão solene realizada na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo (SP), com a presença do presidente Otávio Manente (in memoriam); seu filho e atual deputado estadual Alex Manente (PPS-SP); e Wilson Wanderlei Vieira, presidente da FENTEC – Federação Nacional dos Técnicos Industriais.


Habemus papam, habemus técnico – Antes de entrar para o sacerdócio, em 1958, Jorge Mario Bergoglio sonhava em ser químico. Isso mesmo! Tanto que, aos 21 anos, ele se formou Técnico em Química. Agora, talvez a própria química o ajude a reformular a igreja. Nascido em 17 de dezembro de 1936, na cidade de Bueno Aires, o pontífice Francisco – nome escolhido em alusão a São Francisco de Assis, exemplo de humildade para os católicos –, o primeiro papa latino-americano da história tem a árdua missão de reunir novamente seus fiéis, restabelecendo a credibilidade da igreja. “Penso que ele está assumindo o compromisso de reconstruir a igreja a partir da conversão dos corações”, comentou Dom Murilo Krieger, em entrevista logo após a chaminé da capela Sistina expelir a tradicional fumaça branca e o Vaticano afirmar, de forma oficial: “Habemus papam”. O arcebispo de Salvador traça, ainda, um breve perfil do novo líder da Igreja Católica: “Antes de se tornar padre, ele pensava em ser químico. É um homem intelectual, de muitos estudos. Foi, durante anos, professor e reitor de universidade, o que mostra capacidade de organização”.

Poliglota, leitor inveterado, filósofo, ex-professor e dono de uma sólida carreira eclesiástica, Jorge Mario Bergoglio sempre se posicionou de maneira contundente em suas críticas de caráter social, chegando até a protagonizar duros embates com Néstor Kirchner e sua viúva, a atual presidente argentina Cristina Kirchner, que o teria acusado de fazer oposição partidária.

Política à parte, o que importa mesmo é que o novo papa possa, com a influência religiosa que lhe é concedida, conduzir seu rebanho aos caminhos de paz, união e fraternidade. E que, independente de opção religiosa, todos possam se respeitar reciprocamente. Afinal, liberdade de culto faz parte da DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida pela ONU – Organização das Nações Unidas e adotada, pelo menos na prática, por dezenas e mais dezenas de países. Que a química estudada na juventude o ajude a conduzir seu pontificado e a reconstruir – administrativamente e moralmente – a igreja. Quem sabe, assim, com o tempo a religião se torne um instrumento de união, respeito e fraternidade entre as nações.


Você sabia?
José Saramago formou-se em escola técnica

Autor de livros como Ensaio sobre a Cegueira, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Caim, José Saramago (1922-2010) – ganhador do Nobel de Literatura, em 1998, formou-se numa escola técnica de Lisboa antes de se tornar um dos maiores expoentes da literatura contemporânea. Entre a juventude e a idade adulta, ele exerceu diversas profissões, como funcionário público, jornalista e tradutor. Seu primeiro trabalho, no entanto, foi como serralheiro mecânico.

Fonte: Revista da FENTEC - Edição 37
http://www.fentec.org.br/revista/REVISTA%20DA%20FENTEC%2037.pdf

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JDM
 



José Donizetti Morbidelli
Enviado por José Donizetti Morbidelli em 19/07/2013
Reeditado em 08/01/2014
Código do texto: T4394841
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Sobre o autor
José Donizetti Morbidelli
São Paulo - São Paulo - Brasil
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