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Para uma estética existencial – A vida como fenômeno artístico

No mês de setembro de 2014, um grupo de professores e alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ) se reuniu para o Congresso Internacional de Filosofia (an)danças. Seu objetivo estava em pensar e discutir um universo repleto diversidade, vida e mudanças.

Fomos ali convidados a pensar as inúmeras (an)danças que os caminhos nos mostram e nos permitem fazer, bem como os caminhos que desbravando nos impelimos a criar.

Segue abaixo, um trecho da minha participação naquele que foi um encontro sobre a existência na humana na contemporaneidade:

A filosofia apresentada por Nietzsche vem em contrapartida a todas as metafísicas e religiões, especialmente o Cristianismo, já que estas negam o mundo e a vida remetendo o homem sempre a um além transcendente, que seria a fonte da vida, dos valores, do conhecimento.

O homem é para Nietzsche um animal não fixado, um experimentador de si; sua natureza não pode ser definida por nenhuma fórmula metafísica e suprassensível, senão pela própria condição humana que guarda uma plasticidade inesgotável de pulsões. E tomando para si a meta de conduzir o ser humano em direção à própria humanização, considera que esse ser precisa reconhecer sua exclusividade. Podendo tornar-se mestre de si e, antes de tudo, “despertar a reflexão e o discernimento pessoal indispensável para que os indivíduos não percam de vista uma educação mais completa” (DIAS, 2011, p. 12). Para tanto, propõe que cada um possa esculpir sua existência como obra de arte.

Um povo, uma cultura são pensados por Nietzsche a partir do modelo de trabalho da arte — como atividade criadora de “belas possibilidades de vida” (DIAS, 1993, p. 87). A vida, nesse sentido, deve ser pensada, desejada da mesma forma que o artista pensa e deseja sua obra, ou seja, deve-se empregar energia para produzir um objeto único. Essa relação entre vida e arte é possível porque a arte pode ser o lugar de análise da vida. À arte cabe o papel de afirmar a vida em seu conjunto ou reforçar apenas certos aspectos em detrimento de outros. Da mesma maneira pode esconder muitos outros, tudo em razão da vida, da transfiguração do real. Em suma, a arte nos libertaria, ao passo que a dura e cotidiana experiência do real nos submeteria e nos diminuiria. Pensando o homem como a própria obra de arte, onde a vida é uma experiência estética, Nietzsche dá valor não mais ao conhecimento, mas à criação.

MELO, Roberta. Para uma estética existencial –
A vida como fenômeno artístico. Livro: Filosofia e (an)danças, editora: 7Letras, 2017.
Roberta Soares de Melo
Enviado por Roberta Soares de Melo em 06/12/2017
Código do texto: T6192067
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Roberta Soares de Melo
Rio das Ostras - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
13 textos (433 leituras)
52 áudios (812 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/12/17 09:12)
Roberta Soares de Melo