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Educação?

Educação para quem? Que tipo de educação nossas crianças e jovens estão recebendo?
Basta ouvir uma criança ou um adolescente que se diz alfabetizado ler que já perguntamos: O que de fato é ser alfabetizado? Escrever então... Prefiro não entrar na questão, visto nossos estudantes não terem criado o hábito da leitura e da escrita. Pergunto então, o que está acontecendo nas escolas com educadores e alunos se muitos saem do ensino médio sem ao menos escrever o próprio nome?
A sociedade questiona, os estudiosos da pedagogia defendem suas teses e, vamos e venhamos, algumas totalmente ilusórias como se colocadas para um mundo de contos de fadas;  as secretarias de educação e mesmo muitas escolas tentam esconder a verdade triste que nos traz a realidade, mas, ao colocarmos nossos alunos à prova a verdade vem a tona em sua forma autêntica, triste, medonha mas real...
Já ouvi muitas alegações e confesso, nenhuma me convenceu. Nossas escolas são formadas por alunos sem a educação primária ou informal, que é aquela recebida em casa, da família e essa,  passa para a escola o que de fato seria a sua função. Temos pais perdidos na má educação que dão aos seus filhos, uma educação sem limites, sem os “não(s)” que muitas vezes são substituídos por “sim(s)” apenas para evitar aborrecimentos e assim, vão criando homens e mulheres  sem os valores essenciais para a formação do cidadão e para a vida em sociedade.
Não venho julgar o estereótipo assumido pela família na atualidade, mas não há como falar da educação formal sem reaver o papel da família na sociedade enquanto educadora informal. Pais e filhos não conversam mais, não há diálogo e quando se encontram é para agredirem-se e é este o aluno que nossas escolas recebem hoje. Crianças sem a educação informal necessária para socializarem-se, sem valores e sem limites. Crianças que não aprenderam dialogar, que não aceitam regras e não se importam com o próximo e a escola abraça mais esta missão, o da educação informal, trabalhando antes de tudo com o atitudinal, tentando e lutando para passar aos seus alunos os valores já esquecidos por seus pais, mas que continuam sendo cobrados pela sociedade. Crianças que se negam a aprender, ou por já carregarem uma carga pesada demais advinda de problemas familiares, ou por simples negação, pois o aprender dói e exige do aprendiz determinação, garra e vontade.
A escola, então, passa a abraçar mais uma missão, a da educação primária, informal,  mas não podemos e nem devemos nos esquecer que essa não é a função primordial da escola que é uma instituição que tem como objetivo transmitir o saber.
Muito vem sendo refletido, pensado e repensado, testado e tentado na educação. A sociedade inquieta percebe o problema em suas reais dimensões, mas parece não querer enxergá-lo, lembrando aqui que “ver” difere de “enxergar”, pois, o “enxergar” implica na tomada de consciência enquanto o “ver” para na superfície do problema.
Na tentativa de reverter os índices de repetição e evasão escolar são criadas leis que promovem os alunos muitas vezes sem a mínima condição de serem promovidos. É a progressão continuada instituída pelo  Conselho Estadual de Educação (CEE ),  no uso de suas atribuições e com fundamento no artigo 32 da Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, no Art. 2º da Lei Estadual nº 10.403, de 6 de julho de 1971, e na Indicação CEE nº 08/97. Seria ótimo se funcionasse na prática tanto quanto funciona na teoria. Mas ao que se pode conferir, se temos alunos saindo do ensino médio sem sequer saber escrever o próprio nome, então, seria a progressão continuada (ou automática como muitos a intitulam) a forma ideal ou o remédio para o mal do analfabetismo encontrado dentro de nossas escolas?
Peça fundamental é o professor, hoje tão desvalorizado, desmotivado, desgastado. É desrespeitado e agredido, tanto verbal quanto fisicamente por seus alunos que sabem estarem seguros e amparados pela lei, por mais inacreditável que isso possa parecer, mas é verdade, outra tentativa frustrada de nossos governantes que é a má elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA (Lei nº 8.069, de 13 de Julho de 1990.), lei esta que necessita  urgentemente de reformulações, pois, da forma como está, mostra-se um berço criadouro da marginalidade e, no entanto, o professor ainda luta para convencê-los de que o aprender, o saber é o maior tesouro que o homem pode adquirir, é bem que o tempo não corrói. Professores que muitas vezes passam a serem vítimas, acusados de principais responsáveis pelo fracasso da educação, mas que na verdade, lutam destemidamente contra aqueles que muitas vezes tentam camuflar a verdade da escola de hoje, da sociedade que abriga a família que não existe mais. Professores que, mesmo ganhando um salário de fome, mantém a dignidade do mestre que almeja ver no aluno, o discípulo que se nutre do desejo de saber cada vez mais.
Muitos filósofos e estudiosos defendem a tese de que o mundo mudou e a escola deve mudar também. Eu concordo! A Escola deve atualizar-se, informatizar-se, oferecer a seus alunos uma metodologia que vá de encontro ao mundo tecnológico ao qual estão habituados, preparar melhor seus professores e atualizá-los para que elaborem suas aulas utilizando-se de estratégias e recursos que tornem seus conteúdos mais atrativos.
Vivemos em um país que soma 14,1 milhões de analfabetos segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nós, enquanto sociedade, o que podemos fazer? Como devemos agir? O que cabe a nós, cidadãos comuns, para mudar esta trágica realidade? Muitas vezes nos sentimos impotentes diante de diversas situações, mas agora estamos vivendo um tempo onde nos é dado instrumentos para mudarmos ou pelo menos começarmos a mudar esta realidade. Época de eleição, onde o meu, o seu, o nosso voto consciente poderá reescrever esta história já tão mal escrita e que não há mais como sustentar. Nosso voto pode ser o marco da mudança que tanto ambicionamos, mas para isso é necessário deixarmos de “ver” e passarmos a “enxergar” aqueles que querem tomar em suas mãos as rédeas deste país.
Aisha
Enviado por Aisha em 14/09/2010
Código do texto: T2497531
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Sobre a autora
Aisha
Jundiaí - São Paulo - Brasil, 53 anos
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