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Juraci Conceição de Faria sobre Malba Tahan e comentários sobre a obra de Sebastião Milagre 1940 -1990)

“Cada um é ator a seu jeito na tragicômica lida do teatro mais perfeito que é o teatro desta vida. O autor, em 1990.” (MILAGRE, 1991, p. 31)

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NOSSA HOMENAGEM AO POETA MINEIRO Sebastião Bemfica Milagre
J B PEREIRA
12/07/2018

Leia a obra e conheçam a biografia de Sebastião Bemfica Milagre

Hoje, oramos pela alma de um dos mais famosos poetas mineiros do século XX - Sebastião Bemfica Milagre - o Lírico de Divinópolis, MG;

(* 02 de setembro de 1923, Divinópolis, Minas Gerais; + 22 de fevereiro de 1992, BH, com 68 anos de idade).

O mesmo completa 26 anos de aniversário de falecimento!

Está feliz ao lado de sua esposa Lili - que tanto amou em vida
e a ela dedicou lindos e profundos versos - e seus familiares,
com os outro poetas...

Considerações:

Sebastião Bemfica Milagre apesar de ser uns dos grandes nomes da poesia divinopolitana, é pouco conhecido, até mesmo pelos próprios conterrâneos. No entanto, foi bastante reconhecido em sua época, tinha uma característica diferente, que era de publicar com seus próprios recursos e distribuir gratuitamente seus livros, exceto o primeiro deles, Via-Sacra, que foi vendido e sua renda revertida para a Igreja. Ele editou os seguintes livros:

Via-Sacra (1960)

Gomos da Lua (1963)

Toma cuidado menina (1965)

Pão de Sal (1966) Pastilhas (1967)

Gritos (1972) Homem Agioso -

Itinerários dos Diferentes (1974)

O Mundo Mundo-Outro (2 vols. 1976)

Sozinho na Multidão (1979)

O Mundo e o Terceiro Mundo (1981)

O Homem e a Caixa Preta (1982)

Almanaque - O Lírico da Noite (1985)

3 em 1 (1985)

Lápis de Cor (1986)

A Igreja de João XXIII (1986)

O Viaduto das Almas (1986)

Lixo Atômico (1987)

Doador de Sangue - Procissão da Soledade (1990)

Quarteto de Sopro - O Nome Dela É Perpétua (1991)
Postado por BOSCO PRODUÇÕES DIVERSAS às 04:44
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Logo abaixo, fazemos sínteses e ponderações sobre a vida e obra de Sebastião B. Milagre. Leiam, por gentileza.
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J  B PEREIRA
Veja que Davi, Salomão e outros foram Poetas do Ceú!

SALMO 129 (130), 1-8
"1. Cântico das peregrinações. Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor;
2. Senhor, ouvi minha oração. Que vossos ouvidos estejam atentos à voz de minha súplica.
3. Se tiverdes em conta nossos pecados, Senhor, Senhor, quem poderá subsistir diante de vós?
4. Mas em vós se encontra o perdão dos pecados, para que, reverentes, vos sirvamos.
5. Ponho a minha esperança no Senhor. Minha alma tem confiança em sua palavra.
6. Minha alma espera pelo Senhor, mais ansiosa do que os vigias pela manhã.
7. Mais do que os vigias que aguardam a manhã, espere Israel pelo Senhor, porque junto ao Senhor se acha a misericórdia; encontra-se nele copiosa redenção."

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Também JESUS, entre nós, no Evangelho, é
O POETA DO PAI E DO ESPÍRITO SANTO!

Mateus 11,25-27 - Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
(Mt 11,25).

"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;
Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu CUIDADO."
Mateus 6:19-34

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Mateus 5
1 E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte,
e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;

2 E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:

3 Bem-aventurados os pobres de espírito,
porque deles é o reino dos céus;

4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

5 Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque eles serão fartos;

7 Bem-aventurados os misericordiosos,
porque eles alcançarão misericórdia;

8 Bem-aventurados os limpos de coração,
porque eles verão a Deus;

9 Bem-aventurados os pacificadores,
porque eles serão chamados filhos de Deus;

10 Bem-aventurados os que sofrem perseguição
por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;

11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem
e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal
contra vós por minha causa.

12 Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

13 Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido,
com que se há de salgar?
Para nada mais presta senão para se lançar fora,
e ser pisado pelos homens.

14 Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder
uma cidade edificada sobre um monte;

15 Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire,
mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.

16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens,
para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai,
que está nos céus.

17 Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas:
não vim ab-rogar (deletar, destruir, desfazer...), mas cumprir.

18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.

19 Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos,
por menor que seja, e assim ensinar aos homens,
será chamado o menor no reino dos céus; aquele,
porém, que os cumprir e ensinar será chamado
grande no reino dos céus.

20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder
a dos escribas e fariseus, de modo nenhum
entrareis no reino dos céus.

21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás;
mas qualquer que matar será réu de juízo.

22 Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo,
se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo;
e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio;
e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

23 Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar,
e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

24 Deixa ali diante do altar a tua oferta,
e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e,
 depois, vem e apresenta a tua oferta.

25 Concilia-te depressa com o teu adversário,
enquanto estás no caminho com ele,
para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz,
e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.

26 Em verdade te digo que de maneira nenhuma
sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.

27 Ouvistes que foi dito aos antigos:
Não cometerás adultério.

28 Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar
numa mulher para a cobiçar,
já em seu coração cometeu adultério com ela.

29 Portanto, se o teu olho direito te escandalizar,
arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor
que se perca um dos teus membros do que seja
todo o teu corpo lançado no inferno.

30 E, se a tua mão direita te escandalizar,
corta-a e atira-a para longe de ti,
porque te é melhor que um dos teus membros se perca
do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.

31 Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher,
dê-lhe carta de divórcio.

32 Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher,
a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério,
e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.

33 Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos:
Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor.

34 Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis;
nem pelo céu, porque é o trono de Deus;

35 Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés;
nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
Mateus 5:35

36 Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar
 um cabelo branco ou preto.

37 Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não;
porque o que passa disto é de procedência maligna.

38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.

39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas,
se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

40 E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, l
arga-lhe também a capa;

41 E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.

42 Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser
que lhe emprestes.

43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo,
e odiarás o teu inimigo.

44 Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos,
bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam,
e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem;
para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;

45 Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons,
e a chuva desça sobre justos e injustos.

46 Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis?
Não fazem os publicanos também o mesmo?

47 E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?

48 Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai
que está nos céus."
(Mateus 5)

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Sebastião Bemfica Milagre: biografia do poeta

http://letrasamoda.blogspot.com/2009/06/sebastiao-bemfica-milagre-sebastiao.html

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sebastião Bemfica Milagre nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, aos 2 de setembro de 1923. Filho do casal Olyntho Bemfica Milagre e Deodata Maria Sempreviva.

http://boscoprodutions.blogspot.com/2010/10/sebastiao-bemfica-milagre-biografia-do.html
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Livros relativos à minha pesquisa sobre uma das fases do poeta Sebastião B. Milagre.

GUIMARAES, Alphonsus. Dona Mística. 1899.
GUIMARAES, Alphonsus. Kyriale.1902.  NA DISSERTAÇÃO DE J B PEREIRA (PEREIRA, 2011,  P.111-2)
GUIMARAES, Alphonsus. Câmara Ardente. Sem data. GUIMARAES, Alphonsus. Pastoral aos crentes do Amor e da morte. 1923. Sem editora.
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Eis o trecho de Gritos (MILAGRE, 1972) em que ocorre a melancolia de Sebastião Milagre: “... É assim que o destino bate à porta.” (Beethoven) trombodoença assoma a sombra assombra fataldia porque a Lilia foi-se? ah! foice era esposa noiva morrenova estou a atri batido bulado ver amo gastado finado entre tanto amor mor não mor re li li amor minha na morada quando e quanto te terei hoje-sempre? querida quero ida contigo e ter na feliz-cidade. (cf. MILAGRE, 1972, p. 57)
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BARBOSA, João Alexandre. As ilusões da modernidade: notas sobre a historicidade na lírica moderna. São Paulo: Perspectiva, 1986.
BARTHES, Roland. A morte do autor; Da obra ao texto. In.: BARTHES, Roland. O rumor da língua. SP/Campinas: Brasiliense/Ed. da Unicamp, 1988, p. 65-70; p. 71-8.
BAUDELAIRE, C. A modernidade de Baudelaire. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
BAUDELAIRE, Charles. Sobre a modernidade: O pintor da vida moderna. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.
COMPAGNON, Antoine. Os cinco paradoxos da modernidade. Belo Horizonte: UFMG, 2003 122
COMPAGNON, A. O trabalho da citação. Belo Horizonte: UFMG, 2007.
LE GOFF, J. História e Memória. Trad. Bernardo Leitão et al. 5ª. ed. Campinas: Unicamp, 2003.419-476.
PÊCHEUX, Michel et al.. O papel da Memória. Trad. José Horta Nunes. São Paulo: Editora Pontes, 1999. p. 49-56
ROSSI, Renato e GONTIJO, Robínson Correa. Afinal, o que é ser mineiro? Belo Horizonte: SESC/MG, 02/12/1979. 80 p.
SANTIAGO, Silviano. O entre-lugar do discurso latino-americano. In.: SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos. São Paulo: Perspectiva, 1978.
VERNANT, Jean-Pierre. Mito e pensamento entre os gregos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
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ARQUITETURA
VICALVI, Cacá. Antonio Saggese: arqueologia da imagem. São Paulo: SESCTV, 2002. Coleção O mundo da arte. 23min
BAUDELAIRE, C. A modernidade de Baudelaire. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
BAUDELAIRE, Charles. Sobre a modernidade: O pintor da vida moderna. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. O governo Kubistchek: desenvolvimento econômico e estabilidade política (1956-61). 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1979.
BENJAMIN, Walter. A modernidade e os modernos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.
CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. Trad. Diogo Mainardi. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
COMPAGNON, Antoine. Os cinco paradoxos da modernidade. Belo Horizonte: UFMG, 2003.
LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Arquitetura brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1979. 158 p.
TOLSTÓI, Leon. O que é arte? Trad. Yolanda de Toledo e Yun Jung Im. São Paulo: Experimento, 1994.
VERNANT, Jean-Pierre. Mito e pensamento entre os gregos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990
VICALVI, Cacá. Antonio Saggese: arqueologia da imagem. São Paulo: SESCTV, 2002. Coleção O mundo da arte. 23min
NETTO, J. Teixeira Coelho. Moderno e pós-moderno. São Paulo: Universidade do Texas, USA, digitalizado em 21.fev.2008, 175 p., L&PM, 1986, p. 72-75, disponível em ou , acessados em 18/12/11, às 15:09


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A arqueologia da imagem distingue Kairós e Kronos nas crônicas. Frei Odulfo Van der Vat, em Coisas do Passado (1979) aborda, teologicamente: Kairós como o tempo da gratuidade, da graça divina e Kronos como o tempo do homem na história. Ambos evocam a parceria da Civitate Dei, de Santo Agostinho, e a cidade dos homens como tempo histórico das crônicas.

Em Hibridismo cultural, Peter Burke afirma: “O hibridismo é termo escorregadio, ambíguo, metafórico, descritivo (...), movimentos centrífugos e centrípetos de foras culturais, uma negociação de domínio e recessivo, (...) processo sincrético e miscigenação”. (2003, p. 51, 53 e 54) Milagre se diz moreno “in natura”. É o discurso do saber local em interação e mediação como entre-lugar do latinoamericano e o europeu. No caldeirão cultural do terceiro mundo, este escritor-autóctone dialoga com outros atores na sociedade globalizada entre religiões diversas como escritor ecumênico.

Essa modernidade se dissolve aos poucos como recorte de imagens da ilusão de “realidade, totalidade e de 26 Sebastião Milagre inicia os versos com minúscula: “este (i)mundo e seus prazeres/ por efêmeros e engano/ já não quero.// as fortuna e sua face (...)// ver a glória [terrenal] (...)// o prestígio e seu fascínio (...)// a luz da sabedoria (...)// os bens de o poder e fama (...) // da mulher, o corpo e o campo (...) // ser amado e ser benquisto (...)// ser lembrado e ser bem visto (...) // esta vida, a própria vida (...)/ já não quero.” (MILAGRE, 1986, p. 91-92) 46 verdade”. Essa ilusão pode ser representada, visualmente, também na pintura “La persistencia de la memoria”, de Salvador Dali, pintor espanhol surrealista (1904-89).

Essa imagem de Sebastião Milagre está cristalizada e confirmada pelas palavras de Adélia Prado, registrada por Bessa (2003): A lembrança do poeta Sebastião Bemfica Milagre é para mim a de uma pessoa que dificilmente se poderia imaginar enfurecida ou rancorosa. Sempre cordial, gostava de promover audições musicais em sua casa. Seu perfil é mesmo o que chamamos do amante das artes. Seus livros, muitos, escrevia-os e generosamente os distribuía, movido apenas pela necessidade de ser lido, partilhar sua sensibilidade. (...) Quem quisesse um leitor emocionado da poesia buscava Sebastião Milagre. Assim me lembro do poeta (BESSA, 2003, p. 12-3, meu grifo).
BESSA, Pedro Pires. Sebastião Bemfica Milagre: o poeta de Divinópolis. FAPEMIG/FUNEDI/UEMG, 2003a.

BESSA, Pedro Pires. Literatura de Divinópolis em crônicas. Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. 2006.
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34 Machado de Assis, em “Instinto da Nacionalidade”, em Novo Mundo, de 24 de março de 1873, afirmara: “O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem de seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos, no tempo e no espaço.” http://www.ufrgs.br/cdrom/assis/massis.pdf, Hipertexto: Alckmar L. dos Santos (UFSC) e http://pt.wikisource.org/wiki/Not%C3%ADcia_da_Atual_Literatura_Brasileira_-_Instinto_de_Nacionalidade, cessados em 04/09/11, às 15h.

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Da leitura de Paulicéia desvairada e “Noturno”, Milagre compilou “Sozinho na multidão” de O Viaduto das almas (1986) e “Noturno” de Gomos da Lua (1963). “Na noite do dia 24 de abril de 1924, os modernistas davam entrada no Grande Hotel, que ficava na Rua da Bahia, onde hoje está o Ponto Frio. (...) Mário de Andrade, F. Léger, Brancusi, Godofredo Telles, Blaise Cendrs, Olívia Penteado, Godofredo S. Teles, e o filho de Oswald, José Oswald de S. Andrade Filho. O grupo vinha do carnaval carioca, movido pela idéia de assistir à tradicional Semana Santa mineira, mas antes de chegar a Belo Horizonte, havia passado pelas históricas São João Del Rey, Ouro Preto, Mariana e Divinópolis.” Em http://www.tanto.com.br/petroniodesouza-belo.htm, disponível em 10/11/11, às 21 h.
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Paulo Mendes Campos em artigo “Mineiro: fala de Minas” (apud ROSSI, 1979, p. 38-43)...
E Afonso Arinos de Melo Franco (apud ROSSI, 1979) tenta entender a mineiridade como categoria geral e a mineirismo e mineirice como componentes dessa categoria, enlace estratégico entre cultura30 e poder. Afonso Arinos afirma:
“(...) a maneira de ser dos mineiros em diversos matizes: nem indeciso, nem misterioso, desde o afetuoso interprete, o caçoísta, o crítico e cáustico demolidor. [nele]... há confluência de desejo de poder e o gosto das letras, na formação das elites mineiras. Esta é a marca do processo histórico, (...) a primeira manifestação da consciência coletiva em Minas Gerais.” (apud ROSSI, 1979, p. 44, meu grifo)
ROSSI, Renato e GONTIJO, Robínson Correa. Afinal, o que é ser mineiro? Belo Horizonte: SESC/MG, 02/12/1979. 80 p
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OS ARQUIVOS DE SEBASTIÃO MILAGRE: ENTRE A TRADIÇÃO E A MODERNIDADE
“Quando fiquei viúvo, não fiquei solitário; Poesia – instrumento de meu todo momento; chama viva que empunho. A Poesia está a bordo na viagem da minha vida. A Poesia me socorre com palavras/ para o registro do que penso, vejo, sinto...” (MILAGRE, 1990, p.132-3)

Sebastião Bemfica Milagre: um lírico da modernidade em ... - UFSJ
https://www.ufsj.edu.br/.../A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf
22 de mai de 2009 - intelectual do escritor de Divinópolis: Sebastião Bemfica Milagre ..... outro (dois volumes), Sozinho na multidão, Procissão da Soledade.
 Última visita: 30/06/18
13/02/2018 - traços neossimbolistas e parnasianos em SOZINHO NO ...
https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/6253041
13 de fev de 2018 - sebastião bemfica milagre: um lírico da modernidade em . ... de Paulicéia desvairada e “Noturno”, Milagre compilou “Sozinho na multidão” de ...

Sebastião Bemfica Milagre: um lírico da modernidade em ... - UFSJ https://www.ufsj.edu.br/.../A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf___22 de mai de 2009 ___(p. 41)__4.Sozinho na multidão (1979), Divinópolis.Esse livro datilografado é oferecido à segunda esposa, Maria do Carmo Mendes, Cacau e tem poemas de 1940 e 1970.1-117 1940 -1979 __1. ROTEIRO MILAGREANO EM DIVINÓPOLIS __Sozinho na multidão (1979), em tons moralizantes, evidencia a solidão e a melancolia do poeta, que coincidem com o mundo moderno. O poeta publica seus poemas dos anos 1940, consolidando sua posição conservadora em sonetos e poucos poemas de versos livres. A temática remete-nos à tradição clássica. No plano da poesia, se misturam os planos da memória reconstruída agora e o destino transcendente que ousarmos desejar,sonhar, projetar no fim dos tempos, do nosso tempo presente. A esperança irrompe do olhar do poeta entre o viver e o fim, a morte desejada que chegará finalmente. ___Sozinho na multidão (1979) é como uma parte anterior de Arquivos (Poesias)(1987), ambos com poemas desde os anos 1940. O soneto ?O Domador de Ondas? é para Frei Metelo Greeve, antes de ir para São João del-Rei (MILAGRE, 1979, p. 57) e Milagre faz um soneto para o Dr. Simão Salomé de Oliveira em Sozinho na multidão (MILAGRE, 1979, p. 35). Corgozinho (2003) afirma Nas linhas da modernidade que: ?O moderno como portador do novo ou contraposição ao antigo (...) demarca uma mudança de mentalidade, no modo de vida cotidiano, na economia e política. Os indivíduos buscam o entendimento de si e do mundo na modernidade, sem tutelas externas? (CORGOZINHO, 2003, p. 278)___https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/mestletras/A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf______ KEMPIS & GERSON. Imitação de Cristo. Trad. do texto latino por Pe. J. I. Roquette. São Paulo: Editora Ave-Maria, 1928. 498 p.
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Em Almanaque (1985), Milagre aponta a escrita de si como o outro – alter ego – fala em si; ou implica a fala sobre o outro: “Muitas trovas e poesias referem-se a mim, outras, a acontecimentos. Foram resguardados nomes. (...) Desta forma, procurei manter a característica do poeta, que ora fala de si e por si, ora de outrem e por outrem.” (MILAGRE, 1985, p. 5) Com quem Milagre dialoga? Para responder a essa indagação, deparamo-nos com vários poemas, sonetos cujos destinatários são os amigos de Milagre: Ataliba Lago, homenageado com o soneto “Naufrágio de Poesia” (MILAGRE, 1979, p. 43); Gentil Ursino Vale em “Deserção para o Mundo da Arte”, soneto (MILAGRE, 1979, p. 67); o soneto “Estrelas” a Carlos Altivo (MILAGRE, 1979, p. 87); “Paraíso Perdido”. Eles são poemas retirados de Sozinho na multidão (MILAGRE, 1979, p. 93). (PEREIRA, 2011,p. 77)
Sozinho na multidão (1979) é como uma parte anterior de Arquivos (Poesias) (1987), ambos com poemas desde os anos 1940. O soneto “O Domador de Ondas” é para Frei Metelo Greeve, antes de ir para São João del-Rei (MILAGRE, 1979, p. 57) e Milagre faz um soneto para o Dr. Simão Salomé de Oliveira em Sozinho na multidão (MILAGRE, 1979, p. 35). Corgozinho (2003) afirma Nas linhas da modernidade que: “O moderno como portador do novo ou contraposição ao antigo (...) demarca uma mudança de mentalidade, no modo de vida cotidiano, na economia e política. Os indivíduos buscam o entendimento de si e do mundo na modernidade, sem tutelas externas” (CORGOZINHO, 2003, p. 278)

54 Milagre fez trovas sobre a sua vida no poema de 1991: “Belo Horizonte, a cidade/ Que eu amei, muito euforia;/ Meu tempo de mocidade, Tempo de sonho e poesia./ Eu morava na Lagoinha,/ E, para o Colégio Arnaldo,/ A pé, ou de bonde, vinha/ Com meu colega Adroaldo.// Lembranças em relicário/ Comovem-me o coração./ Eu terminara o primário/ No bom “Silviano Brandão”(1991, p. 28)// Luci, Odila e Negrinha,/ Raquel e outras malmequeres.../ Não deveria ser minha/ Nenhuma dessas mulheres...// Pois, outro era o meu destino,/ De casar-me com a Lilia,/ A qual, em vôo repentino,/ Deu seu lugar à Maria.” (MILAGRE, 1991, p. 30)
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As “Poesias de São João Del-Rei”, em 1952, formam um conjunto harmonioso e sutil de reflexões sobre o “Histórico” a Dr. Luiz Mourão Ratton (MILAGRE, 1986, p. 38), “O venturoso Encontro” a Frei Metelo (MILAGRE, 1986, p. 39) e “As Águas Santas” ao Dr. Geraldo Guimarães em A Igreja de João XXIII (MILAGRE, 1986, p. 40). Contudo o poema “Férias” encabeça a atenção para o momento de entretenimento e descanso de Milagre com Lilia, vivendo o impacto do casario eclético (barroco, colonial e moderno) de São João Del-Rei. O poder de sedução dessa cidade sobre o turista e visitante é algo que desperta não só a curiosidade e questionamentos sobre a igreja e a origem da cidade nos tempos dos Inconfidentes, mas induz um olhar de admiração à arquitetura, ao conjunto de Serras do Lenheiro e de São José de Tiradentes. Atualmente, na Serra de São José, há uma mineradora cuja retirada da areia pura está fazendo uma cratera no local e cujos benefícios são duvidosos para o ecossistema da mesma serra. Saint Hilaire fora tomado pela contemplação do vale e as riquezas das serras e rios quando visitou São João Del-Rei no século XIX. Esse enlevo deve ter provocado a inspiração de Milagre nos poema que enaltecera essa cidade. Veja fragmentos de Férias (MILAGRE, 1986, p. 37), que marcou, relativamente, a vida de Sebastião Milagre: São João del Rei; nesta cidade amiga Viemos passar uns dias de descanso. Quanta beleza antiga De um tempo de heroísmo e de arte alcanço! Que esplêndidas igrejas, trabalhadas Com talento, na pedra bruta e no ouro! Seu passado é um tesouro De incentivo na busca do futuro. (...) E em fábricas modernas, desgrenhadas O progresso do século arrastando. (...) Porque em lua-de-mel sempre estarão Os que vivem do amor, sob a sua asa, E bendizem, qual nós, a própria união (...) (1986, p. 37) 56 Em 1989, Sebastião Milagre elogiou o Theatro, de José Lindolfo Fagundes, empresário e escritor; isso reaparece em História do teatro em Divinópolis: da pré-história ao Theatron, de Mercemiro Oliveira Silva (1999, p. 67). Lindolfo fechou o seu teatro em 2008 e Prefeito Municipal de Divinópolis Demétrio Pereira inaugurou o novo Teatro Municipal no Espaço Cultural do Gravatá, ao lado da Escola Municipal de Música Ivan Silva. 81 O poema “Histórico”, dedicado ao Dr. Luiz Mourão Ratton, focaliza a geografia sinuosa do Rio das Mortes e os episódios, entre as montanhas e serras da região, como: o “dantesco da Traição” em Emboabas, “e o martírio de Joaquim da Silva Xavier. A casa em que “nasceu o magno Tiradentes”, desde o império está em ruínas, até hoje ainda a nos “dar glória a Minas” nas “margens viridentes”, do mesmo rio. (MILAGRE, 1986, p. 38) A figura do alferes é polêmica atualmente. Várias cidades do entorno são-joanense disputam a naturalidade de Tiradentes: a própria cidade de Tiradentes, Santa Cruz de Minas e Ritápolis. Há um turismo constante envolvendo a casa de Tiradentes na fazenda do Pombal, depois da localidade e da Igreja rural do Fé e do Campus CTAN, da UFSJ, saída asfaltada para Ritápolis e São Tiago. Durante a monarquia, Tiradentes57 foi reduzida a vilão, depois com a República se torna herói nacional, insigne patrono da Polícia Militar de Minas Gerais e de outras entidades do governo federal, estadual e municipal. O poema “O venturoso Encontro” a Frei Metelo Greeve58 é a alegre amizade já cultivada desde os tempos em que o franciscano comparecia aos lançamentos de livros de Milagre na Livraria Frei Orlando, de Divinópolis. Paulo Milagre, advogado e avaliador de imóveis, que mora no Bairro São José, em Divinópolis, me confidenciou como era o jeito alegre do frade e como valorizava a poesia do pai. O motivo também inclui o fato de que o presbítero celebrara o casamento de Milagre com Maria da Conceição Natividade. O frade era também poeta: “Possuía os dons supremos do universo,/ Que, além de sacerdote, ele era poeta...!” Era o encontro de conhecidos amigos unidos pela poesia e fé. Milagre poetiza esse reencontro com o sacerdote em São João e a visita ao Colégio Santo Antônio, “primeiro exemplar de educação”, conduzido pelo Frei Metelo (MILAGRE, 1986, p. 39).
Pão de sal (1966)59 tem trovas de Milagre, que enaltece São João Del-Rei - cidade dos hinos e dos sinos...
Sebastião Milagre registra sua visita a São João Del-Rei: “Ó Igrejas de ar sagrado/ E indústria de pulso ardente./ São João Del Rei do passado;/ São João Del Rei do presente. (MILAGRE, 1966, p.31) - Nesta noite tão bonita/ Alegra-nos uma cousa:/ A surpresa da visita/ Do poeta Lincoln de Sousa. (MILAGRE, 1966, p. 49) - O mundo em guerras falando/ Entre vivas à bravura;/ E, em Minas, poetas, cantando,/ Fazem trovas à Ternura./ (MILAGRE, 1966, p. 55) - Quando penso neste Santo/ Que foi Francisco de Assis,/ Mesmo pobre, por encanto,/ Sempre me sinto feliz.” (MILAGRE, 1966, p. 57)

UMA POSSÍVEL BIOGRAFIA “Tendo começado a escrever poesia em 1940, fui editar o primeiro livro vinte anos depois. (...) Passei por todas as tendências literárias, mas nunca me apeguei a nenhuma. (...) Quero encerrar o ciclo das minhas edições nessa área. (...) Assim, dou por encerrada a minha contribuição à poesia divinopolitana. É um modesto legado, mas que foi feito com carinho.” (MILAGRE, 1987, p. 11)

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“Feliz aniversário” de Divinópolis em 1947: Deus te faça soberana, A sonhadora sultana De toda Minas Gerais. Pra isso é que trabalhamos, Aos filhos recomendamos E o fizeram nossos pais. (MILAGRE, 1986, p. 47 e 48)

Anexo 04 _  CRÔNICAS DE SEBATIÃO BEMFICA MILAGRE
A minha máquina de escrever, de S. B. Milagre, no carnaval de 1962
Crônica inédita
“A minha máquina de escrever”, manuscrito em letra datilografada vermelha de S. Milagre, em 1962, disponível no Arquivo de Maria do Carmo Mendes. Minha é modo de falar. Ela é do Estado e foi fornecida pela Secretaria de Segurança Pública, para servir no meu cartório. Meu, também, é o modo de dizer. Ele é da Delegacia de Polícia, e eu, seu operário atual. (...) Joaquim Rosendo trouxe uma nova máquina, Remington, nº BJ – 4.116.407, no carnaval de 1962. A antiga Continental foi para cima do armário de aço, que parece o meu vetusto relógio de vinte anos atrás. As pessoas perceberam a substituição. Algumas dizem que até que fim. Eu digo que fale mais baixo, porque a outra está ali (...) e a nova poderá imaginar o dia em que dele tiverem opinião idêntica, no futuro, e se desconcertar no seu dever de agora. (...) E, há, afinal, os passadistas, que, frente a frente, com a nova máquina, manifestam seu receio de que não seja como a outra, pois tudo o que é fabricado no momento, apresenta as mais contundentes deficiências. Como variam as opiniões. Como as pessoas pensam de mil maneiras. Um dia, chegará a minha vez de ser substituído. Caso igualzinho ao das máquinas. Ao que estiver ocupando o meu lugar, virão pessoas que agora atendo. Dir-lhe-ão que o seu antecessor era muito nervoso e já estava precisando de descanso; dirão ainda que eu era um bom funcionário, e, finalmente, outros terão coragem de se referir, desairosamente, à minha pessoa. Quero ser como a minha velha máquina de escrever. Ela me dá uma enorme e sábia lição, a de silenciar ante as mais diversas opiniões que formulam sobre o que foi na vida. “Ano 2012”, crônica de Sebastião Bemfica Milagre, publicada no Jornal “A Semana”, edição nº 19, ano XIX, 1.º de jun. de 1962, disponível no arquivo de A. Lopes Correa. Daqui a dez lustros Divinópolis comemorará o centésimo aniversário de emancipação político-administrativa. Será em pleno século XXI, e este, que redige estas linhas, se fosse vivo – Cruz, credo! –, estaria com 88 anos de idade. Já aos meus filhos não será difícil chegar a dia tão futuramente remoto. Se estiverem vivos, hão de ver cruzando pelas nossas ruas os mais incríveis veículos movidos a energia nuclear ou outra que ainda desconhecemos. Naquele ano 2012, concebe-se que esta cidade tenha uma população de trezentos mil habitantes. Quem morar perto da Escola Vocacional São Francisco de Assis (1) estará morando em pleno centro urbano. A indústria continuará a ser a mola real do progresso citadino. O logradouro onde se acha a Catedral será de uma beleza maravilhosa. Antônio Olímpio de Moraes estará sendo recriminado por haver idealizado tão estreitas a nossa hoje tão largas vias públicas. Melhoramentos e progressos de ordem material, cultural e espiritual, que não podemos imaginar, farão, então, desta terra uma das maiores metrópoles do país, oferecendo excelentes requisitos de conforto e bem-estar. Por isso, nós, que vivemos agora, no cinquentenário, arcamos com uma séria responsabilidade. Impõe-se-nos um dever: o da construção de uma cidade grande em tudo. Ninguém tenha receio de inverter aqui as próprias economias ou fortuna, porque a recompensa há de ser a mais pródiga e de uma largueza sem precedentes nesta região do estado. Vamos olhar para a figura de Antônio Olímpio, seguindo e até mesmo ampliando as diretrizes que ele traçou para esta terra. Vamos levantar prédios, abrir rua e escolas primárias; vamos fundar mais ginásios e colégios, mais jornais e bibliotecas; vamos cuidar de dotar a cidade de escolas superiores e de museu; vamos fundar novos bairros e loteamentos; vamos incentivar a cultura mediante a frequência à leitura e às conferências; vamos tratar do aprimoramento do nosso teatro e erguer para ele um prédio próprio; vamos criar novos ramos de indústria e de comércio, publicar mais livros, abrir estradas, escrever a nossa verdadeira história; vamos fundar um Instituto Musical, incrementar a pecuária e a lavoura; vamos instalar laboratórios químicos e erguer casas de saúde. Vamos todos, sem nenhuma distinção, sem esmorecimento. Vamos todos unidos. Cada uma das atividades acima será uma fonte de riqueza. Só assim seremos dignos do presente e do futuro. Vamos construir e consolidar uma civilização baseada no trabalho e na dignidade humana. Não nos cabe deixar por terra os incentivos que herdamos. Antes, os havemos de transmitir aprimorados às gerações vindouras. Aos que viverem no ano 2012 vamos legar um patrimônio sólido, pôr-lhes nas mãos o óbulo do nosso trabalho, do nosso dever cumprido. Vamos pedir-lhes que nos perdoem pelos erros que porventura praticarmos, erros que – tenho certeza – procuraremos evitar, mas que, se houver, serão, de certo, não por consciência, assim como hoje sabemos perdoar àqueles que mutilaram, por exemplo, a Praça dos Três Poderes, que Antônio Olímpio quis que compreendesse a atual Praça Benedito Valadares e o quarteirão todo entre ela e a Avenida Independência (2). Aceitem os “centenaristas” divinopolitanos tudo aquilo que fizemos e que, de bom grado, lhes entregaremos. Só lhes pedimos que transmitam esta mensagem aos que viverem nesta cidade do Divino à época do sesquicentenário. Como podem perceber, é uma mensagem vazada em palavras simples, mas com a qual fielmente quisemos nos dirigir aos nossos conterrâneos, aos nossos compatrícios de amanhã. De amanhã, sim, porque daqui a cinquenta ou cem anos será um minuto nessa marcha para a eternidade. (1) Rua Goiás, número 1989, Bairro Santo Antônio, Divinópolis, MG. (2) Atual Avenida Antônio Olímpio de Moraes, Centro, Divinópolis, MG. Anexo 05 Este é o último prólogo, em Quartetos de Sopro (1991), de Sebastião Bemfica Milagre. ADEUS! Este é o meu último livro de trovas. Estou me despedindo. Desde que comecei a escrever nos idos de 1940, a trova sempre me acompanhou. Nunca deixei de cultivá-la. Nos anos da década de sessenta, quando esse gênero poético sacudiu todo o Brasil, com uma pujança nunca igualada por outro movimento literário, eu falei “presente”, editando “Toma cuidado, Menina”, “Pão de Sal” e “Pastilhas”, além de ter integrado o Grêmio Brasileiro de Trovadores e a União Brasileira de Trovadores através do numeroso núcleo local, que realizou, com inaudito sucesso, três etapas de Jogos Florais: data de então o meu conhecimento pessoal, com os maiores trovadores nacionais.  Mesmo depois do declínio das atividades trovadorescas, a trova não me abandonou, nem eu a ela. A prova é que editei, em 1985 e 1986, os volumes “Almanaque” e “Lápis de Cor”. É claro que, a par de perlustrar o mundo maravilhoso da trova, trabalhei as outras formas poéticas. Como posso provar com os vários livros que editei, desde o soneto até às mais avançadas realizações do espírito oficinal de modernidade. Acho que o poeta deve ser fiel a todas as manifestações literárias de sua época, não descurando, no entretempo, os modelos de criação válidas, principalmente aquelas que falam mais de perto ao povo e que pelo povo são preferidas. Valeu a pena. Nunca tive desejo de projetar-me fora de Divinópolis; aqui, pelo contrário, tenho feito o que posso em prol da literatura. Membro criador do lance trovadores e integrante do Movimento Literário Agora, dispersei-me com publicações em jornais e revistas e na fala radiofônica, sempre desinteressado de qualquer lucro. Digo, alegre, jamais vendi um livro meu. Agora, fecho a série de livros de trova. Sempre, no entanto, que me ocorrer oportunidade para fazer uma trova, não negarei a raça, porém, toda produção posterior ficará inédita. Tudo tem sua hora na vida. Agradeço aos trovadores divinopolenses aos de outras localidades do Brasil, o incentivo, o acolhimento e o carinho que me dispensaram. Ao público que me honrou lendo minhas trovas, minha comovida gratidão. Divinópolis, MG, em 1990. Anexo 06 - CARTAS Carta do Dr. Constantino Barbosa – mestre em direito Divinópolis, 08 de abri de 2011. Caro amigo José João, Em primeiro lugar, peço-lhe a caridade de dar-me por escusado em face da demora no atendimento ao seu pedido. Peço-lhe ainda desculpas porque entendo não ter os cabedais necessários ao cumprimento da empreitada que você lançou-me. Mas como sou dado a não fugir de compromissos vou tentar auxiliá-lo. Devo dizer que não sei muito a respeito do poeta Sebastião Bemfica Milagre. É certo que o conheci, pois quando iniciei carreira jurídica ele era o leiloeiro oficial da comarca. Portanto, via-o no ambiente forense. Mais tarde vim tomar ciência de que ele havia sido Escrivão de Polícia e que exercera outras atividades de natureza empresarial. Mas, desta ciência o que mais chamava a atenção era o fato de ser ele um homem dedicado a poesia. Com o passar dos anos e com um maior envolvimento em relação à cultura divinopolitana tomei conhecimento de que ele fora colaborador nos primeiros anos da nova vida do jornal A Semana onde escrevia na coluna, salvo engano, denominada Notícias da Cidade. Falando no A Semana é preciso dizer que um dos filhos do poeta – Weber – era estudante universitário em Belo Horizonte, com a maioria dos jovens de sua época também publicava alguns poemas e outros escritos (de natureza científica posto que ligadas ao seu curso, salvo engano de Engenharia). Vim depois a saber que ele ficara viúvo e que estava namorando uma senhora que trabalhava no comércio divinopolitano (sua segunda esposa era colega de uma minha colega de Grupo de Jovens e vizinha de minha namorada, hoje minha esposa.). Não tenho lembrança da data, nem das circunstâncias de sua morte. Anos depois tive, entre meus alunos na antiga FADOM, o Paulo Milagre que tomou o lugar do pai na função de leiloeiro. O Paulo, ligado a poesia certo dia presenteou-me com um livro contento seus poemas e que editara às suas expensas. Portanto, você pode aquilatar que o meu conhecimento sobre o poeta Sebastião Milagre é pouco. No entanto, mesmo sendo assim, acho que duas situações devem ser destacadas em relação a sua pessoa. A primeira diz respeito a sua formação educacional. Sabe-se que Sebastião Bemfica Milagre não frequentou curso superior de Letras e, deste modo, não seria de todo incorreto afirmar que ele desconhecia, do ponto de vista da ciência, o que seriam “versos decassílabos”, ou que poderia ser a “métrica”. No entanto, sua poesia é uma obra de boa aparência literária. Se assim não fosse como explicar o interesse de Pedro Pires Bessa e o seu, em estudá-lo? Vejo, quanto a esse aspecto, o quanto a educação no passado era levada mais a sério. Homens como ele, que tiveram a oportunidade de frequentar uma escola do quilate de um Colégio Arnaldo, faziam uma “quase Faculdade”. Ainda aqui, cito o caso de minha sogra, que completou o antigo Curso Normal em afamado Colégio de Montes Claros, onde aprendeu inclusive a língua francesa. Cito ainda o caso de meu pai. Embora aluno preguiçoso, que a duras penas “tirou o diploma de grupo”, com nota um pouco acima da média (seu diploma que guardo comigo tem escrito a seguinte expressão “aprovado com simplesmente 6,0”, era um homem que lia muito e, por isso, escrevia razoavelmente bem. Havia mais interesse nos alunos e nos mestres. A educação era algo que estava ligado à vida. Hoje se mercantilizou de tal forma que, na realidade “virou uma bagunça”. E, para piorar a situação, as autoridades constituídas elegeram a escola como “verdadeira oficina de reparos”, ou seja, se o aluno tem “defeito” em casa, o melhor lugar para “consertá-lo” é a Escola. Como dizem os latinos: o temporã, o mores. (Aos tempos, os costumes.) A segunda está ligada a vida profissional de Sebastião Milagre. Ele foi durante muitos anos Escrivão de Polícia. Foi Escrivão num tempo em que o suspeito apanhava para confessar e depois apanhava porque havia confessado. Vivia, portanto, num ambiente violento, verdadeiro desaguadouro das mazelas da sociedade. E, no entanto, não se embruteceu. Esse é um aspecto interessante da poesia. Não conheço, nem de ouvir, nenhum poeta que tenha sido um bruto, mas conheço alguns que foram embrutecidos, como é o caso de Geraldo Vandré e Victor Jara, a quem particularmente considero muito mais poetas do que propriamente escritores.80 A poesia traz ao homem um aspecto de serenidade, de tranqüilidade, de paz, sensibilidade. E, ao ler os poemas de Sebastião Milagre, tudo isso pode ser encontrado. No pequeno esboço biográfico que Mauro Corgozinho Raposo e Mercemiro Oliveira Silva fazem do Poeta em Dicionário dos Construtores da História de Divinópolis, encontra-se registro de que, prevendo a morte, o poeta teria recitado trechos de um poema de sua autoria denominado Enterro bonito é a pé. Ora, isso é sensibilidade até na hora da morte. E convenhamos, o poeta tinha mesmo razão. Até neste aspecto, sem ser saudosista – mesmo porque acho que não tenho ainda idade para saudosismo – nossa sociedade atual é pior, pois um “enterro de carro” destrói bastante a sensibilidade dos que sofrem a perda e dos que tentam consolar os perdedores. Espero ter podido atingir o objetivo que você esperava. Como disse, a falta de maior conhecimento sobre a vida do poeta impede-me de emitir um juízo mais alongado. Isso não me impede de dizer que o considero um grande homem, um divinopolitano que soube honrar a sua terra natal. Com um abraço, meus respeitos e votos de sucesso na sua empreitada para concluir o Mestrado (só quem passou por essa luta, sabe aquilatar o quanto ela é dura). Constantino Barbosa Advogado. Professor Universitário. Pós-graduado e Mestre em Direito. P.S.: Tenha a total liberdade para utilizar esses meus “comentários”. Só lhe peço o favor de corrigir-me quanto às agressões ao vernáculo e à gramática.

Carta de Domingos Diniz - (Correio de BH: 10/03/09) - a João Bosco - 09/03.09
Prezado professor e escritor José João Bosco Pereira.
Preliminarmente, cumprimento-o pela escolha do poeta Sebastião Bemfica Milagre como tema de sua dissertação de Mestrado.
Já que é praxe escolher autores consagrados, de nomeada nacional. Você foi buscar num divinopolitano, que nunca se fez ausente de sua cidade, o material para seu trabalho.
Parabéns. Valoriza-se o poeta da terra, local. Ressalte-se que este poeta estudado, antes de mais nada, tem valor literário.
É poeta e não versejador. Versejador há muitos. Poetas, pouquíssimos. São os iluminados.
Os que iluminam. São estrelas e não planetas. Sebastião Milagre continua vivo em seus versos, em sua poesia, em seus livros, na memória de quantos o leem. Infelizmente não lhe posso dar um estudo crítico ou mesmo um depoimento sobre obra e autor em questão.
Primeiro (ou único), por faltar-me competência para tal mister. Não é falsa modéstia.
É sinceridade. Segundo, precisaria eu de reler toda a obra do autor para tentar fazer inferência. Por último, estou aqui às voltas em fechar a edição de um livro, em cujo projeto trabalho há cinco anos. Trata-se de um álbum de fotografias dos vapores do São Francisco acompanhas de textos sobre o rio, sua gente, a navegação, os vapores e a fala dos vapozeiros. Já estou no final de redação e de revisão. Posso dizer que Sebastião Bemfica Milagre é um poeta que conhece o material de sua poesia: a língua portuguesa. Domina-a. Brinca com as palavras, conhecia-as em seus valores conotativos.Ele tinha consciência de que poesia é expressão e que tudo por ela sacrifica. Sebastião para construir a escultura de sua poesia, antes mergulhava nos encantos dos mistérios
 80 Leia-se: “compositores”.  semânticos de cada palavra. Poesia não se define. Sente-se.
Tive a ventura de conviver com Sebastião Bemfica Milagre. Construímos sólida amizade. Era de uma sensibilidade aguda para todas as artes. Especialmente a poesia e a música. Aliás, ambas são primas carnais. Tinha um grande conhecimento de música erudita. Arrebatava-se diante de uma sinfonia, diante de concerto, diante de uma sonata. Era músico também. Tocava violão muito bem. Gostava das modinhas, de um bom samba. Nos anos 70, quando cheguei a Divinópolis, não se falava “som” como hoje. Era eletrola. Sebastião possuía uma eletrola de último modelo. Alta fidelidade. Então, íamos os amigos (Sêo Jacinto Guimarães, Cecília Guimarães, Aristides Salgado) ouvir música na casa do Tião, Antes, ele falava sobre a obra a ser ouvida e do respectivo autor. Ouvi-se a música em profundo silêncio.
À meia luz. Mergulhávamo-nos no profundo mundo da música. Como o da poesia, cheio de mistérios. Terminada a peça musical, cada um emitia comentários. No final, servia-se um cafezinho com biscoito. Agradabilíssima noite de música. Sebastião também passeava com a mesma desenvoltura pela arte plástica, pelo teatro. Lia muito. De tudo. Especialmente poesia. Quando à noite de poesia, não fui eu o criador. A ideia, me parece, estou certo. Foi de Sebastião Bemfica Milagre. Coube-me apenas executá-la como presidente da FUNC. Graças a Deus, a Noite da Poesia está viva até hoje. Que mais posso dizer-lhes? Não sei se você conhece o professor Adércio Simões Franco. Ele foi professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira no Inesp. Foi meu professor. Ele poderá dar-lhe ótima contribuição sobre o nosso mestre Tião Milagre. Caso não tenha, eis o endereço dele: Rua da Bahia, 274/401. Centro, aí em Divinópolis. Fone: 3221.8202.
 Aqui, sempre às suas ordens. Quando vier a Belo Horizonte, avise-me e venha ao rancho da Rua do Ouro, 733/301. É um prazer recebê-lo. Vamos conversar. Trocar ideias. Continuo contra a transposição das águas do São Francisco. Não há água, os agronegócios beberam todas e mijam pedra e vomitam lama.
Atenciosamente, Domingos Diniz
Rua do Ouro, 733/301. Serra: CEP: 30220-000 – BH/ MG.

Anexo 07 – Inédito Haicais inéditos a nove professoras, em Arquivo de Maria do Carmo Mendes.
Sebastião Bemfica Milagre, em 09/09/1991. Ana Maria, o teu nome/ é duplamente de santa:/ assim, duplamente, encanta./ Lenirce, com sua calma/ e seu capricho, é lição:/ faz tudo com perfeição./ Sandra, demais esforçada,/ terá a vida/ de triunfos pontilhada. O esposo é veterinário/ e de Alegria é vizinha;/ sabem seu nome? É Cidinha. Kenya, em África, é país;/ Kenya, aqui, é professora;/ - seu aluno, sou feliz. Fátima lembra MARIA/ em terras de Portugal:/ - embaixatriz da Alegria. Diva é “deusa”/ além de ser professora,/ é do aluno protetora. No pré-primário, a Rosana/ tem a mais linda experiência:/ trabalha com a inocência. Bernadete, professora;/ Bernadete, “pastorinha”;/ uma da outra se avizinha
OBS.: Talvez, Milagre fez pouquíssimos haicais em vida.
Aparecem apenas dois em Doador de sangue (1990, p. 94).

Anexo 08 – Poemas publicados
“Vou-me embora” pra Itauna, de Sebastião Bemfica Milagre, em O Viaduto das Almas (1986)
“Vou-me embora pra Itaúna. Lá, tem político forte. Lá, tem homem de prestígio Que sabe como consegue Coisas grandes do Governo. (...) Aqui, na minha querida Divinópolis é “funcho”. Todos trabalham, trabalham/ meio às tontas, com denodo, mas não pensam que, com jeito, o Governo dá asfalto/ dá muito do que se peça/ para implantar o progresso. // (...) Eu nunca tinha pensado em deixar minha cidade; aqui, é simples o povo; aqui, tem muito trabalho, e tem muita liberdade; são não tem, pobre cidade, não tem político forte.// (....) Divinópolis – seremos / um Distrito de Itaúna. // (...) Só assim é que teremos/ mais estradas asfaltadas/ escola, universidade, dinheiro para progresso/ mais progresso...” (MILAGRE, 1986, p.19)
Em O Viaduto das Almas (1986, p. 36-39), de Sebastião Bemfica Milagre A vida é hoje para mim um mapa-múndi que estudei que compreendi (sem compreender) no corre-corrre. (...) Não há hemisférios Não há oceanos Não há desertos Não há países. (...) sedento bebi nas fontes em surdina. (...) A música dos mestres me extasiou; Apurei mentiras do meu semelhante; (...) Tive medo de chamar o mundo Para jantar comigo. (...) Passei de tudo na vida Corri o mapa-múndi (...) Estou velho aos parenta A vida parece mesmo Com o retrato escalavrado De Augusto dos Anjos E nada me prende, E não surge No horizonte das águas, Uma ilha nova De palmeiras recurvas De praias mais brancas De doces trigais me acenando, me acenando.
Divinópolis _ em A Igreja de João XXIII (1986, p. 45-46), de Sebastião Bemfica Milagre.
Divinópolis Cidade fulge
Na industriaria Cidade funde Siderurgia
Cidade surge Surge
e exsurge Na estudoria;
Mas engatinha
No alto Laginha Cidade Malho
Trabalhoria
Tarefa calo Comercioria Beleza salta Na praçaria;
Cidade-não De pé no chão No catalão.
Cidade-novo De povo novo Sem bitolia,
Povo que a sorvo Não admite Paternaria
Do próprio esforço;
 Sozinhamplia Transformaria;
Mas da pobreza Geme a dureza.
Cidade forte Aspira muito
Celebra a arte
No amanhã-dia, Já sem Laginha
Que engatinha, Sem catalão De pé no chão. 1970
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“Meu sobrado”: um ícone da tradição em Divinópolis!
Eu era um menino (...) triste?/ não sei, mas contemplativo (...) // Morava no meu sobrado/ na esquina de independência/ (agora Oswaldo Machado)/ com Rua Itapecerica;/ fora, ali, talvez, gerado, / ali, ao fundo fui dado. (MILAGRE, 1986, p. 91-92)
Pouco acima do sobrado/ era a Praça do Rosário/ (hoje Praça do Mercado),/ com sua velha igrejinha/ aonde o Raimundo da Carmen/ e o Totônio/ Machado/ iam tocar violino,/ semelhando mais fantasmas/ nas horas tardes da noite./ uns diziam que as mulheres,/ pela música atraídas,/ olhavam na fechadura/ da grossa porta,/ e, sensacionais, contavam/ que eram os santos/ que tocavam. (MILAGRE, 1986, p. 92)
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2 Anexo 09 “Nota Oficial”, de Osvaldo André de Mello, Jornal Agora, 1º/Maio/1968.
A POÉTICA DE SEBASTIÃO MILAGRE: ENTRE O LOCAL E O GLOBAL
“Tudo era tão difícil e tão bom. (...)
o passado jamais acaba, é guardado pelas palavras.
Além de homens, somos palavras e versos (...).
 Vivemos eternamente em cada verso,
na interrogação sobre esse mundo demente...” (OLIVEIRA 1990, p. 2)
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13/02/2018 - traços neossimbolistas e parnasianos em SOZINHO NO MUNDO - OBRA DE SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE. J B PEREIRA

FONTE: https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/6253041
Basta percorrer os sonetos milagreanos da obra SOZINHO NO MUNDO
PARA PERCEBER de per si os traços neossimbolistas
em DILÚVIO CELESTE E SONHADOR, das páginas 90 e 91.

Observações pertinentes para deduzir essa ensaio literário são:
- vocabulário específico do simbolismo brasileiro;
- insinuações de imagens;
-abordagens temáticas compatíveis com o simbolismo;
- uso formal do soneto como via clássica de transmissão da tradição simbolista.
- recursos linguísticos típicos de Cruz e Souza claridade, obscuridades, cadentes estrelas, pálidos, almas tortas, etc.

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sebastião bemfica milagre: um lírico da modernidade em ... - UFSJ
https://www.ufsj.edu.br/.../A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf
22 de maio de 2009 - Palavras-chave: Sebastião Bemfica Milagre, Memória, Modernidade, Arquivos da memória coletiva ...... 23 Da leitura de Paulicéia desvairada e “Noturno”, Milagre compilou “Sozinho na multidão” de O. Viaduto das ...... “Revelação de Deus”, “Dilúvio Celeste”, “Contribuição” em sonetos de. Sozinho na ...

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https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/mestletras/A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf

REFERÊNCIA SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE: MEMÓRIA COLETIVA EM DIVINÓPOLIS PÁGI NA AN O
Sozinho na multidão (1979), Divinópolis. Esse livro datilografado é oferecido à segunda esposa, Maria do Carmo Mendes, Cacau e tem poemas de 1940 e 1970. 1-117 1940 - 1979

https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/mestletras/A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf

Sozinho na multidão (1979), em tons moralizantes, evidencia a solidão e a melancolia do poeta, que coincidem com o mundo moderno. O poeta publica seus poemas dos anos 1940, consolidando sua posição conservadora em sonetos e poucos poemas de versos livres. A temática remete-nos à tradição clássica.
No plano da poesia, se misturam os planos da memória reconstruída agora e o destino transcendente que ousarmos desejar, sonhar, projetar no fim dos tempos, do nosso tempo presente. A esperança irrompe do olhar do poeta entre o viver e o fim, a morte desejada que chegará finalmente.
OBRA DIVISÃO DA OBRA E TEMÁTICA PÁGINA Capa da obra Rosângela Alves Vieira Milagre 13 Soneto epígrafe da obra: Esperança e fé, 1949.
Essas virtudes teologais nos ajudam a suportar o peso da vida e do mundo. 1 Lista de obras e antologias Obras poéticas publicadas pelo autor e antologias 5 Nota explicativa do autor O autor diz serem as mais antigas poesias, antes extraviadas; não consumidas ao fogo. Cem exemplares publicados. 7 Oferta à Maria do Carmo Mendes Oferta à minha esposa Maria do Carmo Mendes Milagre 9 À memória de Ana Álvares da Silva e Antônio Silva Sobrinho Edições ADL – O poeta faz oportunamente um memento aos mortos e a memória dos que passam, em especial, os seus familiares. Aí, nas páginas da obra, o arquivo da memória se torna uma espécie de Epitácio e jazigo da família para a posteridade. 11 Outra epígrafe (bíblica) “No meio de vós está quem vós não conheceis.” (João 1, 26) 13 Advertência O soneto adverte do “grito universal” dos dementes que se tornará terríveis gargalhadas e ironia. 15 O mistério da dor Indaga-se sobre o homem no mundo. (soneto) 17 Tese e antítese Dois sonetos antitéticos: aproximar-se de Deus no bem; negá-lo no mal. 19 Transcendentalismo Depois da tribulação, a ressurreição (soneto). 23 Desesperança O homem tudo perde quando deixa de amar e ter fé. 25 Agonia de artista Dedicado a Francisco Gontijo de Azevedo. A arte tem em seu nascedouro a ambiguidade da morte e da vida, do corpo e da alma. (soneto) 27 42 Dualismo A hipocrisia aumenta a dor dos que lutam pela justiça. (soneto) 29 A estátua Poema de versos irregulares, com poucas rimas. A estátua é a metáfora do homem sem coração, o artista o arquiteta estranhamente. 31 Cego A pior cegueira é a ingratidão e a indiferença. (soneto)
33 Soneto Ao Dr. Simão Salomé de Oliveira (falecido em 2009). O poeta contempla o mal e a condição mortal do homem para afirmar sua última rendição e a superação de tudo além. 35 Inscrição A Otaviano Caldas (soneto). O poeta contempla o nada do poeta da serra, ignorado, triste menestrel que suplica uma prece.
37 In extremis Soneto de março de 1942. O poeta é como a sombra sem rastro, intérprete da dor. 39 Soneto Em 30-5-1942, o poeta a partir de sua experiência de escrivão de polícia civil, consta duas condições do homem: o pobre infeliz que não teve um gesto de amor nesta vida e sucumbiu a um punhal; outro que teve um cruz menos pesada e uma vida tranquila. 41 Naufrágio do poeta Soneto ao jornalista, advogado e político poeta Ataliba Lago, de Além Paraíba, em 1942. Diante das injustiças, o poeta é um náufrago, vive suas crises, arrastado pela dinâmica da vida de asceta como “alma de palhaço e um coração de ferro” diante do cinismo. 43 Soneto a José Pereira. O poeta ainda insiste na marginalização do homem que busca seguir o bem; a incompreensão é exilá-lo como um Prometeu... 47 Vocação O soneto mostra a fuga ante a adversidade como rotina e sina, contraposta ao desejo do prazer que arrasta o coração ao mundo inteiro...
49 Ofertório Soneto a Virgem das Dores.
O poeta, em tons neobarrocos e neossimbolistas recorre a metáforas extremas do céu e da carne abjeta para oferecer-se com seus ‘crimes pela carne e estuosas paixões nesse degredo estulto, em sua condição maldita de ser homem”, a pura mae dos aflitos. 53 Centelha da Alma A alguém, qual “farol de espírito perfeito e sonho da alma’, que o poeta ama, o mesmo oferece seus versos como “pétalas perfumadas e pombas multicolores.” 55 O domador das ondas A Frei Metelo Greeve, elogiado como “reflexo de Deus”, o poeta metaforiza a boa alma como um “navio audaz” em alto mar, em “luta fragorosa e altiva não vacila mesmo diante da morte”. 57 Epitáfio de Sebastião Bemfica Milagre Em verso rimados em quartetos e dísticos, o poeta Milagre vislumbra o fim da mocidade e sonhos na sepultura; ou reconhece os atos de bondade que vão para além da túmulo. 59 O artista O soneto evidencia que o artista vive a contradição: é a “dor de todas criaturas e chora como a alma de todo mundo”. 61 Deserto Na solidão e no fim dos sonhos do poeta, sente-se “eterno peregrino” (metáfora de Santo Agostinho) e vive, pois, “a mágoa de ser homem’ e deseja “a dor de ser 63 43 divino”. Nihil Spiritualis À maneira de Augusto dos Anjos, o sonetista nos surpreende com meditação transcendental a partir das coisas mortas: o “nada, da vastidão do incognoscível; deseja, abaixo do “sólio constelado, à sombra do fanal voluto das moneras, ouvir a suave melodia ferida nos confins invioláveis da altura, ter o corpo incinerado’... 65 Deserção para o mundo da arte Soneto a Gentil Ursino Vale, de Resende Costa, MG, primeiro presidente da ADL, cronista, contista, sonetista, advogado em Divinópolis. O poeta proclama ‘a estranha paz do poeta” que encantou-se com a morte, viagem aos álamos celestiais qual “torre alvissareira, de amor perfeiro, contra o mundo terrivel e infernal carnificina” que ficou para trás. 67 Dor suprema Soneto de 7-2-942 é a meditação filosófica e metafísica, com elementos simbolistas cronológicos e cromáticos de quem passa pela vida a sofrer a “dor do pensamento’, sabendo-se mortal, vivendo como imortal em um “mundo de risos e sonho de tormento”. 69 Pátria santa Em maio de 1941, o poeta canta “a suavidade das noites formosas de Maria...”, teme contudo avizinhar-se a “Mágoa – irmã gêmea da Tristeza, capaz de “turvar a melodia em lira sacrossanta”. 71 Sombra O tema da mitologia e o lago Letes é a cena das almas espectrais em noites de lua em névoa e pranto sufocante, querem se lembrar de onde e para onde vão quando o mundo repousa de cansaço de seu dia... 73 Heroísmo O soneta atreve a dizer do heroísmo do poeta rejeitado e marginalizado que de viva voz e força grita um protesto ao mundo de venturas e prazeres, sem invejar as adversidades. Para ele, tudo é ilusão! 75 O homem do mal O soneto descreve o desejo de mudança no que pratica a injustiça, pode ser tarde demais... 77 Fantasma O soneto proclama que o diferente na prática do bem se torna um estranho no ninho, visto como “o mais absurdo e tenebroso duende”. 79 Viático Soneto a Edson Pinto Coelho. Diante da provação e na queda, Cristo vem em socorro do coração em anelos de fé. 81 Soneto Diante da fragilidade da justiça humana, o poeta desencantado com o ‘Saara de Abrolhos’, busca o degredo, ao ver a “ambição sem fundo’... 83 Revelação de Deus Soneto a J. Batista de Oliveira. A contradição impera do poder, enquanto cabe aos subjugados a coragem da resistência ao mal e a consciência do bem... 85 Estrelas Soneto a Carlos Alvito, o Patativa do Centro-oeste mineiro, falecido em 2008. O poeta destaca o brilho dos que incomodam por fazer o bem diante do mundo mesquinho. 87 Dilúvio celeste O soneto exulta uma evasão de almas na terra, dentre eles algumas magoadas pela exílio divino. 89 Sonhador O soneto, simbolicamente, coloca o poeta como uma “lúcida alma” diante da tristeza e obscuridade do “mundo-arena”. 91 44 Paraíso perdido O soneto lamenta o fim do que era agraciado pela sorte, quis consorte indigna e “a presa da carne humana.” Ascenção Soneto a José Coutinho. Parece que o poeta como homem desafia seus limites para uma realização cada vez maior. Há de escolher ser grande como o sol, como homem, contudo está ainda sujeito a falhar, a errar... Talvez é a transcendentalização do homem a superar-se na morte e vencer o mal. 95 Eterização Dois sonetos tem um tom simbolista de tristeza de ser divino mergulhado na mortalidade e ter sonhado com o celestial quinhão dos anjos e da mãe santa, sabendo-se filho da altura e preso nesse nível austral. 99 Os vendilhões do templo Versos irregulares com rima bem fluida, que adverte a alma, em corpo-templo, a expulsar as tentações e corruções da mente humana, com a oração, coragem, serenidade e o sumo Bem. 101 A ida de Alfa Soneto em que contempla a estrela de sua vida inteira, talvez um amor, uma mulher, feita em anjo em langor, ascendeu entre lira e astros como em “sonho límpido”. 103 Contribuição Poema de versos irregulares e com rimas lamenta que há gente pelo mundo não ativa em paz e capaz de realizar um diferencial: corrigir o próximo em erro, trabalhar pela justiça, mover-lhe não apenas o defeito da vaidade, mas ajudar alguém em verdade. 105 Alma virgem Soneto espiritual de 2-1943 reconhece as boas almas que não se contaminaram com o mal, foram “orquídea branca em círculo triunfante, flor num claro alado para os braços do mármor(e) do infinito”. 107 Capitulação Poema irregular e rimado, é um dos mais lindos, inclusive publicado em Caça-Palavras de Antônio Lopes, do grupo Barkaça. O poema começa com um dístico, seguidos de duas estrofes de oito versos cada uma, que, numa visão de vida e de morte, o poeta vê toda sorte do mundo: “o tumulto profundo e o vagido infernal, onde os homens estão a matar e a morrer...” 109 Hino à Mentira Soneto, com diálogos com Shakespeare, Dante e Nietzsche que se prolonga em vários tercetos em 3 páginas. Trata-se da prosopopeia, em elaboração simbolista e metafísica, em que a centralidade da Mentira – “flor venenosa”- evidencia uma ironia do poeta como a “macabra noite de incerteza ou negra verdade da trágica existência”, ilude o homem que vê o inferno – “máscara da virtude” - como se fosse o simulacro do bem e do belo. “Na mentira, não existo, sou apenas mentira!” 111-117

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(PEREIRA, 2011, p. 44)

NEOLOGISMOS MILAGREANOS
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“perene/indene, ser-se/ ter-se, minh’alma/calma, baloiçar/mar, impoluto/bruto, corruscante/ causticante, moneras/ esferas, encontrarás/paz, altruísmo/ paraxismo, iluminura/ alvura, protegê-las/estrelas, injusta/locusta, domem/homem, espanejar/luar, bemóis, rouxinóis, fugace/face” em Sozinho na multidão (1979, p. 35, 43,55, 57, 59, 63, 65, 67,79, 81, 93, 95,97, 99, 103)
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(PEREIRA, 2011, p. 105)

DIÁLOGOS INTERTEXTUAIS MILAGREANOS
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. Shakespeare e Nietsche: “Hino à mentira” (à contingência humana) em Sozinho na multidão (1979, p. 113, 115) 4. Dante Alighieri em poemas sobre purgatório e inferno em “Heroísmo”, “O homem do mal” em Sozinho na multidão (1979, p. 75); “O mundo em que vivemos” em O homem e a caixa preta (1982) 5. Edgar Allan Poe – “meu corvo-dia” (The Raven), “efígie de Lilia”, Soneto à moda do meu atual restaurante”, “Canto triacanto para a mansão dos mortos-vivos” em O mundo mundo-outro, v. 1, (1976, p. 46, 47, 51, 55); “Paraíso perdido” Poema a Virgem Maria em Sozinho na multidão (1979, p. 93) e “L”, “À Virgem Mãe” e “Consolação” em Mar, todas as águas te procuram (1962, p. 225, 232 e 234); “Lamento’ sobre a perda precoce da mulher amada (Annabel Lee e Lilia) em O Doador de sangue (1990, p. 121); “Retorno”, “Meu ciclo de barro”, Não sou” (neogoticismo e a cidade como loci horrendus) em O homem agioso (1990, p. 776, 77, 79-80)

Bíblia: gênero parábola: “História de minha mãe” como narrativa benjaminiana em verso; “Riqueza merecida”, Gomos da lua (1963, p. 64) ;Pai Nosso”, Jó no ‘Ato de aceitação” e “O arrependimento”; Jeremias em “Lamento”, “Inédito”; João 1, 26 em epigrafe, “Os vendilhões do templo” Sozinho na Multidão (1979, 13, 101); Mateus 19, 8 no Sidilirismo em O Doador de Sangue (1990, p. 13, 81, 97, 119, 121), “Meu Deus! por que me abandonaste?”, São Paulo Apóstolo em “Não o espinho na carne”, “O vencedor sem vitória’ (Meu Deus, transforme numa pedra qualquer perdida nos ermos” em Procissão da soledade (1990, p. 130, 131); Gênesis 1,26 em “Variações em torno de um tema bíblico” de 1980 em O homem agioso (1986, p. 82); “A vida e sobrevida” em O homem e a caixa preta (1982, p. 23); “Pacto” contra o mundo (i) mundo, “memento dos mortos e dos vivos, 107 geenas” em Lixo atômico (1987, p. 33, 37).

10. Religiosidade/ tradição: sonetos das estações em Via-Sacra (1961); “Agosto- 1960” “versos” a Frei Benvindo Destéfani, “versões” (Da Imitação de Cristo), “Caridade”, “Riqueza merecida”, “Testemunho”, “Mandamento”, “A verdadeira esmola” em Gomos da Lua (1963, p. 62, 84, ); “poema-pedida” (a Nª Srª da Guia), “Último etágio” em O mundo, mundo-outro, v. 1 (1976, p. 53, 59)“Inscrição, In extremis, Ofertório à virgem das Dores, Domador das Ondas, Nihil spiritualis, “Viático”, “Revelação de Deus”, “Dilúvio Celeste”, “Contribuição” em sonetos de Sozinho na multidão (1979, p. 37, 39, 53, 55, 57, 65, 81, 85, 89, 105); “Louvor a vós, ó Cristo”, “Meu sobrado”, “A noite da poesia” (a escada de Jacó, anjas, túnicas seráficas, céu, vates da cidade, santos), “A confiosa busca” em Procissão da soledade (1990, p. 47, 49, 55, 144); “holocusto/missa” em Lixo atômico (1987, p. 37); “é morrendo que se vive para a vida eterna/terna; quem morre já se pertence” em O homem agioso (1990, p. 78)

. Mitologia: “Eis aí a mulher” em O Doador de sangue (1990, p. 91) e o tema das ninfas e no romantismo como mulheres brancas como a sereia; o mito de Ícaro em “Ascensão” em Sozinho na multidão (1990, p. 95)

. Olavo Bilac em “Pátria Santa” (de 1941) em Sozinho na multidão (1979, p. 71); “Signo”, “Divinópolis” em Gomos da lua (1963, p. 63, 69)

. Parnasianismo e Simbolismo: “Sombras”, “Fantasmas”, “Soneto” (os olhos da alma), “Sonhador”, “A ida de Alfa”, “Alma virgem” em Sozinho na multidão (1979, p. 73, 79, 83, 91, 103, 107)

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(MILAGRE, 2011, p. 107)
NEOSSIMBOLISMO EM MILAGRE no soneto DILÚBIO CELESTE. P. 89. Sozinho no mundo. (acrescentei em 13/02/2018)
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Augusto dos Anjos: a melancolia e poemas da cripta e do cemitério em várias obras do poeta e em suas reflexões sobre a morte em vários poemas como: (...) ”Nihil spiritualis” “Dor suprema”, 108 “Capitulação” em Sozinho na multidão (1979, p. 65, 69, 109); “Lixo atômico” (1987, p. 38)
. Cecília Meireles: “Opaco” em Procissão da soledade (1990, p. 138); “Estrelas”, “Eterização” em Sozinho na multidão (1990, p. 87, 97); “o justo” (espelho) em Lixo atômico (1987, p. 26)
Poetas de Minas Gerais, frades franciscanos e escritores de Divinópolis: Carlos Altivo, Gentil U. Vale, Edith Silva, Aparecida Nogueira, Jadir Vilela de Souza, Ataliba Lago, Dom Belchior Joaquim Neto, Dr. Joaquim Coelho Filho (Dr. Quito), Lindolfo Fagundes, Celeste Brandão, Otaviano Caldas, José Maria Campos, Rui Mourão, Ester Lúcia Milagre em Via-Sacra (1961) e Mar, todas as águas te procuram (1962); Augusto de Lima Júnior, Braz Megale, João Vicente Filho, Clemente Medrado, Marcio Machado, Antônio Weber, Viváldi Moreira, João Dornas Filho, João Etienne Filho, Pe. Alfonso Raaes (Vaticano), Bento Ernesto Júnior (Itapecerica) em Gomos da Lua (1963); Lázaro Barreto, Regina Martins, Canavarro Gontijo, Fernando Teixeira em Gritos (1972); Dr. Simão Salómé de Oliveira, Francisco Gontijo de Azevedo, José Coutinho, Edson P. Coelho, Frei Metelo, Dr. Américo Cirilo, José Pereira em Sozinho na multidão (1979); Nilo Maciel, Frei Miguel, Frei Respécio, Frei Metelo Greeve, Dr. Luiz Mourão Ratton, Dr. Geraldo Guimarães, Jeanne Coelho, Eduardo Coelho, Anatônio Botelho, Antônio de Oliveira, Célio Paduani, José Lúcio Alves, Pe. R. Bechelaine, Paulo de Mello Freitas em A Igreja de João XXIII (1986); Heleno Azevedo, em Lixo atômico (1987); GTO, Bax, Adélia, Wellington de Oliveira, Pe. Evaristo, Dom José Belvino, Maria do Carmo Mendes, filhos e netos de Mialgre, Heleno de Azevedo, dieter Grabe, pais de Lilia, José Rodrigues Lopes (irmão Lopes d Irmandade João de Deus), Geraldo Moreira, Raul de Leoni, Mauro 110 Eustáquio Ferreira, Manuel Gonçalves, Augusto Fidelis, Geraldo de Oliveira Freitas (o Didi), José de Arimathéa Mourão em O Doador de Sangue (1990); Aparecío Fernandes em Quartetos de Sopro (1991); José Afrânio Moreira Duarte, Cacau, Pe. Evaristo, Mercemiro Silva em Lixo atômico (1987, p. 43), poemas do Movimento Literário Agora em O mundo, mundo-outro, v. 1, (1976); Prof. Adércio Simões Franco e seu Coral Excelsior em O mundo, mundo-outro, v. 2, (1976, p. 58); Domingos Diniz em O mundo e o terceiro mundo (1981) e em “Quiromancia” de O homem agioso (1986, p. 58)

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(MILAGRE, 2011, p. 110)

“Tendo começado a escrever poesia em 1940, fui editar o primeiro livro vinte anos depois. (...) Passei por todas as tendências literárias, mas nunca me apeguei a nenhuma. (...) Quero encerrar o ciclo das minhas edições nessa área. (...) Assim, dou por encerrada a minha contribuição à poesia divinopolitana. É um modesto legado, mas que foi feito com carinho.” (MILAGRE, 1987, p. 11)

Esses estão como slides dos poemas em Mundo, mundo-outro, no segundo volume (1976), depois alguns foram datilografados em Sozinho na multidão (1979) e outros, mais antigos, os mimeografados serviram para constituir Arquivos – poemas (1987). (PEREIRA, 2011, p. 104)


Sobre as feições da sociedade do espetáculo em Sozinho na multidão (1980),

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(PEREIRA, 2011, p. 39)

Em Almanaque (1985), Milagre aponta a escrita de si como o outro – “alter ego” – fala em si; ou implica a fala sobre o outro: “Muitas trovas e poesias referem-se a mim, outras, a acontecimentos. Foram resguardados nomes. (...) Desta forma, procurei manter a característica do poeta, que ora fala de si e por si, ora de outrem e por outrem.” (MILAGRE, 1985, p. 5) Com quem Milagre dialoga? Para responder a essa indagação, deparamo-nos com vários poemas, sonetos cujos destinatários são os amigos de Milagre: Ataliba Lago, homenageado com o soneto “Naufrágio de Poesia” (MILAGRE, 1979, p. 43); Gentil 52 Na estrofe 2, Sebastião Milagre escreve os motivos da viagem a Poços de caldas e o acesso à cultura: “Quando a gente está viajando,/ As coisas ficam mais belas,/ Mais cultura se alcançando/ E da alma abrindo às janelas.” (MILAGRE, 1986, p. 32). E, sensível às questões de ecologia, ele afirma na Trova 18: “Rio das Antas, é urgente, despoluir as suas águas...” (1986, p. 36). E observa o verde de Poços de Caldas, assim: “O verde desta cidade/ É um verde sem proporções/ Que às almas dá claridade/ E otimismo aos corações...” (IDEM, 1986, p. 40) 77 Ursino Vale em “Deserção para o Mundo da Arte”, soneto (MILAGRE, 1979, p. 67); o soneto “Estrelas” a Carlos Altivo (MILAGRE, 1979, p. 87); “Paraíso Perdido”. Eles são poemas retirados de Sozinho na multidão (MILAGRE, 1979, p. 93). Por que homenagear amigos com sonetos? Porque, naqueles anos, construir os sonetos e endereçá-los a amigos e a amadas como fato propício e enfático à geração inteira de poetas. Criara-se uma atmosfera cultural de valorização de lírica e círculos de academias de letras para evidenciar os saraus e os poetas eram conclamados à declamação de seus poemas e sonetos ou de outros. Estes participavam de concursos de sonetos entre as academias de letras em todo o país. Havia um status de valorização à poesia camoniana e parnaso-simbolista. Sabe-se que alguns dos modernistas chegaram a cultivar os sonetos como Guilherme de Almeida, Murilo Mendes. E é sabido da fase mística de Vinícius de Moraes, em que compila vários sonetos como o “Soneto da Fidelidade”, também tema da poética milagreana em Gritos (1972) e em outras obras depois. Sozinho na multidão (1979) é como uma parte anterior de Arquivos (Poesias) (1987), ambos com poemas desde os anos 1940. O soneto “O Domador de Ondas” é para Frei Metelo Greeve, antes de ir para São João del-Rei (MILAGRE, 1979, p. 57) e Milagre faz um soneto para o Dr. Simão Salomé de Oliveira em Sozinho na multidão (MILAGRE, 1979, p. 35). Corgozinho (2003) afirma Nas linhas da modernidade que: “O moderno como portador do novo ou contraposição ao antigo (...) demarca uma mudança de mentalidade, no modo de vida cotidiano, na economia e política. Os indivíduos buscam o entendimento de si e d o mundo na modernidade, sem tutelas externas” (CORGOZINHO, 2003, p. 278)

Domingos Diniz, natural de Pirapora, tornou-se amigo de Milagre nos anos 70 e afirmava, na carta de 09/03/2009, em Belo Horizonte: Milagre continua vivo em seus versos e em seus livros, na memória de quantos o leem. Ele brincava com as palavras. (...). Para construir a escultura de sua poesia, antes mergulhava nos encantos dos mistérios semânticos de cada palavra. (...). Era músico também. Tinha grande conhecimento de música erudita. Tocava violão muito bem. Gostava das modinhas, de um bom samba. Nos anos 70, não se falava de “som”. Era eletrola. Íamos com amigos ouvir música em profundo silêncio. A meia luz. Mergulhávamo-nos no profundo mundo da música. Como o da poesia, cheio de mistérios. Terminada a peça musical, cada um emitia comentários. No final, servia-se um cafezinho com biscoito. Agradabilíssima noite de música. (...) Quanto à noite da Poesia, não fui eu o criador. A ideia, me parece, estou certo, foi dele. Coube-me apenas executá-la como presidente da Fundação da Cultura (1988). Graças a Deus, a noite da Poesia está viva até hoje. (DINIZ, 2009, p. 2, meu grifo).

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(PEREIRA, 2011, p. 106)

O importante é Altivo tornar-se reconhecido como um nome que sirva de referência para os estudos de inúmeros escritores os quais ficaram à margem das legitimações. (MOREIRA, 2006, p. 129, meu grifo) Este reconhecimento está na carta de Domingos Diniz, de 09/03/2009, em que afirma: “Milagre continua vivo em seus versos e em seus livros, na memória de quantos o leem. (...) Era músico também. Tocava violão muito bem. (1988).” (DINIZ, 2009, p. 2) Só lendo a sua escritura, debruçando sobre suas crônicas, sentindo sua antologia, seguindo o orador e o lírico das noites de Divinópolis, o tradicional e homem introvertido das letras pode nos descortinar um mundo que suas retinas contemplaram e ficaram registradas na sua produção intelectual no centro-oeste de Minas Gerais. A atualização do poeta se deu entre alegrias, perdas e crises, muita leitura a configurarem o primor de sua produção vária. Entre silêncios, entre gritos, todo escritor quer ser lido e reconhecido por sua nação e seus leitores. Em Sebastião Bemfica Milagre, essa interpelação não é outra, a não ser ainda lido e reconhecido na memória de cujo lugar ainda é cativo. A universalidade é retórica, mas a produção do escritor é comprovadamente local, inexpugnavelmente regional.

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(PEREIRA, 2011, p  89)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS DE SEBASTIÃO MILAGRE
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MILAGRE, Sebastião Bemfica. Almanaque / O Lírico da noite. Divinópolis: Artes Gráf. Santo Antônio, 1985. 81 p.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. Arquivos (poesias). Divinópolis: ADL, mimeografado. 1987. 32 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica. Comunicado ao futuro. Mímeo inédito, 1989. 3 p. MILAGRE, Sebastião B. O Doador de sangue/Procissão da soledade. Gráfica Sidil, Divinópolis, 1990. 159 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica e WEBER, Antônio. Gomos da Lua. Belo Horizonte: 127 Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1963. 84 p. MILAGRE, Sebastião B. Gritos. Divinópolis: ADL (Academia Div. de Letras), 1972. MILAGRE, S. Bemfica. O Homem e a caixa preta. Divinópolis: ADL, 1982 58 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica. A Igreja de João XXIII. Divinópolis: 1986. 49 p. MILAGRE, Sebastião B. Itinerário dos diferentes: o poema sanfonado. ADL: 1974. MILAGRE, Sebastião B. Lápis de cor. Divinópolis: Artes Gráficas Santo Antônio Ltda., 1986. 66 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica. Lixo atômico. Divinópolis, Sidil, 1987.56 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica (org.). Mar, todas as águas te procuram: contos, crônicas e poesias. Gráfica Brasil, 1962. 251 p. p. 223-236 MILAGRE, Sebastião B. O mundo, mundo-outro. Divinópolis: 1º vol. Gráfica Santo Antônio Ltda. 1976. 61 p. (Movimento Literário Agora e ADL). MILAGRE, Sebastião B. O mundo, mundo-outro. Divinópolis: 2º vol. Edições ADL. 1976. 61 p. (o retrato de casamento – Tião e Lilia, 1944). MILAGRE, Sebastião Bemfica. O mundo e o terceiro mundo. Divinópolis. Edições ADL, 1981. 33 p. MILAGRE, Sebastião B. O Nome dela é Perpétua. / Quartetos de sopro. Divinópolis: Artes Gráficas Santo Antônio. 1990, p. 32 p; 1991, p. 48 (páginas brancas) e p. 38 (páginas amarelas). MILAGRE, Sebastião Bemfica e WEBER, Antônio. Pão de sal (trovas). Divinópolis: Liv. Frei Orlando, 1966. 65 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica. Pastilhas. Divinópolis: Fortil, 1967. p.107. MILAGRE, Sebastião Bemfica. Sozinho na multidão. Divinópolis: ADL. 1979. 117 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica e WEBER, Antônio. Tome cuidado, menina (trovas). Divinópolis Livraria Frei Orlando, 1965. MILAGRE, S. Bemfica. 3 EM 1. Divinópolis: Gráfica Santo Antônio. 1985. 6 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica. O Viaduto das Almas/O homem agioso. Gráfica Santo Antônio, 1986. 92 p. MILAGRE, Sebastião Bemfica. Via-Sacra. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1960.
https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/mestletras/A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf

PEREIRA, José João Bosco Pereira. Ao poeta Sebastião Bemfica. In: Jornal Agora, Editorial. Divinópolis: PEMAFA; 23. set. 2004, p. 02, 2004. PEREIRA, José João Bosco Pereira. Diálogo intertextual entre a pulsão lírica de Edgar Allan Poe e Sebastião Bemfica Milagre, orientação da Profª Drª Maria Ângela de Araújo Resende, e a participação no III Congresso de Letras, Artes e Cultura da UFSJ, Universidade Federal de São João Del-Rei, MG: Comunicação, em 23 a 27 de agosto de 2010. PEREIRA, José João Bosco Pereira. Divinópolis se fez poesia (trovas) Divinópolis: mímeo inédito, 2007. 150 p., p. 97 e 98. PEREIRA, José João Bosco Pereira. Modernidade na poética de Sebastião Bemfica Milagre: memória e identidade, orientação da Prof ª Dr ª Maria Ângela de Araújo Resende, e participação I Cielli Internacional e III Ciello Nacional na Universidade Estadual de Maringá, Paraná: Comunicação em 16 de junho de 2010. PEREIRA, José João Bosco Pereira. Momentos poéticos. Divinópolis: Editora Sefor, 2006. 63 p. PEREIRA, José João Bosco Pereira. Revisitando a poética de Sebastião Milagre! In.: SILVA, Mercemiro Oliveira (org.). Antologia ADL 2009. ADL, 2009, 94 – 96 p. 131 PEREIRA, José João Bosco Pereira. Sebastião Bemfica Milagre: o poeta divinopolitano à margem da produção literária do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Divinópolis, mímeo não publicado, 22/05/2009. 80 p. PEREIRA, José João Bosco Pereira. Vestígios da parábola nas Histórias de Mãe em Sebastião Bemfica Milagre (1963) e Moacyr Scliar (2006), orientação da Prof ª Dr ª Maria Ângela de Araújo Resende, comunicação: 09 de novembro de 2010, em Assis, UNESP, SP. www.assis.unesp.br/sel. In.: Cadernos de resumos e programação. X SEL: Seminário de Estudos literários “Cultura e representação”, 08 e 09 de Nov. de 2010, Programa de Pós-graduação em Letras – Unesp / Assis/São Paulo. p. 23 e 77.

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Enviado por J B Pereira em 13/02/2018
Reeditado em 13/02/2018
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Comentários

14/02/2018 12:18 - J B Pereira
Gerson, enviei o meu perfil para sua apreciação. Viva os mineiros em Minas, no Brasil e no mundo. Obrigado pelas suas palavras. Fique com Deus!_______________ "Faça a sua parte, que a minha farei - disse Deus ao povo." Ditado que ecoa em Minas.
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Mar, todas as águas te procuram, Trovadores do Brasil (1966),
Juventude Utópica, de André Rocha, na internet Na internet, particularmente na Biblioteca digital NUPILL, do Google, o prólogo de Milagre nessa obra faz alusão a leituras que fazia a Augusto dos Anjos, a Beethoven e Nietzsche. O poeta afirma que o primeiro livro é como “uma carga dos originais do Eu à procura do editor”. E Beethoven quando interrogado quanto ao significado de sua sonata, sentava-se ao piano e executava novamente sua melodia.// 1 lauda e meia, Na internet. 1986.
1. ROTEIRO MILAGREANO EM DIVINÓPOLIS:  Sozinho na multidão (1979), Divinópolis. Esse livro datilografado é oferecido à segunda esposa, Maria do Carmo Mendes, Cacau e tem poemas de 1940 e 1970. 1-117 1940 - 1979
4. DAS OBRAS DE SEBASTIÃO B. MILAGRE: TEMÁTICA RECORRENTE
__(p. 41)__ Sozinho na multidão (1979), em tons moralizantes, evidencia a solidão e a melancolia do poeta, que coincidem com o mundo moderno. O poeta publica seus poemas dos anos 1940, consolidando sua posição conservadora em sonetos e poucos poemas de versos livres. A temática remete-nos à tradição clássica. No plano da poesia, se misturam os planos da memória reconstruída agora e o destino transcendente que ousarmos desejar, sonhar, projetar no fim dos tempos, do nosso tempo presente. A esperança irrompe do olhar do poeta entre o viver e o fim, a morte desejada que chegará finalmente.

OBRA DIVISÃO DA OBRA E TEMÁTICA PÁGINA Capa da obra Rosângela Alves Vieira Milagre 13 Soneto epígrafe da obra: Esperança e fé, 1949. Essas virtudes teologais nos ajudam a suportar o peso da vida e do mundo. 1 Lista de obras e antologias Obras poéticas publicadas pelo autor e antologias 5 Nota explicativa do autor O autor diz serem as mais antigas poesias, antes extraviadas; não consumidas ao fogo. Cem exemplares publicados. 7 Oferta à Maria do Carmo Mendes Oferta à minha esposa Maria do Carmo Mendes Milagre 9 À memória de Ana Álvares da Silva e Antônio Silva Sobrinho Edições ADL – O poeta faz oportunamente um memento aos mortos e a memória dos que passam, em especial, os seus familiares. Aí, nas páginas da obra, o arquivo da memória se torna uma espécie de Epitácio e jazigo da família para a posteridade. 11 Outra epígrafe (bíblica) “No meio de vós está quem vós não conheceis.” (João 1, 26) 13 Advertência O soneto adverte do “grito universal” dos dementes que se tornará terríveis gargalhadas e ironia. 15 O mistério da dor Indaga-se sobre o homem no mundo. (soneto) 17 Tese e antítese Dois sonetos antitéticos: aproximar-se de Deus no bem; negá-lo no mal. 19 Transcendentalismo Depois da tribulação, a ressurreição (soneto). 23 Desesperança a O homem tudo perde quando deixa de amar e ter fé. 25. Agonia de artista Dedicado a Francisco Gontijo de Azevedo. A arte tem em seu nascedouro a ambiguidade da morte e da vida, do corpo e da alma. (soneto) 27 42. Dualismo A hipocrisia aumenta a dor dos que lutam pela justiça. (soneto) 29 A estátua Poema de versos irregulares, com poucas rimas. A estátua é a metáfora do homem sem coração, o artista o arquiteta estranhamente. 31 Cego A pior cegueira é a ingratidão e a indiferença. (soneto) 33 Soneto Ao Dr. Simão Salomé de Oliveira (falecido em 2009). O poeta contempla o mal e a condição mortal do homem para afirmar sua última rendição e a superação de tudo além. 35. Inscrição A Otaviano Caldas (soneto). O poeta contempla o nada do poeta da serra, ignorado, triste menestrel que suplica uma prece. 37 In extremis Soneto de março de 1942. O poeta é como a sombra sem rastro, intérprete da dor. 39. Soneto Em 30-5-1942, o poeta a partir de sua experiência de escrivão de polícia civil, consta duas condições do homem: o pobre infeliz que não teve um gesto de amor nesta vida e sucumbiu a um punhal; outro que teve um cruz menos pesada e uma vida tranquila. 41 Naufrágio do poeta Soneto ao jornalista, advogado e político poeta Ataliba Lago, de Além Paraíba, em 1942. Diante das injustiças, o poeta é um náufrago, vive suas crises, arrastado pela dinâmica da vida de asceta como “alma de palhaço e um coração de ferro” diante do cinismo. 43 Soneto a José Pereira. O poeta ainda insiste na marginalização do homem que busca seguir o bem; a incompreensão é exilá-lo como um Prometeu... 47. Vocação O soneto mostra a fuga ante a adversidade como rotina e sina, contraposta ao desejo do prazer que arrasta o coração ao mundo inteiro... 49 Ofertório Soneto a Virgem das Dores. O poeta, em tons neobarrocos e neossimbolistas, recorre a metáforas extremas do céu e da carne abjeta para oferecer-se com seus ‘crimes pela carne e estuosas paixões nesse degredo estulto, em sua condição maldita de ser homem”, a pura mãe dos aflitos. 53 Centelha da Alma A alguém, qual “farol de espírito perfeito e sonho da alma’, que o poeta ama, o mesmo oferece seus versos como “pétalas perfumadas e pombas multicolores.” 55 O domador das ondas A Frei Metelo Greeve, elogiado como “reflexo de Deus”, o poeta metaforiza a boa alma como um “navio audaz” em alto mar, em “luta fragorosa e altiva não vacila mesmo diante da morte”. 57. Epitáfio de Sebastião Bemfica Milagre Em verso rimados em quartetos e dísticos, o poeta Milagre vislumbra o fim da mocidade e sonhos na sepultura; ou reconhece os atos de bondade que vão para além da túmulo. 59 O artista O soneto evidencia que o artista vive a contradição: é a “dor de todas criaturas e chora como a alma de todo mundo”. 61 Deserto Na solidão e no fim dos sonhos do poeta, sente-se “eterno peregrino” (metáfora de Santo Agostinho) e vive, pois, “a mágoa de ser homem’ e deseja “a dor de ser 63 43 divino”. “Nihil Spiritualis” À maneira de Augusto dos Anjos, o sonetista nos surpreende com meditação transcendental a partir das coisas mortas: o “nada, da vastidão do incognoscível; deseja, abaixo do “sólio constelado, à sombra do fanal voluto das moneras, ouvir a suave melodia ferida nos confins invioláveis da altura, ter o corpo incinerado’... 65 Deserção para o mundo da arte Soneto a Gentil Ursino Vale, de Resende Costa, MG, primeiro presidente da ADL, cronista, contista, sonetista, advogado em Divinópolis. O poeta proclama ‘a estranha paz do poeta” que encantou-se com a morte, viagem aos álamos celestiais qual “torre alvissareira, de amor perfeito, contra o mundo terrivel e infernal carnificina” que ficou para trás. 67 Dor suprema Soneto de 7-2-942 é a meditação filosófica e metafísica, com elementos simbolistas cronológicos e cromáticos de quem passa pela vida a sofrer a “dor do pensamento’, sabendo-se mortal, vivendo como imortal em um “mundo de risos e sonho de tormento”. 69 Pátria santa Em maio de 1941, o poeta canta “a suavidade das noites formosas de Maria...”, teme contudo avizinhar-se a “Mágoa – irmã gêmea da Tristeza, capaz de “turvar a melodia em lira sacrossanta”. 71 Sombra O tema da mitologia e o lago Letes é a cena das almas espectrais em noites de lua em névoa e pranto sufocante, querem se lembrar de onde e para onde vão quando o mundo repousa de cansaço de seu dia... 73. Heroísmo:  O soneta atreve a dizer do heroísmo do poeta rejeitado e marginalizado que de viva voz e força grita um protesto ao mundo de venturas e prazeres, sem invejar as adversidades. Para ele, tudo é ilusão! 75 O homem do mal O soneto descreve o desejo de mudança no que pratica a injustiça, pode ser tarde demais... 77. Fantasma O soneto proclama que o diferente na prática do bem se torna um estranho no ninho, visto como “o mais absurdo e tenebroso duende”. 79.  Viático Soneto a Edson Pinto Coelho. Diante da provação e na queda, Cristo vem em socorro do coração em anelos de fé. 81. Soneto Diante da fragilidade da justiça humana, o poeta desencantado com o ‘Saara de Abrolhos’, busca o degredo, ao ver a “ambição sem fundo’... 83. Revelaçao de Deus Soneto a J. Batista de Oliveira. A contradição impera do poder, enquanto cabe aos subjulgados a coragem da resistência ao mal e a consciência do bem... 85 Estrelas Soneto a Carlos Alvivo, o Patativa do Centro-oeste mineiro, falecido em 2008. O poeta destaca o brilho dos que incomodam por fazer o bem diante do mundo mesquinho. 87 Dilúvio celeste O soneto exulta uma evasão de almas na terra, dentre eles algumas magoadas pela exílio divino. 89 Sonhador O soneto, simbolicamente, coloca o poeta como uma “lúcida alma” diante da tristeza e obscuridade do “mundo-arena”. 91 44 Paraíso perdido O soneto lamenta o fim do que era agraciado pela sorte, quis consorte indigna e “a presa da carne humana.” Ascenção Soneto a José Coutinho. Parece que o poeta como homem desafia seus limites para uma realização cada vez maior. Há de escolher ser grande como o sol, como homem, contudo está ainda sujeito a falhar, a errar... Talvez é a transcendentalização do homem a superar-se na morte e vencer o mal. 95 Eterização Dois sonetos tem um tom simbolista de tristeza de ser divino mergulhado na mortalidade e ter sonhado com o celestial quinhão dos anjos e da mãe santa, sabendo-se filho da altura e preso nesse nível austral. 99 Os vendilhões do templo Versos irregulares com rima bem fluida, que adverte a alma, em corpo-templo, a expulsar as tentações e corruções da mente humana, com a oração, coragem, serenidade e o sumo Bem. 101 A ida de Alfa Soneto em que contempla a estrela de sua vida inteira, talvez um amor, uma mulher, feita em anjo em langor, ascendeu entre lira e astros como em “sonho límpido”. 103 Contribuição Poema de versos irregulares e com rimas lamenta que há gente pelo mundo não ativa em paz e capaz de realizar um diferencial: corrigir o próximo em erro, trabalhar pela justiça, mover-lhe não apenas o defeito da vaidade, mas ajudar alguém em verdade. 105 Alma virgem Soneto espiritual de 2-1943 reconhece as boas almas que não se contaminaram com o mal, foram “orquídea branca em círculo triunfante, flor num claro alado para os braços do mármor(e) do infinito”. 107 Capitulação Poema irregular e rimado, é um dos mais lindos, inclusive publicado em Caça-Palavras de Antonio Lopes, do grupo Barkaça. O poema começa com um dístico - seguidos de duas estrofes de oito versos cada uma, que, numa visão de vida e de morte, o poeta vê toda sorte do mundo: “o tumulto profundo e o vagido infernal, onde os homens estão a matar e a morrer...” 109 Hino à Mentira Soneto, com diálogos com Shakespeare, Dante e Nietzsche que se prolonga em vários tercetos em 3 páginas. Trata-se da prosopopeia, em elaboração simbolista e metafísica, em que a centralidade da Mentira – “flor venenosa”- evidencia uma ironia do poeta como a “macabra noite de incerteza ou negra verdade da trágica existência”, ilude o homem que vê o inferno – “máscara da virtude” - como se fosse o simulacro do bem e do belo. “Na mentira, não existo, sou apenas mentira!” 111-117
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LOPES, Carlos Antonio Corrêa et. al. Caça-palavras na literatura divinopolitana . Ano 1, Artes Gráficas Santo Antônio Ltda. Divinópolis, MG, março de 2007-2008. Os livrinhos aparecem nos portafascículos, nºs . 1 e 2. O número 1 é biografia e o poema “Capitulação”, publicado no Jornal “A Semana”, ano IX (V), nº 26, p. 4, de 08 de julho de 1951. E esse poema está em Sozinho no mundo (1979, p. 109), edições ADL. No número 2, refere-se a Antônio Weber Natividade Milagre.// 28-29, nº1 e 4-5, nº 2 2008 Idem!

15.NEOLOGISMOS MILAGREANOS, OUTROS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS E RIMAS
62. perene/indene, ser-se/ ter-se, minh’alma/calma, baloiçar/mar, impoluto/bruto, corruscante/ causticante, moneras/ esferas, encontrarás/paz, altruísmo/ paraxismo, iluminura/ alvura, protegê-las/estrelas, injusta/locusta, domem/homem, espanejar/luar, bemóis, rouxinóis, fugace/face em Sozinho na multidão (1979, p. 35, 43,55, 57, 59, 63, 65, 67,79, 81, 93, 95,97, 99, 103)

16. DIÁLOGOS INTERTEXTUAIS MILAGREANOS
3. Shakespeare e Nietsche: “Hino à mentira” (à contingência humana) em Sozinho na multidão (1979, p. 113, 115)
5. Edgar Allan Poe – “meu corvo-dia” (The Raven), “efígie de Lilia”, Soneto à moda do meu atual restaurante”, “Canto triacanto para a mansão dos mortos-vivos” em O mundo mundo-outro, v. 1, (1976, p. 46, 47, 51, 55); “Paraíso perdido” Poema a Virgem Maria em Sozinho na multidão (1979, p. 93) e “L”, “À Virgem Mãe” e “Consolação” em Mar, todas as águas te procuram (1962, p. 225, 232 e 234); “Lamento’ sobre a perda precoce da mulher amada (Annabel Lee e Lilia) em O Doador de sangue (1990, p. 121); “Retorno”, “Meu ciclo de barro”, Não sou” (neogoticismo e a cidade como loci horrendus) em O homem agioso (1990, p. 776, 77, 79-80)
9. Bíblia: gênero parábola: “História de minha mãe” como narrativa benjaminiana em verso; “Riqueza merecida”, Gomos da lua (1963, p. 64) ;Pai Nosso”, Jó no ‘Ato de aceitação” e “O arrependimento”; Jeremias em “Lamento”, “Inédito”; João 1, 26 em epigrafe, “Os vendilhões do templo” Sozinho na Multidão (1979, 13, 101); Mateus 19, 8 no Sidilirismo em O Doador de Sangue (1990, p. 13, 81, 97, 119, 121), “Meu Deus! por que me abandonaste?”, São Paulo Apóstolo em “Não o espinho na carne”, “O vencedor sem vitória’ (Meu Deus, transforme numa pedra qualquer perdida nos ermos” em Procissão da soledade (1990, p. 130, 131); Gênesis 1,26 em “Variações em torno de um tema bíblico” de 1980 em O homem agioso (1986, p. 82); “A vida e sobrevida” em O homem e a caixa preta (1982, p. 23); “Pacto” contra o mundo (i) mundo, “memento dos mortos e dos vivos, 107 geenas” em Lixo atômico (1987, p. 33, 37).
10. Religiosidade/ tradição: sonetos das estações em Via-Sacra (1961); “Agosto- 1960” “versos” a Frei Benvindo Destéfani, “versões” (Da Imitação de Cristo), “Caridade”, “Riqueza merecida”, “Testemunho”, “Mandamento”, “A verdadeira esmola” em Gomos da Lua (1963, p. 62, 84, ); “poema-pedida” (a Nª Srª da Guia), “Último etágio” em O mundo, mundo-outro, v. 1 (1976, p. 53, 59)“Inscrição, In extremis, Ofertório à virgem das Dores, Domador das Ondas, Nihil spiritualis, “Viático”, “Revelação de Deus”, “Dilúvio Celeste”, “Contribuição” em sonetos de Sozinho na multidão (1979, p. 37, 39, 53, 55, 57, 65, 81, 85, 89, 105); “Louvor a vós, ó Cristo”, “Meu sobrado”, “A noite da poesia” (a escada de Jacó, anjas, túnicas seráficas, céu, vates da cidade, santos), “A confiosa busca” em Procissão da soledade (1990, p. 47, 49, 55, 144); “holocausto/missa” em Lixo atômico (1987, p. 37); “é morrendo que se vive para a vida eterna/terna; quem morre já se pertence” em O homem agioso (1990, p. 78)
12. Mitologia: “Eis aí a mulher” em O Doador de sangue (1990, p. 91) e o tema das ninfas e no romantismo como mulheres brancas como a sereia; o mito de Ícaro em “Ascensão” em Sozinho na multidão (1990, p. 95)
17. Parnasianismo e Simbolismo: “Sombras”, “Fantasmas”, “Soneto” (os olhos da alma), “Sonhador”, “A ida de Alfa”, “Alma virgem” em Sozinho na multidão (1979, p. 73, 79, 83, 91, 103, 107)
19. Augusto dos Anjos: a melancolia e poemas da cripta e do cemitério em várias obras do poeta e em suas reflexões sobre a morte em vários poemas como: (...) ”Nihil spiritualis” “Dor suprema”, 108 “Capitulação” em Sozinho na multidão (1979, p. 65, 69, 109); “Lixo atômico” (1987, p. 38)
34. Cecília Meireles: “Opaco” em Procissão da soledade (1990, p. 138); “Estrelas”, “Eterização” em Sozinho na multidão (1990, p. 87, 97); “o justo” (espelho) em Lixo atômico (1987, p. 26)
36. Poetas de Minas Gerais, frades franciscanos e escritores de Divinópolis: (..) Dr. Simão Salómé de Oliveira, Francisco Gontijo de Azevedo, José Coutinho, Edson P. Coelho, Frei Metelo, Dr. Américo Cirilo, José Pereira em Sozinho na multidão (1979)
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Sebastião Bemfica Milagre: um lírico da modernidade em ... - UFSJ
https://www.ufsj.edu.br/.../A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf
22 de mai de 2009 - intelectual do escritor de Divinópolis: Sebastião Bemfica Milagre ..... outro (dois volumes), Sozinho na multidão, Procissão da Soledade. Aqui o.
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MILAGRE, Sebastião Bemfica. Sozinho na Multidão. Divinópolis: ADL, 1979. 117 p.p. 109.
FONTE: SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE: UM LÍRICO DA MODERNIDADE EM DIVINÓPOLIS: São João del-Rei, MG 2011 - https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/mestletras/A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf
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JURACI CONCEIÇÃO DE FARIA
A Prática Educativa de Júlio César de Mello e Souza Malba Tahan: um olhar a partir da concepção de Interdisciplinaridade de Ivani Fazenda
Dissertação (Mestrado) - Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade de Educação e Letras, Curso de Pós-Graduação em Educação.
Universidade Metodista de São Paulo São Bernardo do Campo – SP 2004
http://www.malbatahan.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Juraci-Conceicao-de-Faria-dissertacao_juracycfaria.pdf
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ANEXO 14 –
MALBA TAHAN E AS MIL E UMA NOITES EM QUELUZ
Enredo de Samba do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Bairro da Palha –
Carnaval de 2003
Samba e Enredo de Adomilson F. Sótenes
Refrão
Com coleção de sapo Jornalzinho de história ou coisa assim Malba Tahan escreveu sua história por aqui E a Vila da Palha... A Vila da Palha hoje veio Para homenagear quem, quem, quem... Esse grande personagem Conhecidamente popular Nascido lá no Rio de Janeiro Mais passou sua infância n Cidade de Queluz, de Queluz Sua vida é tão bela Que a todos nós seduz Malba Tahan pra gente Sua história é real, é real O Homem que calculava É seu livro internacional Refrão Lecionou por mais de trinta anos Ele publicou mais de 80 obras Colaborou em dezenas de revistas e jornais.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
01 Capítulo I: DO ÁLBUM DE MEMÓRIAS: UM RETRATO BIOGRÁFICO DE JÚLIO CÉSAR DE MELLO E SOUZA MALBA TAHAN 15
1.1 Antepassados: uma pequena história dos Mello e Souza 17
1.2 Infância: um menino colecionador de sapos e vendedor de Esperança 23
1.3 Juventude: uma estrela do Ocidente vislumbra o Oriente 29
1.4 Maturidade: uma estrela do Oriente brilha no Ocidente 32
1.5 Na oitava casa da vida: à espera de reconhecimento 45
Capítulo II: O ESCRITOR, UMA FACE VISÍVEL DO EDUCADOR 52 2.1 O Legado de Malba Tahan 53 2.2 O Legado de Júlio César de Mello e Souza 56 2.3 Entre Malba Tahan e Júlio César de Mello e Souza: a identidade de um educador 59
Capítulo III: O EDUCADOR, A FACE OCULTA DO ESCRITOR 67 3.1 Legado à Educação Matemática 67 3.2 Legado à Educação Continuada 74 3.3 Legado à Interdisciplinaridade 78
Capítulo IV: INTERDISCIPLINARIDADE: O OLHAR DE IVANI FAZENDA 85 4.1 Alicerces iniciais da Interdisciplinaridade 89 4.2 A Interdisciplinaridade no Brasil e no mundo 95 4.3 Interdisciplinaridade: uma questão de atitude 97 4.4 Fundamentos de uma Prática Docente Interdisciplinar 100 4.5 Princípios da Prática Docente Interdisciplinar 105
Capítulo V: A PRÁTICA EDUCATIVA DE JÚLIO CÉSAR DE MELLO E SOUZA MALBA TAHAN: O OLHAR DE UMA PESQUISADORA 112 5.1 O Homem que Calculava: origens do diálogo interdisciplinar 113 5.2 A Matemática, ponto de partida para o diálogo interdisciplinar de Malba Tahan 118 5.3 Pedagogia malbatahânica: disciplinaridade ou interdisciplinaridade? 122 5.4 Entre Ivani Fazenda e Júlio César de Mello e Souza Malba Tahan: a ponte da interdisciplinaridade 129 5.5 Entre Júlio César de Mello e Souza Malba Tahan e Ivani Fazenda: o espelho de uma prática educativa interdisciplinar 136
Capítulo VI: MALBA TAHAN E A FORMAÇÃO DE EDUCADORES 143 6.1 Malba Tahan Vai à Escola ou A Escola Vai a Malba Tahan? 145 6.2 No foco da formação de educadores, as contribuições de Malba Tahan. 151
Capítulo VII: DE MALBA TAHAN, QUE LUZ! UM ÁLBUM DE MEMÓRIAS... 160
REFLEXÕES CONCLUSIVAS 172
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 185
ANEXOS 193
ANEXO 1 - Depoimento de Júlio César de Mello e Souza Malba Tahan ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro 194
ANEXO 2 - Testamento de Júlio César de Mello e Souza 227
ANEXO 3 – Localidades das Palestras e/ou Conferências 230
ANEXO 4 – Discurso de Malba Tahan na ABL 234 ANEXO 5 – Oh! Que Coisa Exquisita! 242
ANEXO 6 – Na Oitava Casa da Vida 245
ANEXO 7 – Projeto Malba Tahan vai à Escola 247
ANEXO 8 – Programação do I Simpósio Malba Tahan 254
ANEXO 9 – Projeto A Escola vai a Malba Tahan 255
ANEXO 10 – Programação do II Simpósio Malba Tahan 265
ANEXO 11 - O Problema dos Olhos Pretos e Azuis 266 ANEXO 12 – Uma Fábula sobre a Fábula 270
ANEXO 13 – Aprende a Escrever na Areia 273
ANEXO 14 – Malba Tahan e as Mil e Uma Noites em Queluz Enredo de Samba do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Bairro da Palha - Carnaval de 2003 275



J B Pereira e http://www.malbatahan.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Juraci-Conceicao-de-Faria-dissertacao_juracycfaria.pdf
Enviado por J B Pereira em 11/07/2018
Reeditado em 12/07/2018
Código do texto: T6387631
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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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