Sinto Muito Por Você, Leãozinho

Milton Pires

Cada vez que alguém procura entender os conflitos, perseguições, delações premiadas e denúncias que existem dentro de uma organização criminosa como é o Partido dos Trabalhadores a dificuldade é grande. Esse problema surge por um motivo muito simples: a tendência geral das pessoas é olhar para o PT como se fosse um bloco...um partido único..uma espécie de “religião” muito bem definida com dogmas e santos que não podem ser provocados. Aí começa, desde o início, o erro fundamental: o PT não é um partido no sentido tradicional; é o próprio movimento revolucionário em ação.

Recentemente escrevi que a eventual vitória de Marina Silva em 2015 seria a continuidade do projeto marxista para o Brasil ...seria a permanência da revolução gramsciana e o império do ONGuismo, do ativismo e da democracia direta. Seria, como eu disse uma vez, mais uma “volta do parafuso”. Continuo dizendo a mesma coisa, mas quero apenas acrescentar o seguinte: nada disso significa paz e consenso dentro de uma organização criminosa envolvida com o tráfico de cocaína na América Latina que teve alguns de seus líderes presos na Penitenciária da Papuda e outros ameaçados (permanentemente) de para lá serem enviados. Em outras palavras, afirmo que está longe de ser um consenso a ideia do PT “sair na boa” do governo federal. Isso colocaria uma legião de vagabundos corruptos que ocupam cargos de confiança nos mais diversos segmentos da administração pública em uma péssima situação e faria, ainda, com que uma série de criminosos muito maiores perdessem privilégios de defesa que agora a posse da máquina federal lhes garante.

Quando pensamos no PT devemos em primeiro lugar ter em mente que a “revolução consome seus filhos”...É algo semelhantes àquilo que acontece com os filhotes de uma leoa quando um novo macho assume o controle do bando – são todos mortos pelo novo rei para que a mãe, parando de amamentá-los – entre no período fértil e acasale novamente.

Não haverá ruptura nem retrocesso no movimento revolucionário com a chegada da “santinha da floresta” ao poder, mas haverá alto preço a ser pago dentro da própria máquina pública. Existe, em todos os níveis de administração petista, uma legião de alcoólatras, pederastas, amigos de traficantes e vagabundos em geral que PRECISA ceder seu cargos...eles são filhotes que precisam morrer para que a administração “engravide novamente”. Ocorre que dessa vez veremos um processo de substituição que vai apresentar alguma diferenças – todas elas tem a ver com o quase esquecido Decreto 8243 e as chamadas “plataformas de deliberação digital”. Em outras palavras: o governo que está para chegar pretende governar com um modelo de democracia direta fortemente baseado nas conferências virtuais e naquilo que nelas se decide. Exemplo recente disso que estou afirmando foi a entrevista dada pela candidata Marina Silva em que a mesma citou esse processo quando perguntada sobre como haviam sido feitas as propostas do futuro governo em relação à comunidade LGBT no Brasil.

A resposta desesperada de determinado segmento do partido religião foi aquela em que eles se consagraram como melhores – destruição de reputações. Querem a qualquer custo provar que a “inimiga” (pois o PT não tem adversários, mas inimigos) política e seu marido estavam envolvidos com tráfico de madeira na região norte do Brasil e o fazem porque sabem que estão para sair..percebem o poder escapando de suas mãos...entendem que vão perder cargos de confianças, gerências, coordenações, secretarias..enfim, uma quantidade sem nome e sem número de funções em que a parte inferior da ralé petista não pode esperar consideração nenhuma dos seus “irmãos da floresta” que vem para governar o Brasil...

A máquina pública precisa entrar no cio novamente e para isso precisa parar de amamentar seus rebentos..Hora da morte dos atuais filhotes – Sinto muito por você, Leãozinho.

Para Caetano Veloso …..ou não...

Porto Alegre, 5 de setembro de 2014.

cardiopires
Enviado por cardiopires em 05/09/2014
Código do texto: T4950577
Classificação de conteúdo: seguro