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REFORMA DA PREVIDÊNCIA (apenas um bate-papo)

                                         PREÂMBULO

   Não se trata aqui de nenhum texto técnico, apenas uma “prosa versificada”, a qual a dividi em parágrafos a fim de não assustar o leitor. Escrevi num português abrasileirado, inserido num contexto de humor mesclado com uma poética prosa, até porque não sou nenhum filósofo ou doutor em nada. Então, vamos ao "bate-papo".

                                 SÍNTESE INTRODUTÓRIA

   "A cirurgia foi um sucesso, mas o paciente... morreu"!
   É como a se ouvir nas Câmaras dos Deputados e no Senado desta linda terra, nossa Pátria amada chamada Brasil, a que nas assembleias a s'elaborarem as mais perfeitas políticas, os mais requintados projetos, os quais dizem tencionar em salvar definitivamente... o Brasil.
   Porém, que pena! Não inclui em suas "tábuas de salvação"...  o pobre e sofrido "cidadão brasileiro". O "brasileiro", oh! Este não têm tanta importância para o Brasil. Ou alguém disto a mim revida?
   E, portanto vede o que dizem  aqueles nos quais neles votamos:
“Salvar o Brasil"! (até parece!), Porém, não o brasileiro , em qualquer de seus planos, programas ou esquemas de governo, a que, nos atuais tempos s'estão a implementar a tão querida e desejada - somente pelos políticos, é claro – Reforma Previdenciária.

   E assim, o paciente chamado Brasil está na mesa cirúrgica. Esperemos que a operação seja, pois bem sucedida, e que de form’alguma o venha... a morrer!

   Passo agora à explicação do que se deve necessariamente ser observado. Não tratarei, creio eu, de tudo, para não ser prolixo ou enfadonho no decorrer do devido estudo, ao que sintetizarei o devido tema em partes.

                           PONTOS DE MEDITAÇÃO

     • Quantos hoje inseridos estão no "mercado de trabalho"?
     • Quantos se dão ao privilégio ou luxo de "fazer o que de fato
        gostam"?
     • A Reforma da Previdência é realmente necessária?  E por quê?
     • O Brasil poderia "sobreviver" sem ela?
     • Por que tanto medo da Reforma Previdenciária?

                               1ª SENTENÇA
      Quantos hoje estão inseridos no mercado de trabalho?

   Ah, martirizado trabalhador a que se mira o seu ofício
     a que ao outro favorece pelo seu labor
 E do fruto de suas mãos eis que nem tanto se servem ou aproveitam
      Todavia, o ofertam aos seus sádicos senhores
    Mas, que disto, pois tais s'importam?
      Quando na verdade o que se vale mesmo... é trabalhar... e só
   E, sobretudo, o seu soldo receber, ainda que pouco o seja
       E verdade é que assim o será... até morrer!

   Mas, a pergunta é:
   Quantos inseridos estão no mercado formal de trabalho, com carteira assinada, em prol de seus direitos? Seria todos os que nest'espaço vivem?
   Não, definitivamente não são todos. Ao que muitos inseridos estão no universo da informalidade, e caso nem nisto s'etejam alguns optam, infelizmente, pelo caminho da criminalidade.
   Afinal, ninguém quer morrer... de fome ou sede.

                                   2ª SENTENÇA
  Quantos se dão ao privilégio ou luxo de "fazer o que de fato gostam"?

   Vem-me neste momento à memória uma conhecida frase de Karl Marx: "O trabalhador só se sente à vontade no seu tempo de folga, porque o seu trabalho não é voluntário, é imposto, é trabalho forçado".
   E por que é forçado?
Porque só se trabalha em função de se atender às nossas necessidades, do contrário, não seria trabalhador, mas sim voluntário, sem direitos a salário, férias, 13º, FGTS, etc..
Fazer o que se apraz e se gosta e, principalmente, "receber" pelo que se faz, oh! Certamente privilégio para poucos, ou, ao que melhor se diria, para pouquíssimos.
   Nest'instante veio-me à memória um ditado americano a ser assim enunciado: "O trabalhador feliz tem duas atividades, sendo uma que o sustenta  e a outra que de fato ele gosta".
   Aqui lembrei-me d'um show do ex-Beatle Paul McCartney recentemente no Mineirão, o qual fiquei impressionado com o vigor e a performance daquele "velhinho" de 76 anos cuja apresentação durou aproximadamente três horas. E então eu pensei: Como alguém de sua idade pode ter "tanto gás"? E cuja resposta foi somente uma: "Ele faz o que gosta e ama, ou seja, a viver de su'arte"
   Ah, querer comparar o assalariado brasileiro com o ex-Beatle é até sacanagem!
   Mas, a verdade é que chegar à idade de mais de sessenta anos para assim se aposentar, sem dúvida será uma tremenda d'uma odisseia, tanto para o homem, quanto para a mulher. A não ser, conforme foi dito, se fizer o que se gosta, desde, é lógico, venha a receber dignamente o seu honorário.
   Bem, quanto a mim, se eu não posso viver de Rock and Roll, e segurar uma pesada guitarra ou contra-baixo, quem sabe, eu possa ser um ator pornô (se com aquela idade eu ainda der, obviamente, “conta do recado), Ou, no melhor dos casos, possa eu ser gigolô d'alguma riquinha carente que venha, em nome de seu amor e generosidade por mim,  a pagar o meu carnê de INSS. Contudo, para isso, conforme disse, preciso dar "conta do recado". Mas aí pode se partir para o Viagra!
   Bom, besteiras e ironias à parte, fica-se a pergunta:
   O que leva um trabalhador se desmotivar dentro d'uma empresa?
   As respostas podem ser muitas, mas quando se trata d'alguém cujo ofício no início começou a todo o vapor, não se trata meramente de redução de rendimento devido apenas a fatores referentes a idade, limitações de saúde, mas, principalmente, no que se refere diretamente à sua "DESVALORIZAÇÃO" e MÁ REMUNERAÇÃO dentro da empresa, como a que se sentir "amputado" em seus direitos e não reconhecimento de seus serviços. Em poucas palavras: "Profissional desvalorizado e mal remunerado"... "empregado desmotivado".

                                       3ª SENTENÇA
      A Reforma da Previdência é realmente necessária? E por quê?

   Ah, como eu impressionado ficava ao ver os escritores do período romântico, a morrerem tão novos! Coisas dos séculos passados!
   Mas por que precocemente morriam?
   Simples: as condições de vida eram precárias, e, mais escassos e deficientes eram os tratamentos médicos, em oposição aos atuais dias em que doenças ditas antes por incuráveis são agora melhores tratadas ou até mesmo sanadas. Isto sem mencionar às moléstias que a tantos dizimaram, e hoje se vêem erradicadas.
   E sendo assim, a qualidade de vida melhorou, a conceder-nos "prorrogar" o nosso tempo neste vale de lágrimas. O que, na visão dos políticos, deve o trabalhador "labutar" mais a fim de não se aposentar muito jovem, mesmo que se tenha 50 anos de idade. Ou sintetizando: somente nascemos para trabalhar... para os outros, e pouco pra vivermos... para nós mesmos.
   Mas, retornando à questão da necessidade da Reforma fica-se concluído:
   "O aposentado dá prejuízo aos cofres públicos", ou n'outras palavras:
Só servimos ao país quando então o servimos para alguma coisa, do contrário, não se serve para nada, a não ser para se ser jogado n'um asilo, mesmo quando o aposentado recebe somente... um salário mínimo.
   Ah, aqui eu me lembro d'uma famosa frase do então Presidente da República da época, João Batista Figueiredo, o qual foi surpreendido por uma pergunta de um menino de 10 anos no Palácio do Planalto: "Presidente, como o sr. se sentiria se fosse criança e seu pai ganhasse salário mínimo?" O Presidente então respondeu: "Eu dava um tiro no coco". Na época, o mínimo em São Paulo era de Cr$ 2.268,00 (US$ 76).
   Pois bem, talvez muitos parlamentares não dão "um tiro no coco", visto que devem receber um pouco mais que um mísero salário mínimo.
   Mas, retornando à pergunta se a reforma da Previdência é necessária, qualquer deputado a dirá que "sim" e por quê? Simplesmente porque o Brasil está "quebrado". Ou será que ele não está mesmo é "saqueado"?
   Entretanto, eu revido a pergunta sobre o "por quê" o país s'encontra falido, ao que direi a real resposta: Devido o fato de ser mal administrado, como tantas empresas aqui a que agonizantes estão a clamarem por socorro e clemência.
   Trata-se, portanto, de uma questão "administrativa" a qual se "faz a diferença", desde um vendedor de churros em sua barraca nas ruas até o dono de uma Villa Daslu da vida. Ou mesmo desde um humilde mas ponderado dono d'uma barbearia até o orgulhoso proprietário d'uma requintada joalheria.
   Bem, aproveitando o bate-papo, eu gostaria de saber em quem o povo brasileiro votaria: Se num barbeiro controlado em seu orçamento administrativo e pessoal, ou se no dono de uma "daslu da vida" falido e recheado de dívidas! Creio que todos já sabem a resposta, até porque em Brasília já se tem por demais tantos "donos de daslus"!

                                  4ª SENTENÇA
    O Brasil poderia “sobreviver” sem ela, a Reforma da Previdência?

   E alguém disto, pois duvida?
   Não, o problema do Brasil não é falta de dinheiro, mas sim falta de competência administrativa com o dinheiro público que se guarda em seus cofres. Oh! Até hoje me pergunto por que resolveram fazer aqui  uma Copa do Mundo e Olimpíada no Rio de Janeiro num intervalo de tão pouco tempo!
   Ou seja, o problema é de ordem administrativa, e, sobretudo, no desvio das verbas orçamentárias, ou n'outras palavras, na roubalheira a que delas se faz.
   E quanto a nós, assalariados cidadãos, na falta de vergonha na cara, pelo que elegemos sempre estes mesmos bandidos que nos sacaneiam todos os dias.
   Vivemos num país entupido de impostos a que são destinados aos cofres do Estado, e não conhecemos nem um quarto do que pagamos em tributos. Entretanto, já estamos saturados de saber que
praticamente nada se converte em nosso favor. Exemplos disso, estão a saúde pública, a educação, a falta de segurança, e por aí vai. Mas dispensa-se comentários, até porque já se falou demais sobre isto.

                                 5ª SENTENÇA
          Por que tanto medo da Reforma Previdenciária?

   Ao que neste ponto é simples:
   Trata-se simplesmente do "tempo"e de nele se ver preso.
   Coloquemos a imaginação (ou mesmo a experiência de convivência) para funcionar: Tente se ver labutando até se chegar à idade de 60 anos aguentando assédio moral de supervisores e chefes, ou tendo que tolerar  "aqueles" colegas chatos, que tanto você gostaria de vê-los em seus velórios!
   Chefes déspotas e sádicos!... Colegas puxa-sacos!... Gerentes sacanas!... Bem dizia o grande Sartre: "O inferno... são os outros!"
    Então, não há trabalhador mais feliz que ao que se dá ao luxo de ser senhor e empregado de sua própria empresa, ao que s'é dono de seu tempo. E neste ponto, quanto invejo o meu dentista!
   Mas, retornando à questão do tempo, fugindo ou não do estudo, faz-se claro se dizer que ninguém é o mesmo de anos atrás. Trata-se do dinamismo da vida. O assalariado sindicalista de hoje, a lutar por nossos direitos, caso for o notável empresário de amanhã, não terá a mesma mente e ponto de vista d'outrora. E o empregado de hoje, caso promovido for a chefe amanhã, não terá a "mesma cabeça" de antes. Até porque, dentro d'uma visão psicológica é fato se saber o quanto as pessoas facilmente se vendem e se subornam.
    É como afirmava o grande Abraham Lincoln: "Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe o poder...".
   Resumindo, ninguém ontem é o mesmo hoje, nem o será... para sempre, mesmo porque o próprio tempo não permite. A desejada e linda garota de programa de hoje a que recebe em dólar ou cartão de crédito será a oferecida quenga d'amanhã, a preço de banana ou mesmo fiado. Como a que se conhece: Ontem perseguida, hoje oferecida. E igualmente s'é também para o homem. Como a se lembrar do refrão daquela antiga marchinha de carnaval: "A pipa do vovô não sobe mais..." Mas, vamos  deixar quieto! O que importa é saber que ninguém é o mesmo de ontem, nem será o mesmo d'amanhã.

                                  CONCLUSÃO

       Reforma da Previdência!
    E então! O que dela s'esperar?
    Ao quesito 'idade', certamente será:
      Trabalhar... trabalhar... trabalhar... até morrer

   E, estaria em pauta um salário realmente digno para os "alforriados",
      de forma que não mais precisassem continuar nas senzalas
          que s'insistem em ser chamadas de "empresas"?

     E para quem s'está a entrar no mercado de trabalho
      (para não dizer "escravidão camuflada")
  Eu só tenho a lhe desejar... muita saúde... e muita paciência
       Afinal, todos irão precisar

            E que ninguém duvide:
       O imperialismo nunca acabou, menos ainda s'extinguiu
  (ou você ainda acredita em coelhinho da páscoa e papai noel?)
   Ainda existem muitos senhores d'engenho
       e milhões d'escravos neste país

      Mas que se fica de consolação:
   Somos, pois felizes... por comparação
        Afinal, bem melhor se viver aqui no Brasil
   Do que na Venezuela agora... ou no buraco do Afeganistão!

      Pois bem, a cirurgia praticamente acabou
Só lhe resta suturar... vivo ou morto o paciente que na mesa s'encontra
          a que se chama... Brasil
     Oxalá o "brasileiro" não morra!

                       
                        **************************

                               15 de março de 2019
              (ano que se conclui a Reforma da Previdência)

 






Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 15/03/2019
Reeditado em 01/04/2019
Código do texto: T6598573
Classificação de conteúdo: seguro

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