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A carta do Movimento Acredito divulgada pelo El País é bonitinha, reconhece as realizações de políticos tradicionais, apenas para prenunciar o fim de todos eles e exaltar os jovens que estão brotando no Congresso, alguns impulsionados por conhecidos bilionários e celebridades do show business com febris e bolorentas ambições políticas. Afirmar que é um equívoco a falta de condescendência com Tabata Amaral e seus coleguinhas é uma hipocrisia. O fato da origem humilde e da ascendência pelo velho discurso falacioso da meritocracia não possui relevância para nos tornar cúmplices de jovens associados a partidos de esquerda, mas que empurram seus votos para pretensões fundamentais da direita.
 
A defesa de Tabata pelo Movimento Acredito: El País
 
Alegam que votaram a favor da Reforma da Previdência por convicção, por entenderem que o projeto é um avanço contra desigualdades e coerente com a responsabilidade fiscal. Que justiça existe num projeto que fomenta o empobrecimento de idosos? Que humanidade nutre uma reforma que prejudica pessoas com deficiência? Que racionalismo há numa ideia que pretende prejudicar professores e privilegiar policiais? Qual a coerência de uma iniciativa que por um lado diz que é preciso dar esse passo para o equilíbrio fiscal e por outro lado isenta igrejas evangélicas de dívidas com o fisco que chegam a 1 bi com a União. Que verdade existe em propalar que a Reforma é para todos reservando para os militares uma discussão à parte?
 
Caso a Reforma fosse do PT, a esquerda aplaudiria – esbraveja o convulsivo bolsonarista. É improvável, o PT é um partido progressista, profundamente identificado com a inclusão social, um partido que se firmou justamente pela inclusão, pela erradicação da miséria e da fome. O PT não promoveu o empobrecimento como agora ensejam os histéricos, mas promoveu o resgate daqueles que inexistiam abaixo da linha da dignidade humana. Portanto, usar tal argumento é falsificar o hipotético para justificar o injustificável. O PT nunca se engajou em políticas homicidas.
 
Questionar Tabata e os meninos do Acredito revela uma esquerda maniqueísta? Não. Maniqueísta é o governo Bolsonaro e os teóricos da mediocridade que apoiam a insanidade e celebram o infantilismo inconsequente como mito. Maniqueísta é o delirante cowboy tropical que reivindica o direito de andar munido de pistola, coldre e cartucheira para assassinar seu bandido imaginário. Maniqueísta é a tal da Nova Previdência, que faz da aposentadoria e das salvaguardas sociais a causa de todos os males econômicos do país. Maniqueísta é quem tenta nos convencer que é nos gestos desumanos que habita a mais meiga esperança.
 
Lideranças políticas nascem das lutas históricas, tendo a coragem de muitas vezes nadar contra a corrente patrocinada pelo grande capital. Liderança política exige a ousadia de tomar partido pelos desfavorecidos, pelos marginalizados, pelo que está fora da pauta. Lideranças políticas pregam a liberdade real, não a seletiva. Por isso, essas supostas lideranças fabricadas em incubadoras de proveta já nascem abortadas num primeiro capítulo escrito com erros crassos de gramática.

 
Alexandre Coslei
Enviado por Alexandre Coslei em 12/07/2019
Reeditado em 12/07/2019
Código do texto: T6694378
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alexandre Coslei
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Alexandre Coslei