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A moderna côrte da monarquia brasileira

                           
       Vivemos num regime presidencialista, porém tudo nos leva a pensar que somos uma monarquia. Não com palácios arquitetonicamente medievais, mas com palácios sim! Todos os governantes de prefeituras, governos estaduais, presidente e vice moram em denominados palácios.
      Fosse só essa a semelhança não seria motivo para esse artigo. Acho que quase todos já leram histórias de reis, reinados e sabem que tudo dentro deles é grandioso e que as pessoas que fazem parte da côrte tem muitos títulos de nobreza: duques e duquesas, barões e baronesas, condes e condessas, marqueses e marquesas. Tudo muito suntuoso, salas amplas, lustres enormes para iluminar a grandeza dos ambientes. Mesas compridas com uma quantidade imensa de cadeiras de espaldar alto para as comilanças infindas, onde se serve pratos exóticos requintados e muita bebida variada para o gosto de cada glutão.
       Os “duques” ou “barões” sempre pançudos demonstram o quanto são bem tratados; tem sempre bochechas gordas e rosadas, dentes brancos e bem cuidados e a pele lustrosa.     As “marquesas” ou condessas bem vestidas, algumas decotadas, outras sóbrias pois o corpo mal definido não permite mais estravagâncias no vestir. São senhoras na maioria das vezes e não se permitem envelhecer ou apresentarem rugas; ao menor sinal delas correm para o botox. As menos favorecidas compensam sua feiúra com uma língua afiada. Algumas circulam pelos grandes salões como serpentes invejosas espargindo veneno.
      Nessa lauta côrte não há bailes monumentais, mas jantares fartos nos finais de noite para comensais escolhidos a dedo; ocasião onde se trama de tudo.
      Uma multidão de lacaios serve a essa côrte, muito mais do que teriam as monarquias antigas onde  a mão de obra não tinha maquinários ou tecnologias para ajudar a movimentar essa monumental côrte.
      Mesmo com tantas novidades do século XXI a monarquia moderna de Brasília precisa de lacaios para colocar as capinhas dos “deuses do olimpo” e para puxarem suas cadeiras!             Esses nobres não carregam seus guarda-chuvas! Não! Precisam de lacaios para fazerem esse tão pesado serviço. Todos tem muitos carros à sua disposição, vários motoristas e salas vips em aeroportos ou aviões especiais para sua locomoção.
      Há ainda para os falantes ocupantes das tribunas desses onerosos palácios e casas do povo ( onde o povo não entra) um sem número de mordomias! Além de salários altos, pagamos : ternos, contas de celulares, moradias, médicos, dentistas pra eles e as famílias inteiras, carros blindados, motoristas, correios, refeições, viagens, engraxates e até serviços de prostitutas! Só que a côrte acha pouco não precisarem por a mão no bolso pra nada e sempre ficam querendo enfiar as mãos nos bolsos do pobres vassalos!

      O povo que trabalha muito e chacoalha dentro dos transportes públicos caindo aos pedaços, sem uma única borrachinha para amortecer os pulos nos buracos das ruas e avenidas. Esse pobre povo suado que levanta quando o sol nem apareceu ainda e chega a noite me casa, mal tem tempo de conviver com a família ganha um minguado salário que mal dá para pagar um convênio médico, ou fazer um bom tratamento dentário paga para pra manter o luxo dessa côrte onde o rei não manda nada, é só um enfeite surrado na imprensa diariamente, afrontado pelos condes, duques, marqueses e barões que estufam o peito orgulhoso sobre a pança enquanto cagam regras na calada da noite a fim de beneficiarem a si e aos seus comparsas das noites de lautos jantares e reuniões regadas a wísques caros.
      Enquanto o povo não entender o abismo que separa o vassalo dos palácios e dos nobres, vai continuar fazendo mesuras para os mesmos.


Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 18/09/2019
Código do texto: T6748331
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 64 anos
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