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SÍNDICO OU ESTADISTA

SÍNDICO OU ESTADISTA


Vivemos debaixo de uma enxurrada de pensamentos incoerentes e contraditórios. Fake news, teorias absurdas, desrespeito às Artes e à Ciência, tentativas de reescrever a história, desmoralização de brasileiros reconhecidos no mundo inteiro. O atual governo representa a nossa elite mais conservadora e daninha, responsável pela grande concentração de renda existente no país.

Sua política visa, de maneira pouco velada, abertamente, a defesa daqueles que representam o Capital em nossa nação. Assim, apesar de um discurso populista, suas ações não têm qualquer objetivo de beneficiar os mais pobres e trabalhadores. Muito pelo contrário, as reformas  trabalhistas preconizadas e aprovadas só prejudicaram os trabalhadores, em proveito do grande empresário. O auxílio emergencial na pandemia só saiu por iniciativa do Congresso Nacional.

Um governo que sucedeu a outro, gravado por absurda e indefensável corrupção, e eleito com a plataforma de combate à corrupção, tinha tudo para nadar em águas serenas, não fosse a sua incompetência e arrogância. Incompetência, porque não soube administrar o mandato que lhe foi confiado pelo povo. Arrogância, porque criou na sua imaginação inimigos, assim catalogados todos aqueles que dele divergiam. Embora fosse um governo eleito legitimamente, começou questionando o processo eleitoral brasileiro. Como um usurpador de trono, cercou-se de um contingente enorme de militares, como a se proteger de um pretenso inimigo oculto. Como um ditador, não um como um presidente, tentou incitar adeptos para que se insurgissem contra os outros poderes da república. Dizia ter o apoio militar, para implementar essas ações ditatoriais, o que afinal não se confirmou.

Para dizer a verdade, esse governo buscou a cada momento um inimigo, para se manter em estado de combate e de polêmica. O primeiro inimigo foi a Imprensa que sempre acusou de ser contrária aos interesses nacionais, sem perceber que esse é o primeiro entrave a ser afastado, quando se quer estabelecer um regime totalitário. O segundo inimigo foram os comunistas, assim considerados todos aqueles que não concordavam com suas ideias. Para dizer a verdade, o comunismo no Brasil vai mal das pernas, com partidos inexpressivos eleitoralmente. Depois veio Moro, então muito considerado por sua atuação na operação Lava Jato, com a condenação de inúmeros políticos empresários corruptos. Nosso presidente não hesitou em forçar a sua demissão, na tentativa de intervir na Polícia Federal, preocupado que estava com o envolvimento de seu filho na rachadinha da ALERJ.

Mas, como não há nada que não possa piorar, o mundo e o Brasil foram atingidos pela pandemia da COVID 19. Um verdadeiro estadista teria encontrado no combate ao vírus uma forma de ser reconhecido junto a opinião pública, como um defensor da sociedade brasileira. Nosso “síndico” preferiu negar a gravidade da situação e agiu sempre com irresponsabilidade, contrariando todas as medidas de proteção, preconizadas pelos médicos de todo o mundo e do Ministério da Saúde, chefiado pelo então deputado Mandetta. Estava ali, no próprio governo, seu novo inimigo. Com suas aparições diárias na TV, o ministro, com sua boa articulação e seriedade, estava roubando a cena e precisava ser eliminado. Precisou demiti-lo. E o fez. Mais tarde, forçou a demissão de um outro ministro da saúde e, afinal, nomeou um general da ativa. Mesmo assim, tempos depois desautorizou publicamente o general, quando ele disse que o ministério compraria a vacina chinesa Coronavac, a famosa vacina do Dória. Estranhamente, será a vacina que utilizaremos em nossos postos por todo o país. Dória, por sinal, era então o seu novo inimigo.

Atualmente, esse nosso presidente, procura boicotar a utilização da vacina, ironizando sua eficácia, sem entender um mínimo de medicina e quase torcendo para que tudo dê errado. Não se importa com as nossas 206.000 mortes até hoje,  com o esforço dos profissionais de saúde no mundo todo e com as famílias enlutadas. Alega, descaradamente, que é contra a obrigatoriedade da vacinação, como foi contra o uso de máscara e a favor da aglomeração. Parafraseando o poeta: “apesar de você, amanhã há de ser um novo dia”.

Não sabe ele, pobre e indefeso personagem, que suas ideias retrógradas e ultrapassadas, já estão sendo questionadas por muitos daqueles que o elegeram; e sua figura desatinada, quase obscena, é agora motivo de chacota mesmo por aqueles que ainda o defendem. Para um político, a pior coisa é ser ridicularizado e, olha, que ele dá motivo para isso, tantas sandices profere.

Nosso governante tem sua mentalidade ainda nos anos 50. Desse tempo, as brincadeiras idiotas contra homossexuais, rosa é a cor de boiola, o comunismo é o inimigo a ser combatido ou se tomar vacina vai virar jacaré. Penso que um presidente não tem muito o que fazer, a não ser falar abobrinhas e comparecer a qualquer evento militar sem importância, em vez de anunciar possíveis realizações de seu governo. Põe a culpa na Imprensa por combatê-lo, mas não se utiliza do seu poder concedente para divulgar a sua gestão.

Não tenho nada contra um governo, pelo simples fato de ele ser de direita ou de esquerda, só gostaria que fôssemos governados por alguém que respeite a democracia e a liturgia do cargo, não seja corrupto, não promova a desunião de nosso povo e tenha bom senso. O Brasil é de todos os brasileiros e dos que aqui vivem. Todos temos direito de manifestar nossa opinião e devemos respeitar a opinião contrária, democratas que somos.

ABC DAS LETRAS
Enviado por ABC DAS LETRAS em 14/01/2021
Código do texto: T7159220
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ABC DAS LETRAS
Goiânia - Goiás - Brasil
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