O Pentecostalismo Clássico (1910 a 1950): adaptações e transformações sócio religiosas

O Pentecostalismo Clássico (1910 a 1950): adaptações e transformações sócio religiosas

Antônio Luciano da Costa Brito

Este artigo se propõe a fazer uma rápida análise das transformações que ocorreram e continuam ocorrendo no Pentecostalismo Clássico e sua jornada no Brasil. Observando as duas igrejas precursoras do pentecostalismo que veio ser implantado no Brasil. No decorrer do mesmo, serão apresentadas as transformações ocorridas no contexto social e religioso das duas denominações pioneiras desse movimento protestante e de religião popular. Repetindo o senso comum, o pentecostalismo é o mais importante fenômeno religioso do século 20. (ALENCAR. 2010. p. 27). São observadas as mudanças que ocorreram nesta primeira fase do pentecostalismo, através de uma investigação em obras de pesquisadores e cientistas da religião. O artigo apresenta de forma concisa os desdobramentos e possíveis rumos que vem tomando o movimento no Brasil. O pentecostalismo brasileiro nunca foi homogêneo. (MARIANO. 1999.p.23). É justamente essa capacidade de adaptar-se, de romper fronteiras religiosas que o torna tão intrigante.

PALAVRAS- CHAVE - Pentecostalismo. Transformações. Catolicismo. Política. Religião.

INTRODUÇÃO

O pentecostalismo ao longo de sua existência tem sofrido várias e profundas transformações por não estar limitado a um grupo especifico de igrejas e/ou denominações. Este tem encontrado espaço para proliferar em várias ambientes religiosos. Desde o princípio, procurou promover uma religiosidade inclusiva, experimental e popular. Contudo, não tem permanecido homogêneo, pois sua principal característica tem sido a abertura para novos empreendimentos, promovendo a diversidade da experiência pentecostal. A sua metamorfose e breve adaptação tem promovido um intenso debate àqueles que estudam o fenômeno religioso no Brasil. Por tanto, este trabalho objetiva a análise das transformações no âmbito das igrejas originárias da primeira onda pentecostal.

As duas igrejas que principiaram o movimento pentecostal no Brasil, são a Congregação Cristã no Brasil e a Assembleia de Deus. O presente trabalho está embasado teoricamente por Campos (2002), Mariano (1999) Alencar (2010) entre outros autores citados.

UMA BREVE ANÁLISE DA PRIMEIRA ONDA DO PENTECOSTALISMO, CONHECIDO COMO PENTECOSTALISMO CLÁSSICO.

Com a chegada do pentecostalismo ao Brasil no final na primeira do século XX, começa a trajetória de um ramo do protestantismo que mais se expandiu tanto no país, quanto no mundo. Com a sua religiosidade de cunho popular e sem muitas exigências quanto à formação de seus membros e lideranças, este se torna acessível a uma considerável parcela da sociedade que está marginalizada social e religiosamente.

Com a sua doutrina ascética e de santidade, oferece um retorno ao cristianismo nos moldes do Novo Testamento, assim sendo, torna-se uma opção à religiosidade católica, que moralmente estava desacreditada no Brasil. O protestantismo histórico, embora houvesse iniciado no século XIX, ainda era parte de uma parcela mais culta da sociedade, com pouca influência entre os mais pobres e os iletrados.

Dentro desse espírito é que começa o movimento pentecostal, assumindo uma postura de passividade diante das decisões sociais e políticas, bem como de uma separação do mundo, isto é, das atividades culturais, que eram tidas como mundanas, como por exemplo: a música secular, o teatro, o folclore e etc. Como afirma Campos:

Uma ética de separação do mundo, que isola necessariamente o grupo escolhido da vida comum ou do laicismo da vida cotidiana para consagrar-se aos serviços de Deus. Na pior das hipóteses, essa ótica de separação leva ao isolamento das práticas sociais (fuga mundi) e, a melhor, ao protesto profético frente ao mau estado da civilização. (CAMPOS. 2000. p. 53-54)

Essa exigência por muito tempo se constituiu um dos pilares do pentecostalismo. Ainda hoje, há grupos que mantém o ensino do ascetismo como condição sine qua non para a entrada no reino dos céus. Contudo, nesse afã alguns exageros foram cometidos em nome de uma “santa” ignorância, por parte, daqueles que com zelo extremado procuravam preservar o rebanho do pecado.

Dentro dessa acepção, estão as duas primeiras igrejas pentecostais que surgiram no Brasil: A Congregação Cristã no Brasil (1910) e a Assembleia de Deus (1911). Com a doutrina da santificação e separação do mundo, e com a espiritualidade acessível às camadas mais pobres, elas cresceram e provocaram mudanças na práxis religiosa brasileira.

A ÉTICA PENTECOSTAL E OS PADRÕES DE SANTIDADE: ASCETISMO E A PASSIVIDADE POLÍTICA

A ética de separação do mundo, isto é, do pecado que há no mundo, deve ser evidenciada a cada dia na vida do salvo, sem esta constatação sanções deverão ser tomadas por parte da liderança. Esta posição, por muito tempo deixou a igreja fora da participação da atividade sociopolítica, bem como da interação com a cultura e as artes presentes nos lugares onde ela estava inserida.

Para os pentecostais da primeira onda, até a década de 70 era considerado, “pecado” participar de atividades políticas, de movimentos sociais, de sindicatos, entre outras atividades de militância.

A participação dos pentecostais na política teria sido assim somente uma emoção do momento, que cedo ou tarde teria fracassado ou teria mostrado suas verdadeiras intenções santificacionistas, redentoristas, mas não necessariamente políticas. (CAMPOS. 2000. p. 54-55)

Por causa dessa participação descompromissada com verdadeiras políticas públicas e de transformação da sociedade é que os políticos evangélicos são vistos como bons “parceiros” na aquisição de votos junto as suas respectivas igreja. A classe política percebeu que as comunidades evangélicas detém um expressivo eleitorado e de que os pastores perderam aquele sentimento de aversão à participação na política. Então, muitos políticos procuram os evangélicos em época de eleição, principalmente, as lideranças para incluírem estas em chapas, para poderem conseguir o apoio da parcela considerável dos evangélicos que há hoje no Brasil.

O ISOLAMENTO SOCIAL E RELIGIOSO

Algumas igrejas pentecostais tentaram (ou ainda tentam) manter uma identidade isenta de transformações em seu âmbito, quer seja doutrinário, e/ou de interatividade com “os de fora”. Principalmente, aquelas que iniciaram na primeira onda pentecostal, como assim classificou Paul Freston. Contudo, são inegáveis as transformações que aconteceram e acontecem no âmbito religioso brasileiro.

Um exemplo de igreja que acabou criando uma resistência ao longo de sua história é a Congregação Cristã no Brasil. Esta, juntamente com a Assembleia de Deus, são as precursoras do pentecostalismo clássico. Até a década de 50 as duas mantiveram seus moldes de igrejas ascéticas, porém com o advento da segunda onda pentecostal, na mesma década, começaram a ocorrer mudanças no comportamento do evangelicalismo brasileiro.

Justamente por tentar manter sua identidade, tal qual, começou a Congregação Cristã no Brasil, acabou ficando aquém do crescimento de outras igrejas do pentecostalismo. (PIMENTEL. 2005. p. 85) observa:

[...] Não existe identidade estática, pois toda identidade está em constante mutação exatamente por ser algo não subjetivo, que se estabelece nas relações que vão se alterando com o tempo. Por isso, é mais apropriado falar sobre identificação que sobre identidade. Quando uma pessoa ou grupo se volta apenas para o seu próprio universo, na tentativa de definir sua identidade, perde: ao erguer os olhos, percebe que tudo a sua volta mudou e sua identidade não se encaixa mais naquele contexto. Só podemos nos identificar nas relações que estabelecemos, isto é, por meio do diálogo.

Toda e qualquer instituição que se fecha, que como diz Pimentel, se volta apenas para o seu universo, acaba se tornando obsoleta, ultrapassada. Perde sua influência fora de suas “paredes”. Justamente a falta do diálogo, provoca um tipo de alienação à própria realidade que nos cerca. Esse isolamento tende a reforçar a visão de que o grupo é especial, que possui características do divino em proporção maior do que os demais.

Essa é a principal característica das seitas. O isolamento social, religioso, político e até familiar em alguns casos (como as Testemunhas de Jeová). Com o discurso religioso do resgate da verdadeira identidade cristã, bem como com a proposta do resgate dos dons espirituais: a glossolalia, o batismo com o Espirito Santo, e a cura divina, estas duas igrejas criaram um ambiente de “guerra santa”, quando o Catolicismo e Protestantismo Histórico sentiram-se pressionados com o novo culto que estava sendo implantado no Brasil.

É relevante citar qual era o contexto que essas igrejas encontraram quando de sua chegada ao nosso país, antes de mudarmos para as primeiras transformações significativas que ocorreram ao pentecostalismo clássico.

Antes, porém, cabe dizer algo sobre o pentecostalismo clássico. Ele reina absoluto de 1910 a 1950, período que vai da implantação desta religião no país, com a fundação da Congregação Cristã no Brasil (São Paulo, 1910) e da Assembléia de Deus (Bélem,1911), até a sua difusão para todo o território nacional. No início, compostas majoritariamente por pessoas pobres e de pouca escolaridade, discriminadas por protestantes históricos e perseguidos pela Igreja Católica, ambas caracterizaram-se por um ferrenho anticatolicismo, por enfatizar o dom de línguas, a crença na volta iminente de Cristo e na salvação paradisíaca e pelo comportamento de radical sectarismo e ascetismo de rejeição do mundo exterior. Hoje, seu perfil social mudou parcialmente. Embora continuem a abrigar, sobretudo as camadas pobres e pouco escolarizadas, também contam com setores de classe média, profissionais liberais e empresários. (grifo meu) (MARIANO. 1999. p. 29)

Quando adentramos a história do pentecostalismo, entendemos que no seu início era uma opção àqueles que não tinham acesso aos bens de consumo. Portanto, é dentro e um contexto de êxodo rural e de um crescimento desordenado das cidades que este encontra espaço para a sua ampliação e aceitação.

No período da extração da borracha, muitos imigrantes nordestinos vieram para trabalhar no Pará. Nesse tempo, encontrava-se no início a Assembleia de Deus, que foi iniciado sob o labor de dois missionários suecos: Daniel Berg e Gunnar Vingren. Estes vieram para o Brasil após terem sido batizados com o Espírito Santo e orientados por uma profecia que dizia que eles deveriam ir para o Pará. Então, os imigrantes ouviam dos missionários, ou dos recém-convertidos a cerca da fé pentecostal, daí as conversões aconteciam e quando acabou o período da extração da borracha, os nordestinos voltavam trazendo consigo uma nova fé, e cheios do Espírito Santo pregavam aos parentes a descoberta da fé pentecostal. O Cientista da Religião, Gedeon Alencar, apresenta um quadro de como o pentecostalismo se tornou uma opção aos que não tinham acesso à religiosidade praticada na época:

Em 1910, a Igreja Católica celebrava missas em latim, a Igreja Luterana, cultos em alemão, a Igreja Anglicana em inglês. Até mesmo a única igreja pentecostal da época, a Congregação Cristã do Brasil, celebrava seus cultos em italiano. O espiritismo ainda era caso de polícia e os cultos afro, como referencial religioso, nem sequer eram nomeados ou reconhecidos. Qual a opção, o espaço para a expressão de religiosidade popular da época? Oficialmente, nenhum. (ALENCAR. 2010. p. 19)

Conforme afirma, Gedeon, o pentecostalismo chega à boa hora para suprir uma lacuna no campo da religião do Brasil. Justamente por ter características de religião popular, bem como por sua acessibilidade pelos pobres e marginalizados social e religiosamente. Já Mariano, afirma que aconteceram mudanças no perfil social do pentecostalismo, tendo uma maior aceitação em outras camadas mais privilegiadas da sociedade. Claro, que para uma melhor compreensão desse fenômeno é preciso uma análise sociológica de sua terceira vertente, denominada de neo pentecostalismo.

Conseguiria essas primeiras igrejas pentecostais, da primeira onda, denominadas de pentecostalismo clássico, manterem o seu ethos ante as transformações sociais e religiosas que aconteceriam ao longo de sua trajetória?

Como foi dito, a Congregação Cristã no Brasil, buscou o isolamento, talvez na tentativa de manter o seu ethos e sua doutrina e modus operandi, contudo essa falta de dialogo com outras igrejas evangélicas lhe garantiu o título de “movimento herético”, justamente por se considerar superior e/ou melhor, do que outras igrejas de confissão protestante. Segundo Freston, a CCB, desde o princípio conseguiu obter homogeneidade:

A CCB conseguiu tornar-se um grupo homogêneo em seus primeiros anos porque teve início dentro de um grupo étnico, razoavelmente coeso, de forte tradição e com interesse de preservá-la. Desenvolveu uma estrutura de poder leigo que ficou imune às disputas de poder ou tentações financeiras. Socialmente, nunca teve atuação e, parece, não sente necessidade disto; optou por uma postura apenas “sacral” em sua religiosidade. Permaneceu sempre um grupo fechado e com visibilidade reduzida e, consequentemente, fácil de administrar e se preservar. (ALENCAR. 2010. p.39)

Das duas igrejas da primeira onda pentecostal (1910 a 1950), apenas a CCB manteve-se sem sofrer grandes transformações. Isso, devido ao seu isolamento, bem como, por não ter desenvolvido uma teologia sistemática, sua forma de governo e de ensino é muito simples, proporcionado essa condição de viver a margem das disputas de poder e teológicas. Contudo, até mesmo igrejas que procuram “fechar” as suas portas as transformações sociais que acontecem onde estão inseridas, não podem evitar todo e qualquer envolvimento com o que ocorre a sua volta.

Não há essa possibilidade de um total afastamento de um grupo, instituição, a ponto que se torne isenta de transformações. Isso é o que percebemos quando vamos analisar a história dessas duas igrejas. Percebe-se uma tentativa de manter um padrão de santidade, por meio do afastamento da vida social, mas mesmo dentro dessa tentativa há a necessidade de interação com o outro, porque para que a evangelização aconteça é preciso manter relacionamentos. Elben César nos lembra como era a CBB no início:

A Igreja fundada por Francescon é tremendamente sectária, às vezes se considera a única igreja certa, não tem o menor relacionamento com qualquer outra igreja, nem mesmo com as igrejas pentecostais. Não publica jornais, revistas de estudos bíblicos nem livros. Não se reúne em lugares públicos. A evangelização é feita por meio de evangelismo pessoal e por meio dos cultos, geralmente longos. Os que se salvam e se batizam foram ganhos porque eram predestinados e chamados por Deus para a salvação. (CÉSAR. 2000. p. 114-115)

Até hoje a CCB procura manter-se isolada praticamente no mesmo perfil que começou. Todavia, talvez só seja possível devido a sua resistência ao envolvimento, político, teológico, ao diálogo religioso, a aproximação com quaisquer outras igrejas. Neste sentido parece ser possível pelo menos manter sua práxis religiosa praticamente inalterada. Contudo, Mariano afirma que “Apesar de pretender manter-se irremovível em seu tradicionalismo, a Congregação Cristã vem sofrendo pequenas alterações na área de usos e costumes e em sua composição social.” (MARIANO. 1999. p.30).

AS TRANSFORMAÇÕES QUE ATINGIRAM A ASSEMBLEIA DE DEUS EM SEU ÂMBITO SOCIAL, POLÍTICO E RELIGIOSO.

Assembleia de Deus, esta procurou adaptar-se as transformações sociais que aconteceram ao longo do Século XX. Desde a sua origem a AD procurou viver os padrões das igrejas holiness de santidade. O ascetismo foi levado ao extremo nas primeiras décadas de sua atuação no Brasil. No início, a participação na política era tida como “diabólica”, subversiva e mundana. Em sua essência o pentecostalismo é adaptável ao contexto social e religioso no qual se faz presente. A AD incorporou esse traço do pentecostalismo, mesmo que por um longo tempo tenha tentado resistir a significativas transformações em seu âmbito, principalmente na questão dos usos e costumes, ensino que ainda tenta manter em seus milhares de templos e congregações espalhadas pelo o Brasil (bem como em outros países).

A AD até o ano de 1989 manteve sua distância como denominação da participação direta e declarada na política do país. Contudo, Mariano, aponta uma mudança significativa nessa postura:

Já a Assembléia de Deus, desde 1989 cindida em duas denominações, mostra-se mais flexível e disposta a acompanhar certas mudanças que estão se processando no movimento pentecostal e, apesar da defasagem, na sociedade. Seu recente e deliberado ingresso na política partidária e na TV, em busca de visibilidade pública e respeitabilidade social, ao lado de outras denominações internas, sinaliza de modo irrefutável sua tendência à acomodação social e a dessectarização. ( MARIANO. 1999. p. 30).

Há a possibilidade da Assembleia de Deus em sua divisão em duas Convenções Nacionais, ter enfraquecido a sua resistência a algumas mudanças em seu relacionamento com a política, bem como as mudanças que já haviam começado a desafiar o modelo pentecostal de religião ascética e sectária. Com o advento da terceira onda pentecostal, mais conhecida como neo pentecostalismo, a parti da década de 70; o pentecostalismo sofreu profundas alterações em sua composição. Tanto teológica como social. As igrejas que surgiram dentro dessa nova perspectiva não mantiveram a doutrina ascética, não pregavam o sofrimento humano como dádiva divina e como garantia de uma recompensa no “celeste porvir”. Estas também romperam com os usos e costumes, já que pregavam a teologia da prosperidade e o direito de desfrutar do melhor dessa terra.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Portanto, vimos que o pentecostalismo surgiu em um momento oportuno para aqueles que não tinham a oportunidade de vivenciar uma religiosidade acessível. Que o mesmo foi implantado por missionários que vieram do grande avivamento pentecostal americano. Teve com práxis doutrinária o ascetismo e os padrões de santidade importados dos movimentos de santidade e das igrejas holiness. Com as suas duas principais igrejas pioneiras no Brasil a Congregação Cristã no Brasil e a Assembleia de Deus, que começaram como a ousadia de missionários estrangeiros que trouxeram para cá n o início do século XX, a doutrina pentecostal.

Devido a sua doutrina ascética a principio e por muito tempo o pentecostalismo não participou da politica e dos movimentos de militância. A prática da santidade evidenciava-se de forma visível através dos usos e costumes que começaram a ser deixados de lado por algumas igrejas da segunda onda pentecostal, e totalmente abandonados pelas igrejas da terceira onda pentecostal, mais conhecidas como igrejas neo pentecostais.

Assim posto, percebe-se que apesar das resistências, o pentecostalismo clássico tem sofrido profundas e constantes transformações em seu seio. Das duas igrejas citadas, a Congregação Cristã no Brasil é a que mais tem resistido às transformações sócias e políticas, até hoje não participa da política e não usa a TV e outros meios de comunicação para as suas atividades. A Assembleia de Deus procurou adaptar-se a nova realidade que foi se configurando ao longo de sua trajetória. Hoje tem participação ativa na política, e não é a mesma igreja que foi plantada pelos missionários suecos. Tem programas na TV, quando no passado foi pregado que assisti-la era pecado. O pentecostalismo clássico, como outras vertentes do pentecostalismo estão em constantes mudanças, assim sendo sempre haverá muito debate e pesquisa sobre o mesmo.

REFERÊNCIAS

CAMPOS, Bernardo. Da Reforma Protestante à Pentecostalidade da Igreja: debates sobre o pentecostalismo na América Latina. São Leopoldo: Sinodal: Quito: CLAI, 2002.

PIMENTEL, Orivaldo Jr. Quem são os “evangélicos”? In: BOMILCAR, Nelson (Org). O melhor da espiritualidade brasileira.São Paulo. Mundo Cristão. 2005.

MARIANO, Ricardo. Neo pentecostais. sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo. Edições Loyola. 1999.

ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus. Origem, implantação e militância (1911 – 1946). São Paulo. Arte Editorial. 2010.

CÉSAR, Elben M. Lenz. História da evangelização do Brasil – dos jesuítas aos neo pentecostais.Viçosa-MG. Editora Ultimato. 2000.