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O CASO DA JOVEM DESENGANADA PELOS MÉDICOS

O caso a seguir é real. Maria (nome fictício) é uma jovem muito bonita, da  Igreja Batista  Após dar à luz ao filho, ficou 52 dias em coma em um hospital, mas sobreviveu. Realmente ela é um exemplo de superação, de vontade de viver. Ela afirma que foi salva por milagre. Isso é verdade? Temos como provar que se trata de milagre? Mas antes de tentarmos descobrir se ela se curou por milagre, temos que entender o que é milagre e se existe milagre.

No dicionário Aurélio, milagre é “Feito ou ocorrência extraordinária, que não se explica pelas leis da natureza. Acontecimento admirável, espantoso; Qualquer manifestação da presença ativa de Deus na história humana.”

Eu começo perguntando, será que a cura dela não tem explicação pelas leis da natureza? Ela diz que foi “desenganada pelos olhos naturais, visto que havia falência de órgãos”.

Conheço vários casos de pessoas que dizem que foram “desenganadas” pelos médicos mas sobreviveram. Isso é milagre? Será que os médicos não se enganam às vezes ao fazer um diagnóstico e afirmar que o caso está perdido? Muitas pessoas que foram desenganadas por médicos, ao mudarem de hospital foram curadas.

 Ela diz depois: “Fui transferida novamente de hospital em 31 de dezembro, quando suspenderam todos os medicamentos, meu organismo surpreendentemente reagiu.”

Aqui eu tenho dúvidas. Ela diz que foi para outro hospital e os medicamentos foram suspensos. Como assim? Ela foi para outro hospital, e ali os médicos deixaram ela na cama, sem medicamentos, esperando que ela morresse? Se foi isso, é caso de polícia, de processar o hospital. Ou talvez o organismo dela reagiu porque no novo hospital a equipe médica era mais competente que a anterior e tinha mais recursos?

Mas ela mesma depois me tira a dúvida. “Fazia seis horas de hemodiálise por dia” e “Fui para um CTI semi-intensivo”. Ou seja, no novo hospital, continuaram a medicá-la.

Ela diz ainda: “Meu rim estava fadado à hemodiálise definitiva ou um transplante e na última semana voltou a funcionar, para surpresa de todos”. De todos quem? Dela e dos parentes, ou dos médicos também? Na medicina há vários casos que pareciam irreversíveis e os médicos conseguiram salvar o paciente. Será que podemos dizer que foi milagre, que Deus participou? Ou em certos casos, o tratamento persistente, a perícia médica, a vontade de viver do paciente fazendo o organismo reagir ajudam na cura?

Em outra parte ela diz “Sou a prova viva de que Deus ouve a oração do seu povo e tem poder pra ressuscitar os mortos.”

Então ela tinha morrido? Pelo que conheço do caso dela, ela não recebeu atestado de óbito, nem nenhum médico afirmou que ela tinha morrido, pois o coração batia e o cérebro funcionava.

Maria diz que sua cura foi milagre, foi graças às orações e a intervenção divina. Em nenhum momento ela diz que os médicos e o tratamento ajudaram em sua cura. Isso é comum entre as pessoas religiosas. Quando são curadas, dizem que foi Deus, quando o paciente morre, dizem “Foi melhor para ele, Deus sabe o que faz” e todas aquelas desculpas que têm função de consolar os parentes do morto.

Os religiosos dizem que Deus cura, se alguém ora por Ele. Entretanto, até os pastores levam os filhos para um hospital, pois sabem que só orações não adiantam. Interessante que não há um caso de um amputado ter o membro de volta só com auxilio de orações. Deus conseguiria curar apenas aqueles que podem ter cura com ajuda de remédios? Vamos à outra situação: todo ano no Brasil, milhares de crianças morrem em hospitais, isso é fato, por mais triste que seja. Muitas delas receberam orações de pais, parentes e amigos piedosos e uma parcela, provavelmente menor, não recebeu orações, e mesmo assim foram a óbito tanto quem recebeu como quem não recebeu orações.

Quando uma criança é curada, espalha-se que foi Deus quem curou, nunca os médicos. Quando morre, a culpa é dos médicos, ou , Deus quis assim, é mais um anjo no céu, etc.

Vejo um problema de ordem moral nas pessoas que dizem que seu filho, seu parente foi salvo porque Deus curou. Imagina a situação: num quarto de hospital há duas crianças em tratamento de uma grave doença. Uma delas obtém alta depois de todos os esforços dos médicos; a outra infelizmente falece, apesar de ter recebido igual tratamento. Os pais da primeira dizem que Deus ouviu sua orações. Imagine como ficará a cabeça dos pais da segunda, que faleceu, que também tinha fé igual ao dos outros pais. Devem pensar que Deus não quis que seu filho sobrevivesse? Ou que suas orações eram fracas? Ou foram castigados?

Séculos atrás, quando a Ciência ainda não era desenvolvida, morria-se por simples infecções, e nem as novenas, as mais fortes orações adiantavam.

Por tudo isso fico pensando, será que Deus intervém na cura dos doentes? Estou convencido que para muitos, acreditar em Deus e ter fé nas orações é importante, pois consola, dá esperança em continuar lutando, faz as pessoas se esforçarem em ser melhores, ajuda a superar vícios, a tornar um homem violento em melhor marido e pai. Mas quando há doença em jogo, pode rezar se isso lhe faz bem, mas se for curado, não esqueça de agradecer também à Ciência e aos médicos.
Fernando Bastos
Enviado por Fernando Bastos em 04/08/2014
Reeditado em 04/08/2014
Código do texto: T4908987
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Fernando Bastos
Guaramirim - Santa Catarina - Brasil, 59 anos
87 textos (16068 leituras)
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