A viva sinceridade do amor de Cristo Jesus.

E, aproximando-se dele um escriba, disse: Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei. E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. (Mat 8:19,20). Estes versículos fazem parte onde Jesus deixa claro o preço de ser discípulo de Cristo, em amor e verdade.

Esta passagem esclarece o que foi dito nos versículos anteriores onde Jesus cita o que é dito pelo profeta Isaías: "Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças" (Isaias 53:4; Mateus 8:17). Hoje em dia é comum ouvirmos que aquele que aceita seguir a Jesus jamais terá dores ou sofrimento.

Mas ao estudarmos o Evangelho de forma detida vemos que isso é um ledo engano. Pois Deus nos capacita dando força e entendimento nas aflições. Porque isso nos fortalece de duas maneiras, primeiro nos capacita a entender a dor de outrem, e nos fortalece a alma mostrando-nos o valor do amor que o Pai tem por nós.

Aqui vemos que um escriba se propõe a seguir Jesus. E este dirige-se a Jesus usando o título mais alto que conhecia: Mestre (διδασκαλος didaskalos), palavra que equivale ao hebreu rabbi. Para este escriba Jesus era o maior mestre que ele tinha ouvido ou visto em sua vida. Resulta deveras interessante ver que um escriba outorgasse a Jesus esse título, e mais aqui vemos um milagre da empolgação quando este se propõe a segui-lo.

Pois Jesus significava para estes a quebra e o fim do estreito legalismo sobre o qual estava construída a sua religião. Era realmente um milagre que um escriba visse algo de atrativo e apreciável em Jesus. Trata-se do milagre do impacto da personalidade de Jesus Cristo sobre a visão humana. O amor tem a característica de constranger o intelecto pelo sentir.

Jesus rebate a empolgação do escriba dizendo: as raposas têm covis, e as aves têm lugares para descansar nos ramos das árvores, mas o Filho do Homem não tem onde repousar sua cabeça. Parafraseando o que jesus disse, fica assim: "Antes de me seguir, pensa muito bem o que vais fazer, pois não lhe proponho uma vida terrena de regalia, mas sim uma vida de simplicidade."

Pois Ele mesmo não a tinha, a sua vida começou em um estábulo emprestado, e terminaria em uma tumba emprestada. Jesus não queria seguidores arrastados por um momento de emoção, fogo de palha, que tão logo se acende como se apaga. Não queria seguidores que fossem arrastados por um mero sentimentalismo, que com a mesma facilidade que podia levá-los a ele, podia apartá-los.

E Ele não o fazia para desanimar a ninguém, mas sim para que os seus seguidores soubessem o que estavam fazendo. Falou de carregar uma cruz (Mateus 10:38). Falou até para deixar de lado as relações mais afetuosas da terra (Lucas 14:26). Falou de dar tudo aos pobres (Mateus 19:21). Era como se Ele dissesse: sim, sei que tens em seu coração o desejo de seguir-me, e quer fazê-lo, mas, ama-me o suficiente para isso? Ou seja, amar requer dar de si mesmo.

Ah! Se entendêssemos isto, os relacionamentos terrenos durariam muito mais. Mas sempre pedimos mais do que podemos dar, e as vezes o fazemos pela emoção do momento. Jesus nos pede para irmos além do calor do louvor, ou do inebriamento diante de um milagre. Ele nos chama para sermos representantes de seu amor aqui na terra, para que no tempo certo o sejamos nos céus. Que o amor de Cristo Jesus seja sempre o árbitro de nossos corações.

(Molivars).

Molivars
Enviado por Molivars em 07/10/2019
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