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Ressaca eleitoral

Após 100% das urnas apuradas temos, Bolsonaro, 55,13% e Fernando Haddad com 44,87%. Termina as eleições e temos um Brasil dividido. Caras e coroas. Laranjas e maças. Angu e feijão. Não interessa, temos um novo presidente e, com ele, um novo cenário político e social. O problema está aí: um país dividido é perigoso e não cheira bem. Uma parte da população está triste, chateada, ansiosa e com medo. Outra está alegre, esperando melhoras, feliz e esperançosa.
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Infelizmente, a cisão causa problemas: falar para um país de metades requer da parte vencedora o melhor argumento possível no sentido de deixar claro "a reforma da previdência", a possibilidade do armamento da população, a diminuição da maioridade penal e o retrocesso de direitos. Os ricos e a classe média vão gostar até certo ponto, pois a cisão vai criar ressonância nas relações sociais: como o branco que se acha melhor do que negro, o rico que deseja ficar na frente na fila e na vida, a discriminação aos homoafetivos, a invisibilidade da pobreza, o aumento do encarceramento humano, a saúde e a educação entregues à privada e por aí vai.
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No campo em tela, entretanto, não existem "classes". Homens e mulheres, em sua grande maioria no país, fazem parte do campo das relações que me referi. É aqui que se encontra "um único Brasil" e é neste lugar que os brasileiros vão sentir a diferença, apesar de formalmente serem iguais. Estados que sufocam individualidades fazem sofrer os mais frágeis e vulneráveis. Dito de outra forma, não existe Estado para muitos: de alguma forma as ações governamentais vão tocar em nossas vidas. A tensão social vai a 100% e muitos que votaram lá e cá vão dizer que não votaram, outros vão soltar o "eu avisei" e, nesse joguinho de poder pequeno, morre o homossexual de pancada, a mulher que ousou falar alto para o "macho", a criança indefesa na rua, o homem franzino que tentou defender o velho e a mãe que lutou para proteger a filha. Casos como estes não podem ser naturalizados. Mas o Estado é o Leviatã, e fazemos parte dele. A sociedade, porém, não se deixa ser vencida facilmente. Ela também mata os mais fracos e, em prol de sua continuidade, produz guerra, conflitos sangrentos, suicídios em uma perigosa "seleção social". Espero sinceramente que nada disso aconteça.
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É necessário que o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro, faça valer o nome do meio e tente, em primeiro, retomar a PAZ. É possível um acordo social em relação à manutenção e o respeito às instituições. É preciso harmonia e equilíbrio de forças para governar. Ele pode fazer isso. Apesar de suas ideias não ajudarem muito, ele não é o Estado e cumpre à liderança nacional, equilibrar opostos, diminuir a ansiedade, o medo e a garantia da "segurança subjetiva e objetiva". É obrigatório seguir a Constituição, proteger os mais necessitados e defender a união (com a oposição) entre as pessoas. Acabaram as eleições, a vida continua e com ela todas as necessidades que há tempos lutamos para satisfazer. Que o senhor Jair Messias Bolsonaro opte pelo diálogo, pois "o Brasil não é para principiantes".
Lúcio Alves de Barros
Enviado por Lúcio Alves de Barros em 29/10/2018
Reeditado em 29/10/2018
Código do texto: T6489243
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lúcio Alves de Barros