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Sobre aturar ignorantes

Estamos aqui para aturar os ignorantes: que enchem a mailbox, aguardam sem sossego na fila do caixa, do banco, do açougue, onde quer; que nos empenham os dias com burocracias, liberações e códigos, exigências, glosas, cadastros e racadastros-amentos, engarrafados que estamos na Brasil do Brasil, parados às seis sem saber que há na frente.

Assalto? Sequestro? Estelionato, peculato, anoni-mato? Assassinato? Roubo, trafico-'ntrabando, Formação de quadrilha, guerrilha, sem-ilha? Nada disso: pode ser que tenhamos gasto quatro horas pra vencer quinze km de Avenida, com fé no Fiat Uno, gastando gasosa com o ar, porque o caminho simplesmente inundou. Uma vez mais, seis vezes por ano, porque Deus quis.

E ainda nos são impostas suas imagens mais exatas e bem-acabadas na te-vê: onde estão Mulla, Bollor e Sarlllllney, sem contar o Robâ Calhares, está você.Você os pôs lá – até quando não os pôs. Você os deixou lá, sem perceber. Você alimenta sua ignorância (a deles), com a sua (a sua, mesmo). E eles continuam tentando - deu para reparar que o Big Boss tá sempre mudando. Desde sei lá quando, só Ali e seus Babões acampam lá. Não há um Gabeira no Senado, pergunta o povo, clamam as massas?

Não, não há. Porque não os há, em espécie e similitude, no seio da mesma massa (seio ruim, à Melanie Klein) – esta mesma que deixa se perder a obra do mestre Villa-Lobos (Estadão, domingo passado) ou nega apoio ao Museu Época, do Sr. Aristides Spósito, em Ponta Grossa (O Portal, domingo também). E tantos exemplos mais, a começar da Saúde, evidenciando sempre o descaso, a rapina e o insensato a governar-nos de dentro.Agora tudo tanto faz – ou tanto fez.  E aí, como diz o analista, perde-se o rumo etico.

Somos todos, ainda que cônscios da própria concupiscência, como Simão a Pedra (sobre a qual erguerei sanatório), que nega três (ou mais) vezes, tendo presenciado tudo, ao longo dos anos. Sua história é bonita, sempre do lado do bem. Mas na hora do pega pá-capá...

Aprendamos com ele, entretanto: criticar sempre, obedecer também. Enganamo-nos todos nós, por não percebermos que uma andorinha só, não faz verão. E que a obediência e a servidão assumem várias formas.

Não tomemos a parte pelo todo, senão periga ter que nos incluir. Nós, uns grandessíssimos duns ignorantes.

(O Bráulio é duca mesmo, veja o texto que o cara me mandou!)

Tags: vida moderna, política, ignorantes
Renato van Wilpe Bach
Enviado por Renato van Wilpe Bach em 12/08/2009
Reeditado em 12/08/2009
Código do texto: T1749531

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Sobre o autor
Renato van Wilpe Bach
Ponta Grossa - Paraná - Brasil
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Renato van Wilpe Bach