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O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

Há muito a humanidade vem sendo preparada para enfrentar a questão de um mundo superpovoado. Mas, agora, as coisas estão mudando, em vez de um superpovoamento assistimos a população mundial envelhecer.
A China mudou a política de filho (Jornal do Brasil- 25/07/09). A justificativa para a mudança é controlar o envelhecimento da população mundial. E recuar do controle rigoroso no planejamento familiar imposto em 1970, com a obrigatoriedade de um filho por família, o que provocou o envelhecimento do país. Este envelhecimento pode gerar um desequilíbrio populacional e afetar o desenvolvimento sócio econômico mundial.
Se a população mundial está envelhecendo, o Brasil, consequentemente, embora a passos mais curtos, também está...  Isso é bom? Claro que é! O homem está conseguindo chegar aonde sempre sonhou e quis: uma maior longevidade.
Estamos vivendo muito mais. Há estudos que rapidamente a expectativa de vida que hoje é de 78 anos chegará aos 95 anos - alguns estatísticos americanos estimam que chegue em 07 anos lá e aqui, no Brasil, em aproximadamente 09 ou 10 anos. Estima-se também que em 2050 será de 120 anos. Maravilha (!), diriam alguns. Ocorre que contrariamente ao indicado pelo senso comum, o processo de envelhecimento populacional, tal como observado até hoje, é resultado mais do declínio da fecundidade e não da mortalidade.

O envelhecimento populacional iniciou-se no final do século XIX em alguns países da Europa ocidental, se espalhou pelos demais países desenvolvidos, no século passado, e se estendeu nas últimas décadas, por vários países em desenvolvimento, como é o caso do México e do Brasil. No caso brasileiro observou-se a partir dos anos 60 rapidíssima e generalizada queda da fecundidade. A média de filhos é de 1,8 por mulher. Na classe média de menos de 1,0. Mesmo nas classes menos favorecidas e de baixíssima renda é de 2,0 filhos por mulher.

Para reverter esse quadro de baixa natalidade e envelhecimento da população precisaríamos de mais ou menos cinco décadas.
Esse é um tema realmente importante e que não tem recebido a devida atenção da sociedade, seja das empresas ou do governo.

O sistema previdenciário está falido, pois foi montado na expectativa de que os aposentados morressem logo, antes dos 65 anos. Ou seja, para continuar sobrevivendo de forma digna, os sobreviventes terão que voltar a trabalhar, como alguns já fazem.

Recentemente, numa mesa de executivos aposentados e com boa saúde, alguém perguntou quem tinha uma poupança capaz de sustentá-lo além dos 80 anos. A resposta foi unânime: ninguém.
Em tom de brincadeira, um dos aposentados sugeriu que todos parassem de fazer exercícios físicos e abandonassem as dietas saudáveis, pois do contrário estariam prolongando uma vida de pobreza e necessidades.
É uma piada, mas ilustra os desafios que todos teremos que enfrentar.

Felizmente nós brasileiros temos uma enorme capacidade de adaptação e competência para apagar incêndios, mesmo que uma grande parte de pessoas saia queimada antes disso.
O que está sendo, ou será feito para resolver a questão da longevidade eu não sei, mas sei que sobreviveremos. Tem sido assim ao longo de nossa existência. A palavra chave é adaptar, e adaptar-se às novas situações.

E essa adaptação, eu penso que será facilitada e enriquecida no sentido da troca de experiências. Pois, quando se trabalha com pessoas mais experientes, seja da idade em que for sempre se aproveita o que se apreende com elas. E em se tratando de pessoas com mais idade pode-se tirar um proveito maior no sentido de apreendermos a nos doar, ser mais generosos e tolerantes com o próximo.  As pessoas com mais idade já não chegam com a ganância e o espírito de competição interna, eles abordam com a bondade de querer fazer parte de algo, se integrar. E quem for realmente inteligente, aproveitará para apreender o máximo possível com a sabedoria deles.

Todavia, penso que o nosso país ainda está engatinhando no quesito "Planejamento Estratégico".

Pois bem, e o mercado de trabalho como está se preparando para a falta de novos e o envelhecimento dos seus profissionais?
Os cálculos da previdência oficial terão que mudar e muito! O que estão fazendo os políticos e empresários com relação a esse fato?
Haverá espaço para profissionais com mais de 80 anos no mercado de trabalho? Vamos ao debate. Precisamos de idéias...

Na maioria das vezes, se não começarmos o planejamento no momento adequado, acumulamos problemas que poderiam ser resolvidos com mais facilidade. Não há dúvida que sairemos desse "incêndio", entretanto isso custará muito mais do que deveria.
Não há como reverter o processo de envelhecimento da população e aumentar as taxas de natalidade. Isso demorará na melhor das hipóteses de três a quatro décadas para surtir efeito, então... É necessário que estejamos preparados para profissionais com 70 ou mais anos nas organizações. Mecanismos melhores para o trabalhador rural, já que também no campo a mão de obra não crescerá e também envelhece, nos mesmos padrões da urbana.
Profissionais melhores qualificados no futuro são preparados hoje e assim dezenas de pequenas ações que "devem" ser realizadas "JÁ".

O envelhecimento de sua população é uma aspiração natural de qualquer sociedade. Mas tal, por si só, não é bastante; é também importante almejar uma melhoria da qualidade de vida daqueles que já envelheceram ou que estão no processo de envelhecer. Manutenção de autonomia e independência é uma tarefa complexa que resulta dessa conquista social. O desafio para os países subdesenvolvidos é considerável. No passado, quando as populações dos países europeus começaram a envelhecer, tais países eram os mais ricos e poderosos do mundo.
Tome-se a Inglaterra como exemplo; o envelhecimento de sua população teve início após a Revolução Industrial e no período áureo do Império Britânico. Portanto, a sociedade inglesa pode teoricamente dispor de recursos para fazer face às mudanças ditadas pela transformação demográfica que ainda está em curso naquele país. Hoje, quando vários dos países subdesenvolvidos assistem suas populações envelhecerem, a situação é distinta. Tais países não completaram ainda um ciclo econômico e político e permanecem carentes em vários sentidos; não dispõem de um império fornecendo riquezas e um mercado assegurado para seus produtos. O modo como os países subdesenvolvidos responderão a esse desafio proposto pelo envelhecimento de suas populações dependerá em grande parte do grau de sensibilização ao problema por parte da sociedade como um todo e de seus profissionais e políticos em particular.

Envelhecimento da população e menor fecundidade são desafios também, para sistema de saúde, aponta o IBGE.

Com o ritmo de crescimento populacional menor e a expectativa de vida maior, o Brasil terá de enfrentar novos desafios na saúde pública.
Segundo um estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado dia 02 de setembro de 2009, os idosos consomem mais recursos do sistema de saúde devido às internações mais freqüentes, ao maior tempo de ocupação do leito e às várias patologias que os afetam.
O estudo mostra que, hoje, as doenças crônicas atingem 75,5% dos idosos - na faixa etária de 0 a 14 anos, a proporção cai para 9,3%. As principais causas de morte para pessoas acima de 60 anos são as doenças circulatórias, respiratórias e os tumores.
O custo de internação per capita aumenta com a idade: um paciente entre os 60 e os 69 anos custa ao sistema de saúde R$ 63. Dos 80 anos em diante, o valor sobe para R$ 179. Além disso, somente 29,4% dos idosos têm plano de saúde particular.

A esperança de vida do brasileiro ao nascer atingiu os 72 anos em 2005 e subiu para 78 anos em 2006; eu desconheço estatísticas mais atualizadas. Já a taxa de fecundidade que chegou a dois filhos por mulher em 2006, para se ter uma idéia das mudanças ocorridas na sociedade nas últimas décadas, em 1980 este indicador apontava 4,4 filhos por mulher.
Conclui-se, portanto, que o envelhecimento populacional ocorre tanto pelo envelhecimento natural das pessoas, quanto pelo menor índice de nascimentos. Se por um lado isso é motivo de comemoração e felicidade, por outro há necessidade urgente de políticas estratégicas para essa nova realidade social.
Antes os desafios eram se poderíamos alimentar a superpopulação, hoje sabemos que o mundo é capaz de produzir alimentos em quantidade adequada (apesar de mal distribuídos). Outro problema, preservar os recursos naturais a fim de atingir um desenvolvimento sustentável (parece que temos progredido neste sentido).
Mas, estamos frente a novos desafios e novas soluções... Será que a humanidade, e em especial os brasileiros, darão conta deste enigma?

                                      FONTES:

• O envelhecimento da população brasileira:
   um enfoque demográfico _ José Alberto Magno de Carvalho,
                       Ricardo Alexandrino Garcia;

• O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL.
                              UM DESAFIO NOVO _
                  Revista Saúde Pública, 1987; Alexandre Kalache,
                         Renato P. Veras, Luiz Roberto Ramos;

• PLOX _ Ciência e Saúde _                                                                                                            http://www.plox.com.br/caderno/ci%C3%AAncia-e-sa%C3%BAde/envelhecimento-da-popula%C3%A7%C3%A3o-e-menor-fecundidade-s%C3%A3o-desafio-para-sistema-de-

• Silvia Chiapinotto _ Dinâmica de População do Mundo


• Armando Pastore Mendes Ribeiro; Terra _
               Recursos  Humanos: O país envelhece e
                            o que fará o RH?
Tânia Regina Voigt
Enviado por Tânia Regina Voigt em 05/10/2009
Reeditado em 16/01/2015
Código do texto: T1850213
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Tânia Regina Voigt
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