"Se não os temos, como sabê-lo?"
 (Amigos e amigas, compartilho com vocês este artigo escrito por meu filho)

 

Hoje eu acordei com uma vontade cortante, angustiante de beijar os meus filhos.  Apressei-me em olhar Rodrigo - que é o filho que (ainda) mora comigo - e cutir a beleza, a tranquilidade e a paz que se manifestam na imagem de uma criança dormindo.

Imediatamente depois, passei a mão no telefone e liguei para a primogênita - que mora com a mãe, a cinquenta Km daqui - mas, como eu já esperava, ela ainda dormia. Ela foi morar um pouco longe, mas eu ainda sei todos os seus horários. Pena que não pude apreciá-la ainda dormindo hoje. Tudo bem, ainda (de anteontem pra) ontem eu te ninei, Eduarda, esperei você levantar e fui fazer o seu café.

Depois de ter acordado com essa vontade, fiquei boa parte da manhã com um poema de Vinícius de Morais na cabeça, e acho que foi isso que me levou a escrever este texto. O beijo em Rodrigo eu já dei (vários, por sinal), agora já consegui falar com Eduarda (tenho necessidade vital de fazer isso diariamente), então, precisava escrever pra ver se parava de ficar pensando no poema.

Disse o Poetinha:

Filhos...filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

Eu tenho certeza que há alguns caras que não nasceram para a paternidade. Eu, certamente, não sou um deles! Meus filhos não foram programados, isso eu sei, mas há quase quinze anos (que é a idade da minha princesa) que eu sei que o mundo teria tons muito mais acinzentados, opacos, não fosse o colorido, de um brilho quase ofuscante, que a existência deles traz!

Oportuno é o raciocínio de Fabio Ulhoa Coelho, quando diz: "Mostrar o mundo para o filho é redescobri-lo nos seus perdidos detalhes: depois de crescer, a gente só se recorda que a lagarta se metamorfoseia em borboleta, e tantas coisas mais, ao falar disso com ele. Ter filhos, vivenciando intensamente a relação, é rejuvenescer." 

Parece que Rodrigo sabe disso, mas o que ele não sabe (do alto dos seus quase três anos) é que a gente fica mais jovem na cabeça e no espírito, fisicamente nós não somos mais os mesmos e não dá pra ficar toda hora sendo o cavalo de corrida, o piso do pula pula ou sustentando ele no ar pra que ele voe igual a abelhinha do Bee Movie (socorro, um ortopedista!!).

Filhos? filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos Convulsos
Meu Deus, salvai-o!

É trabalho hercúleo, eu acho que já fiz queixas pra mim mesmo um zilhão de vezes, mas a recompensa de vê-los estarem bem depois de uma gripe, crise de garganta ou um machucado, faz qualquer fadiga parecer fichinha. Por vocês eu aprendi a lavar roupa, varrer casa, lavar pratos e evoluí de um nissin miojo para uma feijoada complexa. Lembra do macarrão com atum, que hoje você já faz tão bem, Eduarda? Aprendi a fazer tudo o que vocês gostam, meus filhos!

É claro que eu tenho plena consciência de que a minha condição é fruto do que eu adquiri dos meus pais, a quem eu devo tudo e que sempre cuidaram e cuidam, protegeram e protegem a mim, meus irmãos e seus netos. Não poderia ser diferente tendo os pais que tenho. Com eles eu continuo aprendendo que a distância não separa, une, que esta mesma distância não é obstáculo que impeça que estejamos sempre muito próximos, colados mesmo. Que o amor dá um nó que não desata nunca!

Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Eduarda e Rodrigo são o que me há de mais caro, tudo o que eu mais amo e eu espero poder, pelo resto de minha vida, fazer com que vocês se orgulhem cada vez mais de descenderem de mim. Independente de vivermos o tempo todo na mesma casa, nós estamos e estaremos o tempo todo juntos!

Autor: Paulo Roberto Nieto D'Errico - primogênito, nascido em Bogotá/Colômbia, 1972, advogado, pai de Eduarda e Rodrigo.

Texto publicado no blog: www.camacarisemcensura.blogspot.com, 
em 04/07/2010

COMENTÁRIO QUE FIZ PARA ELE

Filho, 
O que dizer diante de uma declaração de amor? Sempre soube desse teu coração que abriga os mais belos sentimentos. Você é íntegro, sensível, generoso. Ser humano incomparável.

Tenho em ti a certeza de que o mundo, sim, pode ser melhor. Basta para isso, que tenhamos todos a capacidade de amar, com este amor que em ti foi semeado - não por mim - mas, por Deus, por seres dEle filho perfeito. fiel, justo e bom. Para mim tu és exemplo de dignidade, de desprendimento, de doação. Teus filhos são abençoados. Hoje é raro ver um pai declarar - sem nem nenhum receio - este amor pleno, verdadeiro, ímpar.

Intertextualizando:
Filhos, que bom é tê-los, aconchegados ao peito, debruçados no colo, azucrinando nossa cabeça, tirando nosso sono... Filhos?
 
Que bom é tê-los, choramingando de birra, jogando brinquedos por todo lugar, correndo descalços pela lama, rabiscando paredes do quarto, virando a casa de pernas pro ar...Filhos? Só quem não os tem jamais saberá do prazer de AMAR.

É por isso, querido filho, que bens sabes dizer do amor paternal e dizer o não-dito que em ti está guardado,porém que eu percebo e sinto contigo a tristeza da separação, a dor de não poder estar - fisicamente - de corpo e alma com teus amados e queridos filhos.

Lembre-se: Deus tem um propósito na vida de cada um de nós. tudo que nos acontece não é por acaso. Há lições para ser aprendidas. Tira delas proveito. Fortalece-te, que tudo mais te será acrescentado pelas graças do nosso Deus. Beijos


PRESENTE DA AMIGA ANGÉLICA GOUVEA

 
 
P ela alegria que traz
A qui veio e faz
U ma declaração de paternidade
L ição de responsabilidade
O nde ser pai é prioridade.

R espeito, amor e carinho
O brilho no olhar em seu ninho
B asta o desejo de dar colinho
E xpande no coração, a proteção
R egistro a minha admiração
T er peito aberto e emoção
O rgulhar-se de cumprir essa missão.



 

 

Maria Luiza D Errico Nieto
Enviado por Maria Luiza D Errico Nieto em 06/07/2010
Reeditado em 15/08/2023
Código do texto: T2362386
Classificação de conteúdo: seguro
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