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Pós Modernidade: STF libera passeata da maconha

E esta a decisão do Supremo Federal, que vincula o judiciário de todo o país a não proibir mais as manifestações públicas a favor da liberação das drogas?

Marcha da maconha que por insistência da Procuradoria Geral da República entrou na pauta de julgamento, depois que ela foi enfática ao dizer: " o STF não pode mais adiar uma manifestação ".

Criticou este julgamento um frequentador do forum livrearbitrio.com, de onde também foram tirados os comentários abaixo:

" A nossa suprema corte atual, provavelmente seja a nossa pior em toda a história! Tratam-se de ministros absolutamente comandados pelo governo [ indicada a maioria por Lula, e referendedos no Congressa por seus aliados ], o qual viu no STF uma saída politicamente blindada e em todo inconsequente, e explico porque: ao invés do governo por nas mãos do Congresso Nacional os assuntos mais polêmicos, o que pode prejudicar os deputados e senadores em futuras eleições, o governo simplesmente está pondo tudo nas mãos do STF, já que não há consequências políticas ou administrativas aos ministros (que têm cargos vitalícios) e também não possibilita novas discussões, já que é a instância derradeira, e assim, não desgasta a presidência. Ou seja, é o famoso jeitinho brasileiro de fazer malandragem e sequer ficar manchado. Enfim, o que vemos hoje é um STF totalmente manipulado e voltado à politica. "

Porque de fato se vê que a Presidencia da República, e os deputados coligados oa governo, hoje evitam o desgaste de promover causas impopulares, como tem sido o casamento gay, da Marta, o projeto de lei criminalização da homofobia, ou ainda kit anti homofobia nas escolas ( kit gay ). Por isso hoje logo despacham o abacaxi para o STF descascar.

Qe o STF então decida assuntos como o da equiparação de direitos das uniões estáveis, homossexuais, com o casamento civil; mais o revoltante caso Batistti.
 
O Procurador Geral da República, que é indicado pelo Presidente da República, para um mandato curto  ( ele que pediu o arquivamente da acusação contra Palocci, por enriquecimento ilícito, quando faltava só dois meses para acabar sua nomeação, visando ser renomeado ) então deixa que a pressão externa influa em seus atos.

Dado o pontapé inicial os juízes do STF seguem direitinho o seu script que ultrapassa a independência do Judiciário, para merecerem chacotas do tipo:

" O STF tem feito com o direito a fim de satisfazer as obscuras intenções políticas... Pra quem gosta de "viajar", além da maconha, as fundamentações do STF têm de fato sido um prato cheio... Ou melhor, "uma ótima droga!"

Isso porque o governo Lula e o PT não dão ponto sem nó:

Pois ao chegarem ao Executivo Federal, oito anos atrás, primeiro lançaram sementes para em relação as drogas, ao deslocarem a questão da área policial para a área de saúde - tirado o foco da esfera criminal, e das campanhas proibicionistas - quando implantaram por todo país  políticas públicas de Redução de Danos.

Pronto! Era chegado o tempo de se aprender com as próprias drogas e seus usuários como mitigar o seu uso nocivo. Nisto consiste o norte do conceito de Redução de Danos.

Neste caso, o que antes era matéria prevalente para médicos, educadores, farmacologistas - ressaltado sempre o conceito do mal que a droga causa - então passaram a ter mais voz os sociólogos  e a nova geração de psicólogos, juristas e criminalistas, que declaram até nos departamentos das universidades, em teses de mestrado e doutorado, ter chegado o tempo de se ter o usuário light das drogas, que não se acaba no vício nem aos outros (família e sociedade ).

Tempo de não punir os pequenos traficantes e apenar os maiores com critérios holandeses, conforme a quantidade de droga com que foram pegos.

Nova geração de cabeças pensantes que evitam ponderar questões como essa, que um frequentador do fórum citado acima colocou:

" É dito que a legalização acaba com o trafico. Ok, utopicamente o fluxo natural é esse mesmo, agora, alguém já viu um estudo para saber qual o preço que o cigarro de maconha custaria legalmente no Brasil caso fosse legalizado, e com toda carga de impostos que é sempre característica do nosso país ? Hoje o traficante vende por 1 real a grama, na Holanda onde é liberado era 19 reais em 2007. Alguém sincera e honestamente acha que o nóia vai deixar de comprar do traficante pra ir comprar legalizado ? Ou msm o cara da classe media, que sempre conhece um traficante e não tá nem ai que vai financiar o trafico, vai deixar de comprar ? Existe uma lei especifica para a quantidade de alcool no sangue para que a pessoa possa dirigir e não ser presa. Como seria isso para a maconha ? Tipo, o cara fumou um beck pode, se fumou 2 não ? Existe maconhometro ?"

O ar satanizador que as campanhas anti-drogas tinham, por causa das políticas proibicionistas, e o conceito de abstenção total delas como mehlor meio de prevenção, agora dá lugar a um tempo onde não só o usuário e o pequeno traficante é visto com compaixão, como também ve-se estigma e preconceitos em tudo que se fez para combater as drogas.

Agora, draças aos intelectuais e ideologos pró liberação  o discurso é bonito e com argumentos bem sedutores:

-> sobre a liberdade de expresssão:

"  Quem quer marchar pelo fim da corrupção que o faça e deixe quem quer marchar pela maconha. Estão com medo de que a verdade prevaleça? Pois isso é inevitável meus caros. Alias até pouco tempo atrás não se podia nem isso, mas agora se pode e também se pode discutir qualquer lei, inclusive a da proibição da maconha, que é uma lei absurda e sem fundamentação científica."

-> sobre dependência:

" Dizem que a maconha é a porta de entrada pra drogas mais pesadas? O unico motivo que tem pra achar isso é porque do mesmo lugar que vc compra a maconha vc compra o crack e a cocaina (traficante), mais um motivo para legalizar, pois ai vc estaria comprando em um local legal, aonde não se vende esses outros tipos de droga."

-> motivos que levam ás drogas:

 " As pessoas tem mania de achar que estes drogados que ficam pulando de uma droga pra outra são assim porque lhes foi incitado desta forma (aliciados). Mas na verdade, estas pessoas são assim por natureza, seja através da droga ou de ações de outra natureza, elas sempre vão enveredar-se por caminhos parecidos. "
 
***

( O julgamento no STF )


 Assim, a primeira parte do julgamento, os ministros rejeitaram pedido feito pela Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos (Abesup) para legalizar o cultivo doméstico da planta da maconha e seu uso para fins medicinais e religiosos.

A liberdade de debater a legalização de drogas em atos públicos também foi defendida no plenário do STF pela Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos (Abesup) e pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

O advogado da Abesup Mauro Chaiben defendeu a necessidade de discutir, por exemplo, o benefício da redução da criminalidade no caso de legalização dessas substâncias. Para ele, até a dependência causada pela maconha poderia ser reduzida se a droga fosse consumida em sua forma “pura e simples, sem a energia negativa do tráfico”.

“O modelo proibicionista criou novas drogas ainda mais danosas. A liberdade de expressão há de prevalecer justamente para proporcionar esse debate que aqui apresento”, afirmou Chaiben.

Para o advogado do IBCCRIM, Luciano Feldens, a restrição ao direito de manifestação e reunião só poderia ser admitida num estado de sítio, que não é a situação do Brasil.

“Inexistiria qualquer razão para que a liberdade de expressão fosse alçada à condição de direito se ela protegesse exclusivamente o direito a manifestações compartilhadas pela ampla maioria da sociedade”, afirmou Feldens.

***

( O pensamento de cada Ministro do STF )

 
Celso de Mello (relator): "O Estado não pode nem deve inibir o exercício da liberdade de reunião ou frustar-lhe os objetivos (...) ou ainda pretender controle oficial sobre o objeto da passeata ou marcha. É perfeitamente lícita a defesa pública da legalização das drogas na perspectiva do legítimo exercício da liberdade de expressão"

Luiz Fux: "A entidade Marcha da Maconha constitui evento público decorrente da liberdade de expressão coletiva. A liberdade de expressão, enquanto direito fundamental, tem caráter de pretensão que o Estado não exerça censura"

Cármen Lúcia: "A liberdade é mais criativa do que qualquer grilhão que se possa colocar no povo. Alguns avanços se fazem dessa forma, postulando algo que neste momento é tão grave e com o tempo passa a ser normal para todo mundo"

Ricardo Lewandowski: "A marcha nada mais é do que uma reunião em movimento e, por isso, está garantida na Constituição. Eu entendo que não é licito coibir qualquer manifestação a respeito do que seja uma droga lícita ou ilícita, desde que obedecidos os preceitos da Constituição"

Carlos Ayres Britto: "Nenhuma lei pode se blindar contra a discussão do seu conteúdo, nem a Constituição está a salvo da ampla e livre discussão dos seus defeitos e virtudes".

Ellen Gracie: "Me sinto aliviada de que a minha liberdade de pensamento esteja garantida"

Marco Aurélio: "Os brasileiros não suportam mais falsos protecionismos, cujo único resultado é o atraso e a ignomínia de um povo. A liberdade, como ato de expressão, não pode admitir teias"

Cezar Peluso, presidente do STF: "A liberdade é uma emanação direta do valor supremo da dignidade da pessoa humana. Toda dignidade estaria gravemente mutilada se a pessoa não pudesse se manifestar como tal, manifestando seu pensamento. É condição necessária para a formação e o funcionamento do mercado de ideias e da circulação de opiniões "

***
 
( A liberação da marcha da maconha e a pós modernidade )

Na Pós moderidade ( PM )  ao invés da verdade como bem absoluto, entram em cena o jogo de aparências, a teatralidade.

É o espírito estético pós-moderno:

Um jogo de imagens que, aos olhos do outro, sempre carece de maiores satisfações se não for espetacular. Por isso, o foco na pós-modernidade é aposentar o discurso da verdade absoluta, e colocar no lugar o desejo de experimentar o mundo.

A pós-modernidade teria assim, como característica principal, a vivência do agora, independente dos valores de mentalidades passadas. Gerada a partir daí uma atitude de análise que não mais vise o julgamento, mas sim a contemplação, pois não se sabe o que está para vir para tomar o lugar do que estava antes instituído.

Por isso dizem que as manifestações pela liberação das drogas estão liberadas mas o consumo não.

Aqui um exemplo onde a atmosferade contemplação parece valer mais que o tradicional saber jurídico; esta a ministra Cármen Lúcia que citou a “criatividade” dos manifestantes para debater o assunto, mesmo diante das proibições, lembrando que em algumas marchas a palavra “maconha” foi trocada por “pamonha” e os atos transformados em protestos pela liberdade de expressão:

“A liberdade é mais criativa do que qualquer algema que se possa colocar no povo. (...) Alguns avanços se fazem dessa forma, postulando algo que neste momento é tão grave e com o tempo passa a ser normal para todo mundo. Tenho profundo gosto pela praça porque a praça foi negada a nossa geração”, afirmou a ministra ao fazer referência a proibição de manifestações públicas durante o regime militar (1964-1985)."

***


Tempos da pós modernidade na casa maior do judiciário brasileiro: PM que tem como outra face da moeda o relativismo, aqui comentado por um sociólogo de renome, Mafessoli, relativista de carteirinha:

"O relativismo de que se trata aqui,  consiste em relacionar os diversos elementos da vida e em atestar o fluxo vital, que é, segundo o constructo vigente, incessante. Tudo isso torna caduco todo e qualquer dogmatismo e favorece uma sensibilidade teórica que prefira a humildade das coisas à pretensão dos conceitos, para compreender relações e fenômenos sociais que estão apenas em estado nascente, mas cuja importância é difícil negar, seja ela quantitativa ou qualitativa. "

***

Neste caso a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, responsável pela propositura da ação em questão, julgada agora no STF, defendeu a importância das leis anteriores à Constituição de 1988 serem reinterpretadas:

“A primeira grande objeção é supressão da visão positivista de que aos textos são unívocos, de que as palavras se colam às coisas de modo definitivo. O que está em debate é a liberdade de expressão como uma dimensão indissociável da dignidade da pessoa humana. Não cabe ao estado fazer juízo de valor sobre a opinião de quem quer que seja”, afirmou a vice-procuradora.

Boa aluna esta procuradora. De Miguel Reale? Não, do relativista MAFFESOLI.

***

Porque esta pessoas não andam pelos lugares onde se podem encontrar gente desesperada com o problema das drogas.

Neste mesmo momento em que escrevo este texto, numa Lan House da Barra Funda, ao lado um homem fala ao celular depois de ter chegado da delegacia, onde seu filho menor aguarda ser mandado para a Fundação Casa, por tráfico de drogas. Como foi o flagrante, o que aconteceu exatamente, ele nem conseguiu saber na Delegacia.

Pai que revela ser desquitado e diz que ele não pode sequer sair do trabalho, para voltar novamente na delegacia, pois faz duas semanas que entrou no emprego novo ( "trabalho 14 horas por dia atrás de uma bandeja, porque optei por levar uma vida honesta", diz o garçon ) e não quer perde-lo, como aconteceu no último emprego, quando teve que sair várias vezes para ir atrás do filho.

Como você se sente, pergunta a pessoa do outro lado da linha, e ele responde que não sabe como se sente. Diz que lavou as mãos, na frente do delegado, e  deixou seu garoto lá, já que cansou de correr atrás para soltá-lo. Será que a polícia pode fazer algo contra mim, ele pergunta à pessoa do outro lado da linha, e ele mesmo responde sem esperança: creio que não!

Um pai anestesiado. Assim como anestiadas estão as consciências dos que negam que a maconha possa servir de porta de entrada para outras drogas; este o norte hoje em dia:  "Eu fumo o meu e sou responsável, não me venha chamar de largado, tenho sim direito de plantar maconha na minha casa ( o que o distinguirá de um traficante ) e curtir meu barato".

O filho do garçon está na delegacia, aguardando ir para a antiga FEBEM, e este pai está absorto:

- não entendo mais nada, ele parece está curtindo estar preso, disse que não está nem aí; o que eu posso concluir? que aquele é o ambiente dele! Bem que o rabino me disse: deixa ele quebrar a cara (garçon judeu ).


***


É a desconcertante pós modernidade:

Onde o homem é co-criador do seu meio, capaz que é de se salvar e evoluir, livre dos princípios mais rígidos, do desenvolvimento moral e espiritual, isso graças à  flexibilidade e relativização que vai ocorrer frente às mudanças de seu tempo, o que gera novas atitudes - esta a chamada Ética Estética: um desejo de se viver o agora e com isso intensificar as emoções e a experimentação por excessos.

Neste caso, dizem os sociólogos,  hoje o desejo de comunhão, que antes só se vivia nas igrejas, nas grandes comemorações cívicas, realiza-se agora na Parada Gay, na Marcha da Maconha.  E não é o que se vê : o STF dá à liberdade de expressão do pensamento e direito de reunião um carater absoluto e irrestrito  aí se tem um simulacro da comunhão mística com o absoluto? É o Supremo que diz ! Esteticamente isso valendo como se Deus tivesse decretado.

Puxa que grande espetáculo !

Em cima disso explicam os sociólogos: " O princípio místico, volátil, permite o crescimento das imagens internas, sejam elas quais forem, quando se torna possível viver os paradoxos".

Paradoxo que no caso da passeata da maconha na Paulista não quer dizer que a maconha esteja liberada, como não para de repetir o sub procurador.

***

Maffesoli o arauto da pós-modernidade explica que o homem contemporâneo, pós-moderno, deixa de lado o racionalismo
científico moderno, em prol de uma vivência mais orgânica, mais sensível com o meio, quando este cidadão desenvolve a questão da dimensão estética do viver; estética compreendida na sua forma de
“estar junto”.

Segundo ele deve-se entender neste caso " estética no seu sentido mais simples:

 " Vibrar em comum, sentir em uníssono, experimentar coletivamente, tudo o que permite a cada um, movido pelo ideal comunitário, de sentir-se daqui e em casa neste mundo. Assim, o laço social é cada vez mais dominado pelos afetos, constituído por um estranho e vigoroso sentimento de pertença. "

***

Isso sim é que vibrar em comum: decisão unanime dos ministros, no melhor estilo, tapa na pantera, jurídico.

Se em Weber foi declarada a dessacralização do homem com seu meio, o seu desencantamento do mundo, Maffesoli defende que o processo pelo qual o homem pós-moderno passa é o de reencantamento.

***

Encatamento, desencatamento, reencantamento:

Se pensarmos no começo do século XX, época do surgimento do modernismo - com seus ideais de progresso coletivo, desfrute de benesses que a industrialização e a métrópole daria a todos, como nunca antes nunca se teve - então isso tudo representava o encantamento, quando a droga representava uma ameaça a este progresso, por tornar a pessoa improdutiva, um transtorno para sua família e sociedade.

Daí surgiram as políticas proibicionistas em relação as drogas, quando então, próximo à virada para o século XXI, viria o desencanto com essa época: quem são os países imperialistas para dizer o que devemos fazer? Fim do encantamento com o modernismo, quando a equação agora é outra, econômica: com  o que se gasta para coibir as drogas pode-se gastar em saúde, que sabe até para fazer como um certos países europeus onde o governo oferece a droga pesada aos viciados e lugar bom para consumir. Reencantamento que chega com a bandeira de que a liberdade do homem e o seu livre arbítrio são fatores suficientes para pautar sua conduta e por isso deve ser respeitado religiosamente e não atropelado por um Estado que  pretende agir como se fosse Deus, desconsiderando  a vontade individual.

Diz à respeito o papa da pós modernidade:

" Então, quando falo de um reencantamento do mundo, falo de uma modernidade que termina. Não concordo de falar de modernidade segunda ou de um estágio posterior da modernidade. Algo qualitativamente diferente está se produzindo. E este qualitativamente diferente nos remete a esta Terra – amor mundi. Nesse sentido, devemos recorrer às intuições de Nietzsche, que tão bem mostrou isso. Curiosamente, o amor pelo mundo vem acompanhado por uma forma de reencantamento – pouco importam as expressões. Eu diria que isso reintroduz justamente o politeísmo. (MAFFESOLI in SCHULER, 2006, p. 60-61.)."

***

Demorou mas Nietzsche deu as caras, pois era preciso dizer solenemente que hoje é preciso fazer a releitura de tudo:

Neste sentido, graças ao saber relativista da redução de danos, o crack não é mais o bicho papão porque descobriu-se que o pitilho - a pedra light ( lascas de crack misturada á maconha ) - não te deixará um zumbi, muito menos um psicopata, pronto para matar e roubar (para arrumar mais drogas ), quando o pity te permitirá até trabalhar, levar uma vida social ( e viva a maconha que permitiu tudo isso ) e desfrutar de certa saúde.

Para o colonialismo cristão o bem não tinha como ser gerado a partir do mal, mas isso foi antes do multiculturalismo.

Antes da aids era o bicho papão, hoje o poder público dá seringas descartáveis, coquetéis de remédios, o que permite ao aidético levar uma vida normal, quando se conseguiu até mesmo a quebra da patente para o remédio para a AIDS. Reencatamento, que surge do saber que o grupo de risco que mais crescia - consumidores de drogas injetáveis - gerou quando os sociólogos foram aprender com eles; por exemplo:

- Se você transar sem camisinha e depois ficar encanado vá ao posto de saúde no dia seguinte tomar um coquetel, mas não diga que foi transa, diga que você foi tirar um saco de lixo, da frente da sua casa, e uma agulha para fora do saco de lixo te espetou.

***

Tudo isso, segundo esta sociologia, vai dando um reencantamento depois de todo desencanto. Pós-modernidade onde não se deseja apenas o bem, porque este desejo é hipócrita e utopico.
Por isso numa campanha anti drogas não se pode falar em um mundo sem drogas; porque seria hipocrisia ( afinal existe consumo legal de alcool e tabaco ). Algo que tem a ver com o que diz Maffesoli:

“ O bem deixou de ser a meta única. Há aqui algo do viver trágico do mundo que existe em Nietzsche, quando a aceitação da vida deve ser feita inclusive na sua parte “ruim”, pois essa é uma condição típica do homem pós-moderno, o homo estheticus. (MAFFESOLI, 2004, p.53)"

Explica o sociólogo e thelemista Ivan Alexander Mizanzuk:

"  Há beleza no conflito, no sofrimento, nas emoções latentes que desejam transparecer. A “parte do diabo” desempenha importante papel no mundo contemporâneo, e as afeições que nascem das relações sociais não são (e nem visariam ser) completamente racionais ou logicamente estruturadas, como espírito moderno desejava. As
emoções entram em constante jogo no viver. Há irracionalidade no ar. E, com as emoções, há o surgimento das relativizações totais dos valores – quebra dos ideais monoteístas, das buscas pela
Verdade Única - que seriam típicos da Modernidade. Maffesoli fala em um “politeísmo de valores”, ou, ainda, citando o poeta português Fernando Pessoa, “paganismo como princípio vital (MAFFESOLI in SCHULER, 2006, p.38).  "

***

Vejam as opiniões de jovens aí acima - contra e a favor da maconha - confiram se hoje  não corre aquilo que o arauto da pós modernidade bem descreve:

" Assim, não há mais uma Verdade única, geral, aplicável em qualquer tempo e lugar, mas, ao contrário, uma multiplicidade de valores que se relativizam uns aos outros, se completam, se nuançam, se combatem, e valem menos por si mesmos que por todas as situações, fenômenos, experiências que supostamente exprimem.(MAFFESOLI, 2008, p. 56)."

***

Vai vendo ...

Primeiro se fala de encantamento e desencantamento, em ideal estético, aí mais um pouco já tomam coragem e citam Nietzsche, mais um pouco prestam reverência ao espírito questionador do diabo, e aí já começam a falar naquele inglês que nasceu a mais de cem anos atrás, que recebeu o apelido de " o homem mais perverso do mundo " :

Pois Mizanzuk além de entender tudo de pós modernidade entende muito mais ainda de Aleister Crowley, criador da Lei de Telema: tratado  metafísico que leva  a vontade individual a uma categoria mística:

" No caminho místico apontado por Crowley vemos a dissolução de grandes metanarrativas institucionais (por exemplo, no acreditar em que a sua Igreja lhe diz) em prol de um desenvolvimento pessoal, individual. Há aí a desconfiança por um individualismo exacerbado.
Contudo, quando um thelemita diz “Faze a tua Vontade”, há aí um consentimento mútuo: ele não está dizendo “eu faço minha Vontade”, mas sim permite ao Outro que a faça. "

Mas com alguém como Crowlwy, que foi expulso de tudo quanto é lugar, sua abadia na Itália exorcisada, quando foi expulso da Itália, continua exercendo tanta influência?

E não se trata de Beatles e Raul Seixas apenas.

Seus biógrafos acham que pelo fato de ter acessado esferas infernais (num dos seus ritos, mais de 350 demônios corriam em torno de um círculo ) então muita energia ruim vazou, muita bad vibes, porque Crowley morreu como viveu: completamente viciado, aparentando 90 anos quando tinha só 70; dias em que seus discípulos pagavam-lhe a heroína - que ele precisava até mesmo tomar no meio das refeições - quando educadamente pedia licença aos convidados e aplicava ali no meio da mesa doses tamanhas que matariam outro homem qualquer.

Esta a primeira metade do século XX, quando depois da primeira guerra mundial o que mais tinha eram sociedades secretas e confrarias, que hoje equivaleriam às tribos urbanas.

De novo Mizanzuki:

" A esses micro-núcleos sociais, Maffesoli dá o nome de “tribos urbanas”. Tais tribos, caracterizadas por dinâmicas sociais que
intercambiam e dividem valores simbólicos a todo momento, uma sociabilidade volátil, constituem uma nova forma de socialização: o viver estético, como apontamos há pouco. "

É engraçado que no encontro marcado no vão do MASP, para apoiar e desagravar o Deputado Bolssonaro - que vinha sendo acusado de ser homofóbico, e por isso sofre processos, por não concordar com a PL 122 - quem foi tentar dispensar o ato foram membros de sindicatos, aliados ao Governo Federal.

Num curto espaço de tempo, enquanto quinhentos fumetas se abrigam no mega guarda chuva do STF, em nome do direito de livre expressão e direito de reunião, Bolsonaro é dispersado por membros de sindicatos de trabalhadores que apoiam o governo Lula.

Interessante ver como estes mesmos sindicatos oferecem apoio logistico e equipamentos para as paradas gays pelo país.

Que significado dar a este tipo de acontecimento, ou dos sem terra terem feito um quebra quebra nas instalações do Congresso quando saiu o mensalão que ameaçava de tirar o Presidente da República?

Mas é por isso que existem sociólogos feito Mizankuki - para oferecer o substrato teórico e ideológico para tudo isso :

" Se analisarmos essa questão da permissão ao Outro, podemos determinar ainda melhor as facetas de dinâmicas sociais da filosofia crowleyana dentro de uma ótica maffesoliana: os afetos surgem, guiados agora pelo conceito místico da Vontade, que, sendo inata, cria vínculos e tensões sociais que serão sempre bem-vindas – afinal, “a existência é puro prazer” (Livro da Lei, Cap. II, 9).

***

Explicado como todos aquele ministros do STF, que passaram a vida estudando por outros livros, de repente deram ouvido ao canto da sereia  da pós modernidade?

Continua o thelemista:

" É então dessa forma que podemos ver Crowley como um pensador à frente de seu tempo: ao dizer que “não há Deus senão o homem”, ele diz que a própria salvação se encontra no viver agora. Já a noção do “perder-se no outro”, no “coletivo”, como expressa Maffesoli, é uma das formas de se entender essa posição. Em Thelema, o viver místico é um perder-se no Outro, assim como no Absoluto. O Outro é o Absoluto. E o desejo por tal experiência seria, segundo Maffesoli,
uma forte característica de uma religiosidade pós-moderna."

Coisa que o papa da pós modernidade referenda :

" Tenho insistido com freqüência nessa transcendência imanente específica da religiosidade pós-moderna. Podemos lembrar aqui que ela emana desses “confins misteriosos”, ou seja, das situações-limite provocadas pela união dos corpos e das almas. Isto gera uma exaltação específica, que não distingue o bem do mal e se mostra inclusive indiferente a semelhante divisão, exaltação que a partir desse
momento enfatiza o surreal no próprio interior da vida de cada um. Entende-se melhor, assim, como o êxtase místico, em suas diversas modulações, sempre preocupou os poderes estabelecidos, as teorias racionalistas e os gestores de carteirinha do sagrado. (MAFFESOLI, 2004, p.156).

***

Mas se engana quem for pensar que foi a passeata da maconha que despertou todo este clamor.

Este um sonho do qual já se falava  no I Simpósio Cannabis Sativa  e Substâncias Canabinóides em Medicina, ocorrido em São Paulo, entre 15 e 16 de abril de 2004 - evento promovido pelo CEBRID -Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, Dep. de Psicobiologia da UNIFESP/EPM e SENAD Secretaria Nacional Antidrogas.
 
Simpósio onde os especialistas conversam também sobre uso terapeutico do bangue - maconha usada pelos sadhus da Índia - ou do aprendizado que se podia ter com as chamadas plantas-espírito, ou plantas professoras, dentre as quais se distingue a raiz e casca do  " iboga ", apontada como remédio para o vício do crack:
 
O uso terapeutico do IBOGA um conhecimento dos curandeiros de  tradicionais  países da bacia do Congo, seguidores da religião do Bouiti na Guinea Equatorial, Camarões e sobretudo no Gabão. Abada Mangue Clavina  o presidente da Associação Bombo Ima et Bandeei (ASSOKOBINAC) dos Camarões e líder da igreja Bouiti Dissumba Mono Bata em Yaounde.
 
Iboga que logo fez surgir por lá duas ONGs: uma das ONG destinada a difundir o uso da iboga, enquanto a ONG co-irmã luta contra a extinção da Iboga.

Já pensou os Ministros do STF num trem da alegria indo conhecer a  ASSOKOBINAC ?

***

Como rende qualquer coisa que se faça na avenida Paulista, não é mesmo?

Teatro Jurídico para fazer inveja ao teatro da Grécia Antiga, tanta catarse promove, graças ao grande desempenho dos seus personagens chave: Ministros e Procuradores da República!

O que bastou para que este ministros fossem unânimes em liberar a passeata?

Relativismo puro, que segundo os sociólogos se caracteriza por validar ações desembaraçada de propósitos, livres da ânsia de resultado.

 Esta uma máxima nas regras do relativismo moral: " Abaixando o nível de consciência, elimina-se também os julgamentos pessoais, quando os atos então tornam-se livres, cheios de potência de vida".

Ou não foi  isso que os ministros aplaudiriam na marcha da maconha: organizada, sem baixaria e até sem chapação?

São Paulo/ Barra Funda/ Paulicéia Desvairada/ Cracolândia ( pegado ao lugar onde moro )
 
pacaembu400@yahoo.com.br
Salve Jorge_1
Enviado por Salve Jorge_1 em 18/06/2011
Reeditado em 07/07/2011
Código do texto: T3042329
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Salve Jorge_1
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