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Álbum de fotografias



Se o amigo leitor, perguntasse-me, o que separa os bons dos maus momentos por mim já vividos, com certeza seria rápido e preciso na resposta. Poderia afirmar que o que os separa é apenas o modo de como viro as paginas.

Numa noite dessas, sem ter muito que fazer, resolvi revirar uma gaveta do armário, onde guardo velhos álbuns de fotografias. Neles, estão registrados grandes momentos do meu passado, coisas e períodos vividos, que sinceramente não me lembrava mais, lembranças mescladas com outras de um tempo já não tão distante.

Instantaneamente, lembrei-me de velhos amigos, das “grandes” e esperadas festas de meus aniversários. Lembrei-me do corre-corre da minha tia, para se confeccionar o bolo, das barras de gelo com serragem no tambor, para gelar as bebidas, das cadeiras emprestadas dos vizinhos, dos salgados da mamãe, da minha louca torcida para que todos os presentes fossem brinquedos, da expectativa para que a vélinha fosse do tipo teimosa e tornar-se a acender. Lembrei-me da vergonha na hora de se cantar os parabéns e para quem seria o primeiro pedaço de bolo.

Lembrei-me de muitos acontecimentos sociais, a fantástica experiência de aprender a escrever o meu próprio nome, a formatura da pré-escola, a primeira comunhão, a dança de quadrilha nas festas juninas, dos filmes dos trapalhões no cinema, os almoços em família no natal, que mais se pareciam com a festa do frango, da disputa com meus irmãos pelo “danone” no dia da compra do mês e do guaraná que acreditávamos que só se vendia aos domingos.

Lembrei-me da infância perfeita, da velha caloizinha vermelha, do futebol na rua, do pé de jabuticaba na casa de minha avó e da bermudinha justa de tergal, entendi por que andar na moda, nunca foi o meu forte. Lembrei-me do Ultraman e de mais um grande numero de heróis japoneses. Lembrei-me, o quanto era caloroso os abraços de minha mãe e quanta paz passava o seu sorriso. Lembrei-me da primeira vez que vi o mar e da namoradinha a quem jurava casamento, da primeira professora da escola e da vontade de ter um ferrorama. Lembrei-me da seriedade do papai e das revistas que meus irmãos guardavam atrás do guarda-roupa e da infinidade de vezes que quis ser como eles.

A cada novo álbum e a cada virada de pagina, encontrava as estampas dos momentos felizes, que agora eram eternizadas também, através do colorido no papel. Era de suma importância o que elas me faziam recordar. Os momentos infelizes também existiam, eram as lacunas que permaneciam entre as fotos. E o que fica latente em minha memória, é que nem tudo eram flores. Mas foi graças aos espinhos que eu sempre pude sorrir.

Lembrei-me dos sonhos que já realizei e o quanto já fui feliz nesta vida!

Na verdade, o meu grande suporte, o que sempre me sustentou, chama-se família, é ela quem ainda hoje me causa entusiasmo.

Se analisarmos nossas vidas, veremos que há muitos mais motivos para o riso que para o pranto e sempre teimamos em acreditar que as coisas boas nunca acontecem conosco. Ledo engano! Devemos realmente acreditar que a felicidade esta em todos os momentos de nossa vida, basta apenas procurarmos com um pouco mais de atenção. E não é preciso muito esforço, para vivermos novamente momentos que se passaram e que foram tão prósperos.

Por isso, se alguém lhe perguntar o que separa os bons dos maus momentos, lembre-se que sua vida é como um velho álbum de fotos, pense em toda o sua existência. Lembre-se dos espinhos, mas de preferência às flores. Lembre-se que os momentos passados são apenas paginas viradas que podemos perfeitamente revivê-las a qualquer momento, basta realmente querermos! Lembre-se que sempre haverá alguém ao seu lado, pronto a lembrar-lhe do seu sorriso.


Reginaldo Cordoa, administrador de empresas e apaixonado pela vida.
07/02/2007
Reginaldo Cordoa
Enviado por Reginaldo Cordoa em 13/02/2007
Código do texto: T379508
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Sobre o autor
Reginaldo Cordoa
Matão - São Paulo - Brasil, 48 anos
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Reginaldo Cordoa