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A burrice atuante e a seca que nos assola
 
Os que se sentirem ofendidos me perdoem, mas a burrice me revolta, me faz perder as estribeiras. Tento de todas as formas e com o maior empenho manter a linha e o respeito por todos e, principalmente, por mim mesmo, mas não me contenho e expludo, expondo minha revolta. Os dois único neurônios que ainda me restam – Tico e Teco – entram em franco combate e saiam da frente...

Sei que o óbvio ululante é mais difícil de ser observado que o outro, sutil e camuflado, o qual é evidenciado para e por todos, naturalmente. E permanecemos em nossas rotas de colisões com os recifes que se mostram como ameaças eminentes, indiferentes ao naufrágio prenunciado dos barcos de nossas vidas.

Explico-me: hoje vivemos bem próximos de inúmeros colapsos que destruirão o tudo que conhecemos, que põe em risco nossas sobrevivências e de nossos descendentes, dentre os quais destaco a seca, a extinção de nossos mananciais, justamente em um país que retém cerca de 15% de toda a água potável do planeta e indispensável à vida. Em muito pouco tempo, a persistirmos neste rumo, nossas torneiras somente servirão para serem mostradas em museus, para os que lograrem sobreviver, como peças de onde antes jorrava água e que em certo momento de nossa evolução tornaram-se inservíveis, posto que secas.

Mesmo sabendo que as reuniões de “comissões” são pura perda de tempo, porquanto nelas não se decide nada, na data de anteontem (28/10/2015), atendendo os últimos resquícios de cidadania que ainda me restam e preocupado com este fim que antevejo, compareci ao encontro patrocinado pela Câmara Municipal para tratar do assunto em tela e cujos efeitos já nos preocupam – a seca já instalada em nosso Município.

DECEPÇÃO TOTAL... Das três horas e meia que durou a dita reunião, sem ser injusto com ninguém, pode-se afirmar que se consegue aproveitar, talvez, cinco minutos, extraídos dos inúmeros pronunciamentos. Salvo raríssimas exceções, o que vi, mais uma vez, foi uma sucessão de rapapés e troca de educados cumprimentos às autoridades presentes por parte de cada um dos “palestrantes” seguida por divagações “técnicas” ou teóricas sem qualquer objetividade e permeadas por dados estatísticos incorretos, mas que serviam aos propósitos de quem solenemente os pronunciavam.

Ocorreu-me uma estória lida há muitos anos e que bem resumia minha decepção pela total falta de objetividade e de conclusões quanto ao que temos que fazer urgentemente: PLANTAR ÁRVORES, MUITAS ÁRVORES, não só no entorno de nossas hoje secas nascentes, bem como no caminhar de nossos rios e no alto dos morros depilados, semi-encobertos por esta rala vegetação que querem denominar como “pastos”. Assim o fazendo, ao menos estaremos preservando a possibilidade de vida para nossos filhos e netos.

“Deus, por profundamente desiludido com os descaminhos do homem brasileiro, Sua criatura preferida e moldada a sua imagem e semelhança, resolveu destruir o Brasil com um dilúvio, fazendo chover por 40 dias e 40 noites ininterruptas alagando tudo, mas preservando um único casal íntegro – Noé da Silva, esposa e filhos - para a continuidade de Sua obra e, com seis meses de antecedência, comunicou-lhe sua intenção, dando-lhe instruções claras para que construísse uma grande arca onde acomodaria um casal de cada espécie animal existente, além de sua família.

Tem-se aqui que ressalvar que nosso querido Mimoso do Sul seria possivelmente preservado, já que por promessa de nossa governante, jamais teremos novas inundações, fruto de suas obras no leito do rio que cruza nossa cidade, o que talvez explique todo esse periodo de absoluta ausência de chuvas.


Noé da Silva, orgulhoso por ter sido escolhido para tão insigne missão, imediatamente procurou cercar-se de semelhantes capazes para a execução do “projeto”, já que, simples pastor, não tinha conhecimentos técnicos para a construção da embarcação, passando a contratar engenheiros e projetistas navais, economistas e supervisores para o acompanhamento da execução, operários para a construção, etc., constituindo, como obrigatório, uma Empresa e dotando-a de todas as exigências legais.

Decorridos alguns meses, dava gosto ver concluída o reluzente prédio da sede da nova empresa, como requerido por seus assessores, com amplas salas apinhadas de dezenas de belas secretárias uniformizadas teclando em computadores os textos das normas e relatórios emitidos por cada um dos inúmeros diretores, os quais eram imediatamente impressos e encaminhados por eficientes “office-boys” que, diligentemente as entregavam aos destinatários, jamais se esquecendo de exigir o recebimento assinado nos livros de protocolo, como convinha a um empreendimento de tal envergadura.

Nas reuniões de Noé com a Diretoria, todos sentados ao redor da imensa mesa de carvalho que os podia abrigar, contudo, os problemas se avolumavam, sem que, contudo, a Arca tivesse iniciada sua construção: um dos Diretores relatava as dificuldades para a obtenção da licença da Prefeitura e o pagamento das altas taxas para a obtenção do alvará, além da necessidade de pagamento de contribuição para a campanha do prefeito à reeleição, o Diretor Financeiro alegando que, por precisar de dinheiro, tinha ido aos bancos e não havia conseguido empréstimos, mesmo aceitando exorbitantes taxas de juros ( afinal, nem mesmo teriam como cobrar as duplicatas depois do dilúvio ). Outro, triunfante, declara que o Corpo de bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio mas que havia conseguido subornar um funcionário, etc, e tal.

O Diretor Industrial fez um longo pronunciamento sobre os problemas que tivera com o IBAMA para a extração da madeira, relatando que alegara, como instruído, que eram “ordens divinas”, mas eles só queriam saber se o projeto fazia parte do PPA, que tentara falar com o relator mas eles estavam brigando pelo cargo no Congresso. O IEMA exigia o certificado de que as madeiras seriam fumigadas e descupinizadas, além da comprovação de suas origens.

O Diretor Administrativo relatou que o Ibama descobriu alguns casais de animais guardados na área da fábrica, tendo-lhes aplicado uma pesada multa e com ampla divulgação na mídia, a qual, contudo, estava sendo contestada pelo Diretor Jurídico. O Diretor de Recursos Humanos também explanou que o sindicato estava exigindo a contratação de mais marceneiros e garantia de emprego para todos por um ano, além da distribuição de leite de cabra para todos nos intervalos para descanso, os quais deveriam ser de duas em duas horas.

Ah, e ainda tinham os problemas com a Receita Federal, que falava em sinais exteriores de riqueza e haviam multado a Empresa, além da Secretaria de Meio Ambiente que exigira o Relatório de Impacto Ambiental sobre a zona a ser inundada ao que Noé da Silva se incumbiu pessoalmente da missão, sendo que, ao mostrar o mapa do Brasil, imediatamente chamaram o serviço psiquiátrico e o internaram.

Através das grades de ferro das janelas do quarto onde se encontrava, Noé da Silva olhava pesaroso e apreensivo para as negras nuvens de chuva que se avizinhavam. Entre trovões e relâmpagos que cruzavam o céu, ouviu a voz do Senhor soar furiosa perguntando-lhe pela Arca que mandara construir, pois chegara o dia do planejado dilúvio. Noé, constrito e chorando, relatou os fatos acima e observou que, após alguns minutos, o céu clareava.

- Senhor, então não mais irás destruir o Brasil? – perguntou.

- Não! - respondeu a voz entre as nuvens - Alguém já se encarregou de fazer isso!”


Retornando ao mote inicial, tenho em mente que um emérito pensador sempre repetiu para mim que “... Nos moldes atuais, o período de vida do homem ( média de 70 anos) é insuficiente para que ele sofra as conseqüência diretas do que fez ou que deixou de fazer, postergando o pagamento da conta para seus filhos e netos.” E o desmatamento abusivo e criminoso de nossas florestas é o maior crime que podíamos cometer contra a natureza e o cometemos, poluindo nossos rios e mares, dizimando a vida de pássaros e animais, além da de nossos próprios semelhantes, com o uso de agrotóxicos e adoção de transgênicos.

Faz-se urgente e premente que assumamos uma posição frente a todos estes descalabros, em que pusemos à frente do respeito a nossos semelhantes e à própria Mãe Vida, a Natureza, transformamos nossos campos em pastos para alimentar gado, cujo número do rebanho no Brasil de hoje é muito superior aos 200 milhões de seus habitantes. E esquecemo-nos ou fingimos desconhecer que para a constituição de um quilograma de carne bovina são necessários 15.400 (isto mesmo, quinze mil e quatrocentos) litros de água.

Temos que repensar URGENTEMENTE sobre o fim que pretendemos para nossos filhos e netos, além de, até mesmo, para nós próprios, observando que 1. Uma única taça de vinho precisa de 110 litros de água; 2. Um litro de cerveja precisa de 155 litros de água; 3. Um quilo de ketchup precisa de incríveis 530 litros de água; 4. Uma banana precisa de 160 litros de água; 5. Um quilo de queijo precisa de absurdos, abusivos e obscenos 5.060 litros de água; 6. Um litro de leite integral precisa de 940 litros de água; 7. 100 gramas de chocolate… abomináveis 1.700 litros de água; 8. Uma xícara de café precisa de 130 litros de água; 9. Um ovo (de apenas 60 gramas) precisa de 200 litros de água; 10. Um litro de Coca-Cola precisa de 70 litros de água; 11. Uma xícara de chá precisa de 30 litros de água; 12. Um quilo de açúcar precisa de 1.780 litros de água; 13. Um pé de alface precisa de 240 litros de água; 14. Um quilo de frango precisa de assustadores 4.330 litros de água; 15. Uma pizza margherita, com todos seus componentes e recheios, precisa de 1.260 litros de água.

Temos que sair de nossa zona de conforto e partirmos para a adoção de medidas condizentes e compatíveis com nossa situação nesta nave em que somos meros passageiros, passando a reconstruir o que nós e nossos ancestrais fizemos, tomando medidas radicais, concretas e objetivas se não quisermos ser guindados à condição de meros nômades neste imenso deserto que se está formando em nosso Brasil.

Temos que EXIGIR de nossas autoridades Municipais, Estaduais e Federal a seriedade no trato deste patrimônio que é nosso e está sendo vilipendiado; EXIGIR de nossa Prefeita e Câmara Municipal que restabeleçam urgentemente o HORTO MUNICIPAL para a eclosão de sementes a serem lançadas em mutirão, com a participação de todas as classes nos entornos de nossas nascentes e rios, no alto de todos os morros que se encontram desprovidos de cobertura; EXIGIR a adoção de medidas saneadoras quanto ao tratamento de nossos esgotos, mas, sobretudo, com SERIEDADE e COMPETÊNCIA e sem transformá-los em cabides de empregos com valores exorbitantes e despropositados como informados pelas Secretarias envolvidas.

AINDA É TEMPO para nos lançarmos nesta campanha e salvarmos nosso querido Mimoso do Sul, outrora CIDADE MODELO e PÉROLA DO SUL, irradiando esta nova condição para as demais cidades, tornando-nos uma célula sã em meio a tantas cancerosas.

CONTUDO, NÃO SE ESQUEÇAM – O TEMPO NÃO PÁRA!!! ELE URGE A NOSSA PORTA!!!
LHMignone
Enviado por LHMignone em 30/10/2015
Reeditado em 17/04/2018
Código do texto: T5432279
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Mimoso do Sul - Espírito Santo - Brasil
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