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A POLÍCIA DO EXÉRCITO

     ESCLARECIMENTOS INICIAIS:

    CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O presente trabalho teve, inicialmente, como objetivo principal, dar conhecimento aos acadêmicos do Curso de Gestão em Segurança Pública e Privada da ULBRA/Canoas, a origem da Polícia do Exército Brasileiro e os seu militares mais ilustres, que muito lutaram para a sua efetiva organização como tropa regular em tempo de paz.
Devido as constantes e necessárias buscas de informações, das colaborações recebidas de historiadores e estudiosos da história militar brasileira e, consequentemente, para as atualizações pertinentes ao assunto deste trabalho, garimpamos em muitos registros para aclarar os pontos divergentes que tenham ocorrido e que puderam melhor elucidar os fatos e feitos dos militares brasileiros no decorrer de nossa história e da origem da Policia do Exército (PE).
Por oportuno, e dever de justiça, e necessário esclarecer que este resgate histórico sobre a Polícia do Exército brasileiro foi elaborado a muitas mãos, devido a colaboração e informações de militares do Exército Brasileiro constante nas referências, aliado a buscas de dados que pudessem nos dar fidedignidade dos fatos e dos registros históricos que já foram tornados públicos. Essa assertiva pode ser percebida em diversas passagens, em que as transcrições em forma de citações, são fiéis aos registros realizados pelos autores referenciados, ou por documentos oficiais, que serviram como fonte de consulta, por pesquisa do autor ou disponibilizados pelos colaboradores.


HISTÓRICO SOBRE A POLÍCIA DO EXÉRCITO

Com a eclosão da 2ª Guerra Mundial em 1939 e com o ataque japonês a Pearl Harbour no Havaí, os Estados Unidos da América (EUA) organizaram o seu Exército para a guerra e, nessa organização, surgiu a Military Platoon Police (Pelotão de Polícia Militar) da Divisão de Infantaria, identificada nos seus militares pelo braçal “MP” (Militar Police), usado no braço esquerdo.
Com a entrada do Brasil na guerra, a organização da nossa tropa, segundo  acordo previamente acertado, combateria o inimigo sob o comando do Exército Americano, e teria a sua organização de acordo com a organização das tropas americanas, as quais tinham em sua Divisão de Infantaria um Pelotão de Polícia Militar (MP).
O Pelotão de Polícia Militar brasileiro teve sua formação no 3º Regimento de Infantaria – 3º RI, comandado pelo então General Euclydes Zonóbio da Costa. Esse Pelotão, que de acordo com o regulamento da época, foi organizado em duas seções – uma de tráfego composta de três grupos, e outra de polícia composta de dois grupos. Atribuía-se naquela ocasião uma ênfase maior e especial ao tráfego, pois além de o comandante daquela seção ser um oficial, ou seja, o próprio comandante do Pelotão, que fora denominado “Inspetor de Tráfego”, necessário se fazia um olhar do seu comandante mais próximo, pois o fiel cumprimento daquela novel missão dependia a fluidez e organização dos deslocamentos de nossas tropas no terreno.
Dado ao desconhecimento quase absoluto pelo Exército sobre questões relacionadas as atividades policiais e de tráfego de veículos terrestres, pensou-se em aproveitar, de alguma corporação já existente no Brasil, a experiência necessária para a nova incumbência que a nossa tropa passaria a ter nos campos de batalha. Assim, do núcleo original formado por 19 homens do Exército, restou composto por mais um contingente de 44 voluntários, oriundos da Guarda Civil de São Paulo. A Guarda Civil era “...Concebida como as corporações policiais de estatuto civil da Europa, principalmente da Inglaterra, exercia todas as modalidades de policiamento, como o pedestre, o motorizado, a cavalo, de motocicleta etc. Atuava no trânsito, contava com uma força de controle de distúrbios (ou "choque") e a partir da década de 1940 passou a operar o serviço de rádio-patrulha. Os seus efetivos tiveram participação na Segunda Guerra Mundial, recebendo, dentre as várias missões, a incumbência de formar a primeira unidade de Polícia Militar do Exército Brasileiro, a atual Polícia do Exército (wikipedia.org)”.
O Pelotão de Polícia Militar da Força Expedicionária Brasileira – FEB, foi sediado provisoriamente no QG da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, e posteriormente, acantonado na Companhia Escola de Intendência.
Na Itália, após a chegada, a tropa de Polícia Militar passou por períodos de treinamentos para adaptação ao terreno e aos novos armamentos disponibilizados pelos Estados Unidos da América – EUA à Força Expedicionária Brasileira (FEB) para os enfrentamentos bélicos. "Nesse período, o Pelotão era comandado pelo Ten José Sabino  Maciel Monteiro", oficial temporário da arma de cavalaria, o qual consagrou-se como sendo o primeiro oficial a comandar uma tropa de Polícia Militar do Exército Brasileiro (PM), em tempo de guerra, após a sua organização. Este jovem oficial foi ferido em combate e, tendo por seus atos destemidos, recebido o reconhecimento pelo seu batismo de fogo, com a medalha 'Bronze Star" outorgada pelo governo americano.
É digno de registro afirmar que o Tenente Maciel Monteiro foi um jovem cidadão, que à época dos conflitos bélicos no velho continente, estudava medicina e trabalhava como servidor público na Secretaria da Segurança Público do estado de São Paulo (SSP/SP). Por necessidades de efetivos, e devido a sua capacitação educacional, aliado ao local em que desempenhava seus afazeres (SSP/SP), foi convocado para servir ao Exército Brasileiro e à Pátria, indo portanto, ao final do seu adestramento, combater o nazi-facismo, no front da Itália.
O efetivo do Pelotão de Polícia Militar, por ser uma tropa altamente adestrada e com missão específica no teatro de operações, pois foi organizada aos moldes do modelo americano, onde em sua Divisão de Infantaria contava com um Pelotão de Polícia Militar (Military Police Platoon), era subordinado diretamente ao General Zenóbio da Costa, Comandante do 1º Escalão da FEB no teatro de operações da Europa.
Ao encerrarem-se os combates, no dia 05 de maio de 1945, os quais tanto sangue deixou derramado em nome da liberdade, o 1º Escalão retornou ao Brasil em 18 de julho de 1945, contabilizando 454 homens mortos em combate, tendo sido sepultados em Pistóia, cidade próxima de Florença no território italiano.
“Durante quinze anos o Cemitério Militar Brasileiro em Pistóia exerceu suas variadas funções cemiteriais: identificar e abrigar restos mortais; prestar-se ao papel de local de luto, culto, homenagem e rememoração dos mortos; servir como local de peregrinação cívica e patriótica, etc. Tais funções só viriam a ser definitivamente encerradas com o translado dos corpos para o Brasil em 1960” (PIOVESANI, 2017). Após o repatriamento de todos os soldados brasileiros que tombaram no conflito e foram enterrados no Cemitério de Pistóia, foi somente no ano de 1960, que o cemitério brasileiro em Pistóia passou a ter a denominação de Monumento Votivo Militar Brasileiro - MVMB.
Em nome dos nossos ideais cívicos e patrióticos, é digno registrar que “... Todos os anos, durante o mês de novembro, nas instalações do Monumento Votivo Militar Brasileiro (MVMB), na cidade de Pistóia, Itália, ocorre a cerimônia cívico-militar em homenagem aos heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que lutaram naquele país durante a Segunda Guerra Mundial”. (www.eb.mil.br).
A cerimônia sempre tem início com a entrada solene do Estandarte da FEB no pátio do MVMB, conduzido pelo senhor administrador do posto. Após a realização das honras militares protocolares de estilo, são lidos textos alusivos ao evento pelo Adido Militar do Exército Brasileiro na Itália, e pelo representante da Embaixada Brasileira naquele país. Em prosseguimento da cerimônia, ocorre a aposição de corbelhas de flores pelas autoridades presentes ao ato, junto ao sepulcro do “Soldado Desconhecido”, como homenagem aos militares brasileiros que combateram e tombaram nos campos de batalha na Itália. Como encerrando da solenidade, ocorre um culto religioso em honra à FEB, cuja missa normalmente é presidida pelo Bispo da cidade de Pistóia.
Até hoje, encontram-se nos assentamento dos "pracinhas", o registro dos seus feitos e suas façanhas, que tanto engrandecem o nosso espírito de brasilidade e nos enchem de imenso orgulho.
Os serviços administrativos militares brasileiros, no período da Segunda Guerra Mundial, deixaram registrados que a tropa de Polícia Militar (leia-se Polícia do Exército) desembarcou no Rio de Janeiro, no dia 22 de agosto de 1945, e sido acantonada na Escola Militar do Realengo. Após ser deslocado do acantonamento inicial, a tropa PE foi acantonada, também, na antiga Companhia de Intendência, em Benfica.
Por dever de justiça aos vultos históricos miliares brasileiros, e suas andanças pelos campos da Itália, nos conflitos da Segunda Grande Guerra, não podemos deixar de reverenciar a figura do Ten José Sabino Maciel Monteiro, como sendo o Primeiro Comandante de uma tropa de Polícia do Exército, e que, mercê da sua missão, foi batizado pelo fogo de guerra.
Em reconhecimento aos feitos desse oficial, cita-se o elogio consignado em seus assentamentos militares dizendo que “Em 6-XI, foi público ter sido louvado pelo Comando da Tropa Especial da 1ª DIE, nos seguintes termos: ‘Cabe-me o dever de louvar o Cap José Sabino Maciel Monteiro, pela maneira com que organizou e conduziu a 1ª Cia de Polícia Militar da 1ª DIE, quando a mesmo se elevou de Pelotão ao seu efetivo atual. Oficial criterioso, trabalhador, destemeroso e de iniciativa, foi desde a sua chegada na Itália em outubro de 1944, levado para a Polícia Militar, pelo Chefe de Polícia e mereceu por seus serviços e sua capacidade de ação o Comando de sua Companhia, cujos méritos são por todos reconhecidos no âmbito de toda a FEB....’ “ a) Armando de Moraes Ancora, Cel Cmt do QG e Tropa Especial da 1ª DIE.
No dia 15 de dezembro do ano de 1945, portanto no mesmo ano de encerramento dos conflitos, o jovem Sabino Maciel Monteiro, já no posto de Capitão de Cavalaria, passava o comando da sua subunidade à seu sucessor. Certamente já havia cumprido com a sua missão em defesa da Pátria e da liberdade, na guerra e na paz, frente a Polícia Militar do Exército Brasileiro (PE).



FONTES:
PINTO JUNIOR, Domingos Ventura. A Polícia do Exército, Porto Alegre: Genesis, 2001.
PIOVEZAN, A. Morrer na Guerra: a sociedade diante da morte em combate. Curitiba: CRV, 2017.
TELHADA, Adriano Lopes Lucinda. A Polícia de São Paulo nos Campos da Itália.


Sítios na Internet:
Carta escrita pela Maj Sau. Elza Cansanção Medeiros, ex-combatente da FEB, ao Sr. Gen Ex Enzo Martins Peri, em 02 de julho de 2009, falecida antes de assinar. Disponível em: www.recantodasletras.com.br/camponezfrota.

Festival na Itália Homenageia Soldados da FEB. Disponível em: defesa.gov.br/notícias. Acesso em: 1º Mar 2020.

Guarda Civil do Estado de São Paulo. Disponível em: pt.Wikipédia.org.Acesso em 26 Mar 2020.

Outras Fontes:
Cópia dos Assentamentos do Cap Sabino, expedido pela 1ª Cia de Infantaria  Expedicionária – Períodos 1-7 a 31-12-1944, e 31-VI a 31 XII-1945.


Colaboradores:
Cel Com./EB Angelo Maciel Monteiro
Cel Inf./EB Manoel Soriano Neto

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Camponez Frota
Enviado por Camponez Frota em 03/10/2005
Reeditado em 24/08/2020
Código do texto: T56292
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Camponez Frota
Cachoeirinha - Rio Grande do Sul - Brasil
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