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Saúde e longevidade


     Se a gente for observar os povos da Antiguidade vai notar como aquela gente vivia pouco. Na Idade Média, por exemplo, a expectativa de vida girava em torno de quarenta anos. De um lado havia as guerras e os confrontos armados entre cidades e grupos rivais, e de outro os fatores de insalubridade a que eram submetidas as pessoas, desde uma medicina incipiente, passando pela precariedade dos remédios oferecidos, além dos maus hábitos de higiene pessoal, falta de tratamento da água, dos dejetos urbanos, esgotos etc.

     Tudo isto concorria para a vida fosse ameaçada e as pessoas vivessem menos. Não vamos longe: há sessenta anos quem tivesse tuberculose podia encomendar o caixão. Com a associação dos antibióticos com o repouso e a alimentação adequada, a tuberculose sofreu um significativo recuo, tornando-se uma doença restrita a determinados grupos socioeconômicos.

     Se computarmos hoje a idade com que muitas pessoas morrem – e este dado se obtém nos necrológios dos jornais – veremos que a idade média desses falecimentos gira em torno de oitenta anos, como muitos ultrapassando a barreira dos noventa. A média social ainda fica pouco acima dos setenta por causa dos acidentes (que vitima muitos jovens) e das mortes prematuras (a falta de recursos que vitima muitos recém nascidos).

     Hoje em dia, aquilo que chamamos “qualidade de vida” vem contribuindo para que as pessoas vivam melhor e vivam mais. Nisso perfila-se a atividade física, os tratamentos preventivos, check-up, a alimentação correta, além de cuidados quanto ao lazer, repouso, o combate à depressão e as demais medidas anti-estresse.

     Mesmo com algum progresso no campo da longevidade e qualidade de vida, o grande problema de nosso tempo é o estresse, alimentação e repouso inadequados, e as preocupações, quando o indivíduo não “desliga” de seus problemas, de suas economias e das formas de promoção pessoal que ele julga indispensáveis. Há quem confunda qualidade de vida com “estilo de vida”. Muitos diminuem seu tempo de vida por querer viver demais, às vezes desordenadamente.

     De outro lado, a velha natureza está aí nos dando exemplos que nem sempre a gente tem a sabedoria de seguir. O caso é que à noite toda a natureza faz uma parada para repousar. O ser humano depois do trabalho adora “ir para a noite”, onde festas, ruído, comida, bebida e atividades reduzem suas horas de sono, fazendo refletir num cansaço para o dia seguinte. Muitos buscam o fim-de-semana para dormir, para “colocar o sono em dia”. Tudo isto concorre para uma estafa crônica, cuja resultante é uma redução da capacidade vital.

     Ao cair da noite os pássaros vão para os ninhos; as flores fecham suas pétalas; a natureza dorme e descansa. É pena que o ser humano não tenha olhos para aprender essa lição.




Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 10/09/2007
Código do texto: T646206
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 75 anos
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