Aborto, drogas, armas...

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós... Este foi o samba enredo do ano de 1989 da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro. A canção marcou minha adolescência, quando morava no Maranhão. Queria logo essa tal de liberdade! Que ela abrisse as asas sobre mim!

Pois bem, a música tornou-se um hino para todos que almejam a liberdade. Aliás, liberdade é o sonho de consumo de boa parcela das pessoas. Reclama o marido que quer sua liberdade de volta após o casamento. Resmunga a esposa que liberdade tinha ela quando solteira.

Liberdade quer o adolescente, ansiando os 18 anos. Ah, essa tal de maioridade, que beleza! Pode beber, dirigir, o jovem só esquece que começa, também, que depois dos 18 o "bicho começa a pegar".

A propósito, como criticar alguém por querer liberdade? Não dá, não é legal... E tenho acompanhado esse grito de liberdade que todos guardam em seus corações, gargantas, mentes e demais partes do corpo, claro que cada um a seu modo a pedir liberação do que lhe é conveniente.

Uns querem a liberação das drogas. Maconha já! Outros pedem a liberação do porte de armas. É um direito do cidadão andar armado, afirmam. Há uma galera que pede a liberação do aborto. Alegam que o corpo é da mulher, portanto, ela faz o que quiser. Até transar sem camisinha pode.

Bem, poder, pode, mas... faz filho, e o povo esquece que filho dá trabalho, fralda custa caro, leite está pela hora da morte, papinha então, nem me fale...

Às vezes até parece que o bacana é contrariar, se algo é proibido, simbora, então, pedir que seja liberado... E se for liberado pedirão a sua proibição... Ninguém se entende. É mais ou menos o dito popular: 'O que é proibido é mais gostoso! E o que é liberado perde a graça!'

Partindo deste princípio, acima exposto, tenho pensado muito em lutar pela criminalização dos livros, aliás, dos bons livros... Ler bons livros será crime inafiançável... Imagino a cena: você lendo na praça, então passa o policial e dá voz de prisão... Está lendo, rapaz, mãos para trás, será algemado pela razão de portar livros, com o agravante de ser um bom livro e ter mais de 200 páginas...

Ah, pelo seu abuso de ler verá o sol nascer quadrado por um bom tempo. E quando te julgarem, dirão que pagas pelo crime do conhecimento... Se foi assim com Adão, por que seria com você?

Então, sendo criminalizado os bons livros o povo sairia às ruas, discutiria em redes sociais, proporia debate sobre a leitura nos mais variados e populares programas de televisão.

Parece até que estou vendo as faixas e todos a pedir: Vamos descriminalizar os livros... Vamos descriminalizar a leitura! Como gostamos do proibido, os livros estarão na crista da onda, junto com temas como aborto, drogas, armas...

Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 01/11/2018
Código do texto: T6491585
Classificação de conteúdo: seguro