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Renan e Lampeão!

O bando de Lampeão era um grupo tão forte e a cultura do medo e da desesperança estava tão enraizada, que as pessoas, sentindo-se naturalmente impotentes, simplesmente não reagiam.

Consideravam, antecipadamente, que seria loucura enfrentá-los. Por isso agiam como cordeiros. E o bando fazia a festa! Com isso eles - os integrantes do grupo - dominavam pessoas, famílias, fazendas. Dominavam e subjugavam, até, cidades inteiras. Todos se rendiam aos seus caprichos de pistoleiros, entregado-lhes passivamente seus bens e riquezas, sem questionar.

Como era possível isso? Um grupo de sessenta homens dominar povoados com centenas, milhares de cidadãos? Não é o que a maioria de nós pensa hoje? Pois é... e tudo isso acontecia por um motivo muito simples: as pessoas eram desunidas. Cada uma cuidava da sua vida e todos se calavam diante da opressão.

"Para o que não tem remédio, remediado está!" Provavelmente pensavam assim. Um dia, porém, tudo mudou... O povoado de Mossoró - uma cidade do Rio Grande do Norte - resolveu que já estava na hora de dar um basta naquilo tudo. Ali as pessoas se uniram e se organizaram. Quando Lampeão foi cobrar o seu tributo, provou do próprio venedo: foi recebido a bala!

Foi o primeiro movimento organizado de resistência e foi ali que Lampeão perdeu sua primeira batalha. Ficou provado, então, que Lampeão não era o invencível que todos imaginavam. Que seu bando não tinha o corpo fechado, como se pensava. Constatou-se, a partir dali, que não passavam de homens comuns, revestidos de um poder que apenas a mente passiva e desarticulada permitia.

Confirmou-se, assim, que eles sangravam - tanto quanto qualquer um. Que podiam comer capim pela raiz como qualquer outro mortal. Podiam, enfim, ser vencidos. Não estavam acima das leis naturais da vida. E foi assim que Lampeão e seu bando sucumbiu. Foi assim que o cangaço perdeu, finalmente, a guerra!

Por que nas Câmaras e no Senado seria diferente? Afinal, o bando não é tão grande assim... Ou é?
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 29/09/2007
Reeditado em 08/10/2007
Código do texto: T674055
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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