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Na fila, esperando a vida

Sua vida, na flor da idade, se resumia a idas e vindas dos hospitais, com o passar dos dias, a reação aos tratamentos era menor, seu organismo a cada dia ficava ainda mais debilitado. Quando não estava no hospital, temendo não ser encontrado se porventura o hospital o procurasse, permanecia todo o seu tempo em casa, ao lado do telefone.
Religioso e apesar de crer nos conceitos religiosos sobre a vida depois da morte, ele não se conformava que estava condenado. A onipresente morte a cada dia se fazia mais próxima. Desejava viver, não importando em que condições e se apegou as orações, ora pedindo que a fila andasse motivada por óbitos daqueles que estavam a sua frente, com a doença mais adiantada e organismo muito debilitado para um possível transplante, ora que aparecesse um doador e ele fosse agraciado pela triagem de compatibilidade.
O telefone tocou e uma voz feminina o procurava, tinha quase que a certeza que sua vez finalmente chegara pois, ninguém o tratava assim tão formalmente ao telefone. A voz feminina disse: Senhor, após a triagem de dados, pedimos seu comparecimento ao hospital no prazo máximo de uma hora para podermos submete-lo a testes de compatibilidade do órgão a ser transplantado.
Ele estava como intermediário na fila de espera de um órgão compatível para o transplante que necessitava. Fila da vida, até então para ele, a Fila da Morte. Após 12 horas de testes, os resultados se mostraram positivos e em seguida ele foi encaminhado para a sala de cirurgia, onde passou por mais 12 horas.
Muitas horas depois, ele abriu os olhos para o seu primeiro dia de nova vida. Ainda no leito hospitalar, se recuperando da cirurgia, muitos pensamentos passaram por sua mente. Pela primeira vez em vários anos, sentia a alegria da vida. Riu muito e chorou diante da imensidão do gesto da doação que envolve a mais profunda conexão entre seres humanos. Sentiu-se pequeno por ter se agarrado em orações com pedidos mesquinhos e egoístas.
Hoje, aos 45 anos de idade, vivo, transplantado e com uma qualidade de vida normal, ele é membro-fundador de uma organização não governamental e segue com sua missão de conscientização pela doação de órgãos e dos transplantes e apoio às pessoas em lista de espera, portadoras de transplantes e ou de doenças associadas.
"O transplante é, sem dúvida, a tão esperada resposta para milhares de pessoas com insuficiências orgânicas terminais ou cronicamente incapacitantes. É, sem dúvida, um procedimento médico com enormes perspectivas, porém impossível de ser executado sem o consentimento de uma população consciente da possibilidade, da necessidade e responsabilidade de depois da morte, destinar os seus órgãos para salvar vidas".
"Nenhum de nós pode considerar-se livre da possibilidade de precisar de um órgão transplantado, o destino aponta para qualquer um." - João Ubaldo Ribeiro
"Transplante é muito mais do que uma simples cirurgia. É um procedimento que envolve a mais profunda conexão entre seres humanos." - James F. Burdick
Depois da morte, o que deixamos como lembrança é o que fizemos pelos nossos semelhantes. Com certeza, a doação de órgãos é um gesto de grandeza que nunca será esquecido.
Doação de Órgãos - Um Gesto de Amor que Vale a Vida.
click nos links:
http://www.adote.org.br/
http://www.huav.com.br/doacao.htm
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 05/11/2005
Reeditado em 23/12/2005
Código do texto: T67525
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 58 anos
241 textos (247252 leituras)
21 áudios (3309 audições)
5 e-livros (529 leituras)
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Plínio Sgarbi