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Ditadura Militar, e sua influência no cinema nacional.

Vivemos atualmente o marco divisor entre uma cultura que se encontra arraigada desde os meados dos anos 60, época em que uma potência mundial sem escrúpulos impôs abertamente seus interesses a um país que passava por uma fase de transição ideológica.
No início, todos os apelos eram belos e levam a crer na supremacia dos modos elegante imposto diretamente, por uma minoria que se fazia grande através de sua promiscuidade, onde nem questões filosóficas, políticas ou religiosas interferiam no destino manifesto.
Um dos primeiros parágrafos da triste história da ditadura militar brasileira pode caracterizar bem toda a falta de escrúpulo do contestante, este ato recebeu o nome de Missa da Salvação Democrática, uma caminhada entre as praças da República e Sé, onde milhares de católicos receberam um irrefragável apoio de seus superiores protestante, o que faz desta revolução (como alguns preferem se referenciar) do ponto de vista ideológica um fracasso em sua base.
Segundo o Ilustre General Ernesto Geisel , a ditadura teve sua concepção afincada na queda da vontade popular brasileira (na época já amplamente semeada com raízes norte americanas) de eleger o tão aclamado Jango. Segundo Geisel a “Revolução era contra a subversão, contra a corrupção” , e neste ponto vemos mais uma vez a total derrota desta política tão nacional quanto o Zé Carioca, pois como o próprio Geisel declarou no início da década de 80 “Esta revolução que prezava por terminar com a subversão e corrupção em primeiro lugar falhou pois nem a subversão nem a corrupção acabam. Você pode reprimi-las, mas não as destruirá”. Sejamos sinceros, parece que o finado possuía dotes para predizer o futuro, pois como atualmente podemos observar na política nacional nem repressão existe mais contra a corrupção.
Os anos se passaram, a ditadura demonstrou sua “grande inclinação” para o diálogo e seus “sutis” métodos de persuasão e negociação política, onde a máquina de integração entre as diversas palestras era reconhecida pela farda cinza que carregava a temida sigla DOPS, a qual deixava trêmulo qualquer insurgente da política regente.
Durante a década do Woodstock e Bob Dylan, ocorreu uma dantesca inversão social onde a sociedade brasileira não representava mais o cerne da vontade política. Paralelamente ao panorama mundial da Geração Paz e Amor, a nossa Geração Lisérgica sofreu grande poda em seus direitos, o exemplo mais gritante desta privação foi à desqualificação do ensino público (e neste momento cabe bem lembrar que até meados de 1960, este era considerado de grande excelência, onde o aluno aprendia na grade curricular além das matérias fundamentais o Latim e Francês, estas substituídas após a implantação da ditadura militar pela língua dos verdadeiros patrocinadores da vigente política nacional, entretanto que sempre fizeram questão de nunca aparecer à fronte de maneira explícita) e a extinção do amplo acesso  à universidades públicas.
Todo este cenário convergiu para um grande descontentamento popular, o que acarretou em diversas passeatas estudantis, sindicais e de segmentos da sociedade que se sentiam subtraídos de alguma maneira, diga-se de passagem a grande maioria nacional. Este novo movimento, que na época galgava amplamente, não era bem vistos pelos financiadores da ditadura e muito menos pelos governantes da época, o que levou ao recrudescimento das “Políticas Nacionais de Amenização das Visões Divergentes”.
Neste ponto a indignação era geral, sem passeatas, sem conversas nos corredores de faculdades e nos bares, sem a boêmia tão incisiva e justa nas suas colocações, tudo era visto pelo governo como sumária oposição ao regime e era severamente dissolvido em sangue e lágrimas.
A esta altura o mundo estava divido em dois blocos, e o Brasil também. Num lado estava um rosto tão fotogênico que seria um dia umas das imagens mais impressas no mundo todo, e do outro lado apesar de não existir uma imagem específica (e aqui cabem contestações mil, talvez fosse de bom tom citar marcas de refrigerantes, cigarros e automóveis porém com este ato o texto perderia sua essência) ele contava com uma equipe de marketing que propagava a torta e direita os ideais de uma bandeira com listras brancas e vermelhas, e estrelas que aumentaram em número à custa de países latino-americanos.
Neste Brasil da ditadura nasciam alguns movimentos armados, que eram compostos por estudantes, intelectuais e algumas classes de trabalhadores. Estes grupos de guerrilheiros nasciam para se impor diretamente contra a ditadura militar através de focos de resistência armada contra a polícia, e muitas vezes tinham que assaltar bancos e comércios no intuito de manter sua guerra particular e ideologias vivas.
Nos filmes antigos o ladrão era uma personagem que tinha grande apelo romântico, era um idealista que lutava pelo direito de uma sociedade civil mais justa e democrática (não que atualmente o Brasil tenha conseguido alcançar ambas as coisas), porém este cenário mudou após a criação do processo democrático que foi instaurado no Brasil no final da ditadura militar (apesar do seu funcionamento não ser perfeito) e atualmente todas as organizações criminosas, seja no nível que for, não possuem mais este princípio altruísta, hoje em dia os criminosos apenas pensam no seu próprio bem. Aqueles velhos tempos em que existia um papel inverso entre polícia e o ladrão acabaram.
E podemos ver isso refletido em filmes atuais que tentam devolver a polícia o seu papel que um dia foi infelizmente deturpado por interesses escusos de uma grande potência financeira, o que é mais irônico é o fato de que os atuais patrocinadores destes filmes são em sua grande maioria do mesmo país que um dia utilizou a nossa polícia para seus interesses pessoais.
Diego Lapetina
Enviado por Diego Lapetina em 20/10/2007
Reeditado em 20/10/2007
Código do texto: T701987

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Sobre o autor
Diego Lapetina
Canadá, 36 anos
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Diego Lapetina