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Ah, se tivéssemos o poder de mergulhar no passado...

Bela e rica desfilava pela vida a tiracolo com sua prepotência e ares de superioridade. Não pedia, dava ordens e a uma só palavra todos obedeciam. Com freqüência humilhava pessoas, pisando em seus sentimentos apenas para ter alguns caprichos realizados.
Desacostumada a ouvir Não, passava por cima de quem ousasse lhe negar algo ou alguma coisa.
Assim era Natália, uma figura que se considerava acima do Bem e do Mal.
Contudo, a vida não se curva ante a prepotência dos seres humanos, e as fortunas não suportam o peso de uma má administração. O que parecia impossível aconteceu: as empresas de Natália forma invadidas pela dificuldade financeira que entrou sem pedir licença.
De nada adiantaram suas reclamações, suas ordens. Prepotência não salda dívidas, aparências não cumprem compromissos, e assim, Natália viu seu Império desmoronar.
Aprendeu através da Dor que superioridade real é a moral, jamais a material.
E Natália tirou grandes lições de sua derrocada financeira. Se antes desumana a pisar em sentimentos, agora estava mais humana, suas palavras perderam a frieza, ganharam emoção.
Mas faltava algo. Não obstante a algumas conquistas morais efetuadas após a ruína de sua fortuna, Natália ainda não havia despertado em relação aos verdadeiros valores da existência humana. E após alguns anos descobriu estar com grave tumor no cérebro. O desespero adentrou seu coração. Será que iria morrer?  E se morresse, o que lhe esperava do outro lado? Teria continuação a vida? Pela primeira vez na vida fez comovida prece ao Pai Celeste.
Descobrira através da enfermidade o poder da oração. Acostumada a mandar, aprendeu a pedir. Seu vocabulário se enriqueceu com novas frases: “Obrigada”, “Por favor” e “Com licença”, se tornaram expressões rotineiras. Por isso conquistou verdadeiros amigos através da simpatia.
Era novamente a Dor lhe descortinando realidades.  Quanto mais a doença avançava corroendo seu corpo, mais sua alma se fortalecia. Seus olhos agora brilhavam... Natália se modificara, desde a descoberta da enfermidade aprendera que a vida continua. E em seus últimos instantes no corpo físico, agradecia emocionada a Deus pelas dores que puderam lhe abrir os olhos da alma para a magnitude da vida; costumava dizer que se não fosse pelo alarme da Dor jamais teria tomado ciência da continuação da vida, do poder da prece, do valor da amizade, da força do amor...

Muitos passam a vida iludidos de que são superiores, infalíveis, os melhores. Alimenta-se uma ilusão e vive-se abraçado a ela, como se fosse realidade. E após uma overdose de ilusão, só mesmo a Dor para despertar.
Tivéssemos o poder de mergulhar no passado e agradeceríamos muitas vezes as dores do presente. Obviamente que não necessitamos apenas da Dor para evoluir, todavia, no estágio de teimosia e cegueira espiritual que com freqüência nos encontramos, é inegável que a Dor se constitui em poderoso recurso de instrução para a alma, um potente despertador da ilusão.
Fôssemos mais atentos e aprenderíamos através dos exemplos que a vida nos lega a todos os momentos, sem necessitar de grandes transtornos para avançar rumo à sabedoria. Basta atenção para sofrer menos.
Pensemos nisso.


Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 24/10/2007
Código do texto: T707877
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 42 anos
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Wellington Balbo