Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Uma Vez Pelego, Pelego Até Morrer

                                                                                   JANJÃO
UMA VEZ PELEGO, PELEGO ATÉ MORRER

Definição do Dicionário Aurélio
Pelego: 1. A pele do carneiro com a lã; 2. Aquele que nos sindicatos, trabalha sorrateiramente contra os interesses dos trabalhadores; 3. Capacho.
Capacho: 1. Tapete de grossas fibras ásperas, posto ás portas, para limpeza da sola do calçado; 2. Individuo servil; pelego.

O golpe militar de 1º de abril de 1964, produziu figuras que ficariam famosas nas décadas de 70 e 80, e que resistem até hoje. Estou me referindo aos Pelegos Sindicais.

Com o intuito de impedir que os Sindicatos fossem instrumentos de organização dos trabalhadores contra o golpe, a ditadura como uma de suas primeiras medidas, destituiu diretorias comprometidas com os interesses da classe trabalhadora, prendeu dirigentes e colocou na direção das principais entidades sindicais, interventores, figuras que representavam as leis e as ordens dos generais de plantão.

Estes interventores não só cumpriam a risca as determinações dos militares, como se apoderavam do poder, através de fraudes eleitorais e com a generosa ajuda, tanto da ditadura, como dos empresários. E assim se perpetuavam no poder por anos, tendo uma vida de mordomias e de total servidão ao Capital e de traições aos trabalhadores.

Um dos pelegos mais famosos de nossa História, foi sem dúvida, Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão.

O cara começou sua carreira como “bom moço” para os dominantes, em 1964, quando foi nomeado interventor pelo Ministério do Trabalho no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos. Em 1965, sem oposição, pois a mesma estava na cadeia, Joaquinzão venceu as eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, iniciando-se assim uma trajetória de delações, traições á serviço da Ditadura, a qual apoiou desde o golpe.

Durante toda a década de 70, freqüentava gabinetes de políticos e empresários, aos quais bajulava e era bajulado. Perseguidor implacável das oposições, se valia do expediente da fraude e do roubo, para se manter no Sindicato. Um dos episódios mais gritantes desta política foi o das Eleições Sindicais de 1978.

A Oposição tinha como cabeça de chapa Anísio Batista e como seus companheiros, os católicos Waldemar Rossi e Santo dias, este assassinado um ano depois pela PM (Policia Militar), na greve da Silvanya. Joaquim disputava sua quarta reeleição. Fez tudo o que podia, não forneceu lista de votantes e nem fiscais para a oposição. Contratou seguranças armados que intimidavam e as vezes utilizavam da força bruta contra a oposição, alem é claro de agentes da ditadura disfarçados, para identificar, vigiar, militantes de esquerda envolvidos com a Oposição.

Mas todo este aparato fraudulento e repressivo, não evitou que a Oposição vence-se as eleições. Mas como bom Pelego que se preze, Joaquim não aceitou o resultado e não empossou a Oposição.

Uma semana depois sem um mínimo de apuração do processo, o Ministro do Trabalho da Ditadura intervem e da posse ao velho pelegão.

Joaquinzão se perpetuou por 22 anos na Presidência do Sindicato, tempo que precisou para fabricar seu sucessor, inclusive no aspecto ideológico: Luís Antonio de Medeiros. Joaquim o Pelego mais tradicional do Brasil, morreu em 1997, doente e abandonado por amigos e familiares.
dialetico
Enviado por dialetico em 29/10/2007
Código do texto: T714513
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
179 textos (9987 leituras)
8 áudios (326 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 09:55)
dialetico