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SOMOS TODOS POLIGLOTAS

Nessa época de globalização, cresce a cada dia o interesse pela aprendizagem de idiomas. No entanto, não há um indivíduo sequer que não seja poliglota em sua própria língua.

Comunicar-se bem é uma constante questão de escolha. Nossos gestos, palavras, expressões faciais sempre dependem de nosso objetivos e da concepção que temos da pessoa ou grupo com quem estamos nos comunicando.
 
Tendo 4 filhos pequenos rodando pela casa e procurando o que fazer, estabelecemos algumas regras básicas de convivência. A mais recente delas surgiu enquanto escrevia este artigo pela primeira vez: pedir permissão para desligar qualquer aparelho da tomada!

Outra regra é a de que o ‘bat-bag’ só pode ser utilizado no quintal.

Um dia desses, enquanto fazia um trabalho no computador para dois amigos, ouvi aquele som irritante do bat-bag logo atrás da cabeça.

Sem tirar os olhos da tela, comecei a reprimenda:

“- Pode bater essa porcaria lá fora...?” E já ia virando a cabeça para identificar o filho desobediente, quando me deparei com um dos amigos já encabulado, esboçando um ‘desculpa’, com aquele sorrisinho amarelo.

Também constrangido pelo mal-entendido, expliquei-lhes sobre nossa regra, e voltei ao trabalho... mas pude observar que nosso outro amigo estava se divertindo às nossas custas.
 
Noutra ocasião, meu vizinho instalou um som super-potente em seu carro novo. A fim de partilhar sua conquista com a vizinhança, tratou de estrear a aparelhagem com um funk no último volume. Tentando abreviar o sofrimento coletivo, fui até lá ‘parabenizá-lo’...

O tiro saiu pela culatra. Achando que me havia convertido a recém-funkeiro, ele continua ligando o som ligado nas horas mais impróprias.

Num fim de semana, enquanto curtia a cama até as 8, ele fez questão de me avisar que o sol já estava brilhando, em seu estilo ‘inconfundível’...

Diante das circunstâncias, tive que analisar minhas próprias alternativas:

Jogar um paralelepípedo no carro dele, durante a madrugada. (Descartei logo esta opção. No final, poderia acabar tendo que tolerar os estilos musicais de uma porção de detentos.)

Escrever um bilhete educado: “Caro amigo, passei a noite em claro cuidando de um filho doente. Se importaria em abaixar um pouco o volume? Muito obrigado.” (Não colaria, meus filhos já estavam todos na escola, felizes e saltitantes.)

Escrever uma nota ameaçadora, com letras recortadas de jornal: “abaxa logo essi som, seu "#&*@$!" Mais uma alternativa que me obrigaria a acordar de madrugada, pra acessar sua caixa postal no anonimato.) Reclamar pessoalmente. (Esta, a mais arriscada de todas. Ele é segurança, tem quase dois metros de altura, e poderia não estar num dos seus melhores dias...)

Como as opções não se mostraram a contento, me levantei e fui tomar banho. Com a porta trancada e o chuveiro ligado, passei a me concentrar no artigo do dia.

Saí de alma lavada. Ele resolveu desligar o som!
Charlles Nunes
Enviado por Charlles Nunes em 03/11/2007
Código do texto: T722281
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Sobre o autor
Charlles Nunes
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil, 48 anos
99 textos (242344 leituras)
17 áudios (3466 audições)
5 e-livros (58073 leituras)
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Charlles Nunes