LADRÕES DE POESIA... ASSASSINOS DE SONHOS.

Policia! Policia! Policia! Socorro! Pega o ladrão. Aos gritos a pobre mulher esgoelava no meio da praça do centro de Niterói. Com gestos indignados, se destacava entre os transeuntes e comerciantes ambulantes que procuravam acalmá-la. A assustada população fluminense que já está acostumada a roubos, assaltos, seqüestros e outros tipos de violência contra a pessoa, mais uma vez era constrangida pelo episodio da manhã ensolarada de dezembro. Um policial militar que fazia o patrulhamento aproximou-se da vitima que se encontrava entre prantos e soluços. E ouviu dela uma frase que o fez estarrecer: Alem de ladrão, ele também é um assassino, proferiu a mulher com muita firmeza. Outros policiais que estavam nas proximidades também vieram dar seu apoio ao colega. E pelo radio, era feita à comunicação do crime. Duas viaturas com sirenes abertas, vindas de locais diferentes também encostaram próximas da vitima que já era ouvida por um oficial, que tomava o depoimento da bem trajada mulher que gesticulava com muita indignação. Ela não respondia o questionamento do policial e em tom alto dizia o desgraçado se aproveitou de mim usando de violência.

A essa altura da ocorrência os curiosos revoltados já queriam promover um linchamento do ladrão estuprador e homicida. Pois interpelavam a mulher juntamente com o policial, perguntando se ela sabia onde estava o facínora, ao que ela respondia positivamente. Com muito custo foi convencida pelos agentes da lei a entrar numa das viaturas, sendo conduzida ao distrito policial. Ao adentrar na delegacia, Dona Krassa, esse era seu nome, foi recebida pelo delegado titular, que ciente dos fatos relatados, deu prioridade ao caso e prontamente providenciou a abertura do boletim de ocorrência.

Repórteres de jornais e até uma equipe de televisão já estavam no recinto para cobrir a tragédia. Um médico se apresentou e ofereceu seus préstimos, deu um calmante para que Dona Krassa se controlasse, e assim pudesse prestar seu depoimento.

Após fornecer seus dados ao escrivão, a poetiza e escritora, essa é sua ocupação, iniciou o depoimento: Segundo ela a vitima, o acusado, JJ Romanejji, era pessoa de sua confiança e se passava por poeta e escritor inclusive tendo publicado textos e poesias no mesmo site onde ela postava seu material. Os fatos foram então relatados: Na tarde anterior ao abrir sua caixa de e-mail, Ela recebeu uma poesia de pretensa autoria do acusado. Ela reconheceu o trabalho como de sua autoria. E ao passar a noite em claro, resolveu tomar essa providencia. Irado o delegado então perguntou sobre o homicídio e o estupro, mencionado pelos policiais. Ao que ela serenamente respondeu: Doutor, sei que o senhor não entende, mas a poesia para mim é tão importante como se fosse um de meus filhos. Quando usurpada por pessoas de má fé, em minha alma representa um estupro, em meu coração representa um seqüestro de um ente querido por facínoras perigosos. Em minha mente, representa vários crimes, porque, eu sei que alguém, sem a mínima sensibilidade, trocou algumas palavras da minha criação, alterou o sexo de uma alma heterossexual violentamente, forjou sua identidade, usou de falsidade ideológica. E como um reles imitador de ser humano, assassinou meu sono.

Assim como as vitimas do crime organizado, estou impotente diante dessa barbárie, restando-me a revolta e a indignação. Após ser lavrado o boletim de ocorrência o corpo vitima foi conduzido ao IML, Ela fora vitima de fulminante ataque cardíaco que a abateu ao saber que não seria aberto inquérito e que nada seria feito, pois o facínora era um ilustre escritor que entre outras obras havia escrito as Orações Pai Nosso e Ave Maria. E ela apenas uma poetiza popular.

Esse texto em parte é uma obra de ficção, mas pode vir a acontecer, se em nosso meio, continuarmos a tolerar pessoas que se qualificam como autores, quando na verdade o que fazem é apenas plagiar o trabalho de outros artistas. Texto em apoio a Poetiza Graça da Praia das Flechas que foi vitima de vilania similar.

Zoiudo
Enviado por Zoiudo em 20/12/2007
Código do texto: T785550