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MEU ENCONTRO COM A IDADE




Gostaria de conhecer mais do que já vivi!
Gostaria de saber mais do que aprendi!
Mas, ocupada em viver o meu dia-a-dia, preocupada também com os meus sonhos ainda não realizados, o tempo foi inexorável! E levou-me junto com ele para outra época!
Aprendi?... Conheci dela, da vida, na passagem do tempo?
As poucas coisas que observamos foram se transformando ou foram esquecidas, sufocadas pela modernidade. Outras, simplesmente, desapareceram sem deixar vestígios.
Saudades?...
Mas, não sou a única a pensar assim.
Pessoas de cultura, de todos os tempos, ou bem posteriores à minha juventude, preocupam-se com essa mudança.
Os verdadeiros valores não podem desaparecer. Eles são a existência do próprio tempo. São eternos. E estão aí, sólidos, mas não são citados, porque são verdadeiros, são reais!
As novidades vêm e vão... São novidades, apenas. Sem solidez, sem atuação. Apenas experimentos que, por serem vazios por si mesmos se acabam.
O dinamismo da vivência faz tudo ser trivial... Até a própria língua. Tudo rápido, atual. E na seqüência desse dinamismo, ou a sua conseqüência, é a aparição do “modismo”. A cada ano ou menos, tudo muda. Ontem era uma coisa, um estilo, hoje não é mais. Vai desde as vestimentas, calçados, penteados ou cortes de cabelo, comportamentos, leituras, numa graduação agressiva (ou degradação) dentro de uma permissividade fora da naturalidade. Mudam os costumes, os móveis, os gostos, chegando até à Arte.
Mudanças são bem-vindas. Mas, extravagâncias chocantes são desnecessárias. Ou não?! Com o uso uniforme do “jeans” houve uma integração maior entre as pessoas, todos indistintamente usam. Os tênis também. Mas, roupa  propositalmente rasgada já é demais. Principalmente porque pagas mais caras. Vale aí a “originalidade”. Roupas soltas, seios à mostra, etc... etc... Creio que é vulgaridade. Posso estar sendo moralista, mas há hora para tudo, e essa exagerada exacerbação denota um ato de rebeldia paranóica, e o que é pior, a meu ver uma robotização dos jovens, todos iguais, desde a forma exterior até os comportamentos.
Enfim, a “moda agora é ser assim"... A exceção virou a regra.
E esse pensamento chegou até à Arte!
Muitas pessoas “acreditam” que desde 1922 a Arte mudou, é um fato. Mas, não significa que o que ficou para trás morreu, não é mais considerada Arte. Houve uma quebra de padrões, talvez uma evolução na sua interpretação, na apresentação, uma simplificação, uma outra maneira de ver e interpretar. Mas isso não significa que o desenho, por exemplo, não seja arte. Ele pode ser ensinado e pode ser aprendido, mas nem todos conseguem. É como a música. Muitos podem ser instrumentistas, mas virtuoses, não. Há uma coisa interior que diferencia as pessoas nesse particular. São os dons. Arte é criatividade, e apareceram formas tão simplificadas traços e cores cruzadas de forma tal que a grande maioria não consegue identificar o que esteja ali representado.Os pintores do século passado fizeram isso. Picasso é um exemplo. Mas, vamos ver como ele começou, seus desenhos, suas primeiras obras. Para você abstrair precisa ter conhecimento. E como esse conhecimento, essa sensibilidade não é coisa que qualquer pessoa possua, os “novos artistas” estão por aí, imitando, rabiscando, e criticando aqueles que usam da liberdade que a arte dá para seguir o caminho  em que se sintam melhor. Os padrões atuais ( a moda na arte) é ditada pelos marchands, os donos de galerias, que impõe ao público, "comprador de livros por metro linear", a “Arte Atual”.


Quando a linguagem ficar mais inexpressiva, voltaremos todos às nossas origens. E falaremos a nossa verdadeira língua. E viveremos todos também os nossos melhores valores. Nossas conquistas como seres inteligentes, com nossos puros e verdadeiros sentimentos.

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L. Stella Mello
Stella Mello
Enviado por Stella Mello em 26/12/2007
Código do texto: T792529

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Sobre a autora
Stella Mello
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
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