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Ave Vento e Iekawa
Publicado por: Wilde Green
Data: 15/12/2020
Classificação de conteúdo: seguro
Créditos:
Texto: Wilde Green (Welington Pinheiro)

Vozes, efeitos especiais e trilha sonora: Guto Russel
https://www.recantodasletras.com.br/autores/gutorussel

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Texto

O Mito de Ave Vento e Iekawa
 
Há muito tempo, quando homem parou de falar com os animais e com as plantas, havia um espírito que voava pelos céus. Ave Vento era o nome dele. Ou pelo menos foi assim que o avô de meu avô o chamou.
Ave Vento era um espírito muito bonito. Tinha penas de todas as cores. E eram cores fortes, muito vivas. Por onde batia as asas, a lufada de vento que deixava era da cor do arco-íris.

Todas as tribos achavam Ave Vento a criatura mais bela do mundo. E todos os dias ela passava pela floresta e pelos campos trazendo beleza para o mundo. E não era somente as cores. Mas a água da chuva tinha um gosto refrescante, deixava os campos com cheiro bom: terra molhada e perfume de flores. E havia flores, de todas as cores e cheiros; e havia frutos, dos mais suculentos. E naquela época as histórias moravam nas cavernas, nas florestas misteriosas, no fundo dos lagos, no alto das nuvens e nos animais que falavam.

Mas Ave Vento era pássaro grande, muito grande, maior que qualquer guerreiro forte, maior que aldeia, maior que vale. Os fracos morriam de medo de seu tamanho. Então a gente fraca das aldeias pediu ao Grande Espírito que enviasse um guerreiro, com a força de todos os homens juntos e uma sabedoria maior que a de todos eles juntos.

E então Grande Espírito enviou Makotcha. Mas tribo não entendeu. Makotcha era um menino, de olhos brilhantes e sorriso farto. Ele olhou Ave Vento e ficou perdido. Depois montou na ave e se foi. Tribo não entendeu e perguntou ao Grande Espírito: “Por que nos enviou um menino tolo que nada fez a não ser ficar apaixonado pela ave?” Então o Grande Espírito concedeu à tribo um segundo pedido, mas dessa vez colocou uma condição. Ele disse:

- Vocês querem que Ave Vento se vá?
- Sim. – respondeu a tribo.
- Então enviarei outro guerreiro, mas este não será como o outro. Darei a ele apenas 1 dom: ele terá a força de todos vocês juntos e não terá coração.

Tribo ficou feliz. E no dia seguinte Chefe Pedra Bruta apresentou o guerreiro enviado pelo Grande Espírito. Chamava-se Iekawa, o Protetor. Ele armou várias armadilhas para Ave Vento. E atirou-lhe uma flecha que o acertou no peito. Depois disso Ave Vento foi para a montanha. E seu gemido de dor fez a tristeza entrar no mundo. Tribo foi então procurar Ave Vento para tentar curá-la, mas ela já tinha partido. Até hoje muitos procuram Ave Vento. Iekawa não gosta desses aventureiros. Às vezes alguém sonha com ela, mas ninguém sabe como encontrá-la.

Iekawa dominou todos os homens através da força e do medo e os fechou para o ar fresco dos primeiros tempos. Ave Vento se foi do mundo, mas passou a viver no coração de algumas pessoas, aqueles que se lembram do tempo que suas asas cruzavam o céu azul.

Os que temem ser livres acabam prisioneiros de seus medos.
Wilde Green
Enviado por Wilde Green em 08/07/2020
Reeditado em 08/07/2020
Código do texto: T7000070
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Wilde Green
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
2 textos (596 leituras)
16 áudios (466 audições)
2 e-livros (55 leituras)
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Wilde Green
Rádio Poética