Seleção indevida

SELEÇÃO INDEVIDA

O ser humano costuma selecionar o que lhe convém, segundo o que lhe agrada, lhe satisfaz, lhe favorece, lhe beneficia, etc. Há ocasião que o ser humano seleciona quem deve viver ou morrer. Mas será que isso é segundo o conceito divino? Vejamos:

Muitos tem sido escolhidos para viver e outros para morrer, devido certas conveniências e/ou interesse de alguns.

Lembro-me que foi veiculado na mídia, quando o ex-presidente João Figueiredo sofreu enfarte, que retiraram alguém da UTI para onde ele foi levado a fim de poder assisti-lo. É possível que o paciente que foi retirado da unidade de tratamento intensivo tenha falecido, enquanto que o ex-presidente sobreviveu.

Mas isso não acontece apenas no meio médico e nem por questão de falta de recursos técnicos para a assistência de todos que precisam. O homem primitivo também assim faz. Os indígenas até recentemente eliminavam os bebês nascidos de parto múltiplo. Assim como os que nasciam mal formados. Escolhiam qual deveria sobreviver.

E mesmo os evangélicos fazem seleção por ocasião da mensagem que levam as pessoas para junta-las as suas instituições religiosas. Pois atentam para a aparência das moradias e não vão aos becos e cortiços, nem aos mancos e aleijados.

Além do que, dão os melhores lugares nos seus templos para os mais bem vestidos, e relegam a um plano inferior os que estão vestidos de modo sórdido ou por aparentar ser pobre, o que contraria a instrução dada pelo Espírito Santo através do apóstolo Tiago. Além disso, escolhem para funções destacadas nos seus meios os que tem alto poder aquisitivo, e desprezam os que tem menos, sendo juízes de maus pensamentos.

Lembro-me que certa vez fui levado a um sítio em São Paulo, onde os membros de determinada instituição religiosa iam a fim de buscar a Deus. E vi que apesar de eles irem constantemente ali, o irmão que os recebia era extremamente pobre, não tendo nem um fogão a gás e nem mesmo copos para servir água, como o que serve para envase de certos alimentos, como extrato de tomate. Eu fui enérgico com a pessoa que me levou ali e lhe fiz ver que eles estavam explorando o irmão, e pedi ao irmão que fizesse um rol do que ele precisava e que apresentasse para os que se serviam do lugar onde ele morava. A partir daí a tal pessoa passou a buscar o necessário para suprir a carência do irmão. E o fez pedindo para quem tinha menos, ao invés de apresentar a questão para a igreja e o departamento que cuida da filantropia.

Também conheci uma profetiza na cidade de São Paulo, a qual muitos iam para consultar ao Senhor, e a qual era uma pobre costureira. E certa ocasião, em uma das minhas vindas a essa capital, fui até ali e vi que ela não tinha lâmpadas fluorescentes na sua casa, apesar de não serem poucas as pessoas que recorriam a ela, a qual fazia uma reunião semanal habitual ali.

Ela trabalhava empregada no ofício de costureira para poder se manter e ter a sua manutenção na sua velhice. Enquanto que Deus ordenou que ninguém comparecesse de mãos vazias diante dele. Também que se levasse oferta ao profeta. Não que o profeta cobre pelo serviço que realiza com o dom que recebeu. Mas, porventura o pastor não recebe pelo seu trabalho? E por que o porfeta não? O verdadeiro profeta não cobra por seu trabalho, o que não quer dizer que não seja justo que ele também receba pelo que faz.

Jesus não mandou ir aos ricos, mas aos pobres. Pois os ricos já têm o seu quinhão nesta vida, como evidencia a parábola do rico e Lázaro, enquanto que os pobres não.

Itapema-Guarujá-SP, 03/06/2017.

Oli Prestes