Abstinência de mim.

As drogas e os assuntos sempre acabam
Somos parecidos n’alma e no corpo
Me procuras nas tuas madrugadas
Quando a insônia vem em agonias
E meu cheiro te invade na loucura
Feito droga minando na ferida.
 
No fundo de teu copo de uisk
Meus olhos te molham a boca
A ultima gota, lagrima imaginária
Que teus olhos choram...
 
Sou a droga de tua’lma solitária
Diante de teu sono agitado...
Os tremores incontroláveis;
O mau humor súbito e agressivo;
É quando procura qualquer dose de mim,
Qualquer cheiro de meu ser;
Ainda impregnado em tua cama
Que dorme agora outro corpo!
 
As drogas acabam e os assuntos também
Mas em teu ser-pensamento...
Lateja muito ou quase tudo de mim;
Pois somos idênticos n’alma e no corpo.
És louco sem ser insano...
Procuras em outras o que somente tenho;
A boca louca e mãos ligeiras;
Além de um par de asas negras que voa
Em céus escolhidos por mim
Onde colho meninos e seus vícios.
 
Sendo tu meu reflexo de alma e corpo
Que vejo e não percebo...
Apenas domino pela abstinência;
Do que tenho...