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É comum estranhar quem sou. Questionar o reflexo, zombar da mudez.

O que posso dizer? 

 

Nunca tive minhas próprias raízes. Cresci vendo bairros mudarem, novas casas e apartamentos, despedidas logo após um breve "oi". Foi uma infância solitária, sem descobertas, sem amigos (na maior parte do tempo), sem experiências e erros comuns. Foi uma tapeçaria de ausência, de retalhos vazios, sem primeiros amores, sem decepções que nos amadurecem, foram apenas livros, revistas em quadrinhos, desenhos, filmes e arte. Não houve tempo nem compreensão para erros, culpas ou remorsos, foram inúmeros quadros em branco. 

E silêncio. Sempre irei me recordar do silêncio.

Algo que me habituei tanto quanto a solidão. Ambos reinam em mim. Dentro de mim. Em minha alma. E como mudar esse monólito depois de décadas de existência?

Seria como mudar a posição dos astros com as mãos.

 

Queria poder lhe explicar quem sou. De forma direta, sem residir qualquer sombra de dúvida, mas as únicas palavras que posso descrever são as mencionadas antes. Sou silêncio e solidão, cuja mente repercute mundos e mais mundos que testemunha sem poder compartilhar com ninguém, pois de certo modo eu também não sou ninguém.

 

Sou um sussurro que flutua no vento.