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Dia primeiro de fevereiro de 1973, o dia em que acordei para este mundo ,numa cidadezinha  do interior do Rio Grande do Sul, chamada Carazinho, o que mais me deixa frustrado, é não lembrar nada do dia mais importante da minha vida, sei que era um bairro chamado hípica, pois praticavam hipismo ali, deveria ter muitos cavalos eu acredito.
Nasci em casa, assim que nasci meu pai me apresentou para a lua que na ocasião estava cheia, era madrugada, pois na minha precipitação não esperei o dia raiar, penso que a lua e eu fizemos tipo uma espécie de sociedade, pois sempre a visito e me escondo La, constantemente.
Cresci contemplando a pobreza, e pra variar crianças nasciam por atacado na vila, sempre preferi ficar só, e não gostava muito das brincadeiras habituais das crianças, não era poucas as vezes que os professores da escola perguntavam por que eu era tão quieto, diziam que eu era tímido, estavam enganados eu era analítico, introspectivo , analisando situações, pessoas, lugares, sentimentos, conhecia mais os com quem eu convivia, do que eles mesmos as vezes.
Fui crescendo e aprimorando meu, particular mundinho,  aos nove anos de idade, viemos morar em Novo Hamburgo, cidade que adotei como minha, amo essa cidade, lia tudo que tinha pela frente, chegando ao cumulo de decorar códigos de barras, de frascos de xampus e condicionadores no banheiro de casa, o banheiro era um espécie de refugio das conversas atravessadas e confusas, de pessoas falando ao mesmo tempo, pois éramos em sete pessoas em casa, então vogais e consoantes, se colidiam umas nas outras, formando frases indecifráveis, as quais eu não conseguia entender.
Servi minha pátria amada, como voluntario, só nas primeiras semanas, depois a realidade, riu na minha cara, e pensei ser a maior burrada que tinha feito,não era mais voluntario a nada, agora já era tarde demais, mas naturalmente me adaptei e acabei gostando, quase senti saudade quando sai,  só quase.
Comecei a ter cedo, queda por poesias, poemas, versos, frases, pensamentos musica, tudo que for ligado a arte me atrai muito, hoje escrever,  pra mim é como respirar, é essencial, tenho necessidade disso, ainda me isolo, causando muitas vezes frustração e tristezas em pessoas que amo, mas é primordial pra mim, é sozinho, La no jardim da lua que me encontro em paz e me completo, é La que as palavras submergem de minha essência.  É  na solidão que encontro a mim mesmo, então sentamos e conversamos