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Reflexão de um suicída

Impressionante como na minha vida as coisas saem de controle de uma forma inexplicável. Quando tudo caminha pra uma sensação de paz, tranquilidade, risos e abraços da pessoa amada. Consegue ser borrado com a carga negativa de uma mãe ciumenta.
Me sinto um inútil, mesmo tendo forças e vontade de trabalhar para ajudar nas despesas de casa, e não ter reconhecimento. Isso dói como uma porrada bem dada no meio do saco. Hoje 30 de abril de 2018 me deixa triste. A 8 anos atrás, nesta mesma data, estava festejando a minha maior conquista que foi minha formação em ensino superior. Embora desacreditado na profissão, um certo período me proporcionou grandes prazeres e felicidade, mas longe de casa, dos meus pais e queridos amigos contados a dedo.
Aprendi sozinho a me virar na vida, e por uma ironia do destino meu mundo desabou em quase dois anos de regresso a minha cidade natal. Me sinto um inútil, uma pessoa com semblante abatido devido à enorme quantidade de ansiolíticos ingeridos no decorrer destes anos. Não pedi pra nascer, mas a muitos anos não vivo, e sim sobrevivo. Sou uma pessoa de caráter único, verdadeiro e humilde. Mas que anda desanimado com a vida, e com ser humanos que me rodeiam.
Não digo ser vitimismo, e sim de uma total desigualdade por querer ser o melhor no que eu fui instruído, e não ser reconhecido. Já desacredito que dias melhores virão. Quase perdi a mulher que amo, que me faz sorrir, que me sinto pelo tempo que estou com ela feliz. Que me deixa morrendo de saudades quando ela sai de perto. E boa parte disso é por falta de não poder dar tudo de bom que ela queira. Há dias em que não tenho se quer um real na carteira. Ela me ajuda, fico triste, porém, tento repor essa gratidão. Reconheço seu amor, e não quero magoar-lá em hipótese alguma.
Algumas pessoas me acham inteligente, de um intelecto paralelo ao ciclo de amizades. Sofro de ansiedade e depressão. Tenho pensamentos suicidas, mas me sinto incapaz, um idiota por não ter coragem de tentar tirar a própria vida.
Com a quantidade de bandidos que andam por nossas ruas, confesso que fico muitas vezes querendo ser roubado, só pra confrontar os bandidos e levar um tiro pra não mais sentir dor.
Tristeza e arrependimento domina meu ser interior. Não sei quando isso vai acabar, se ela irá continuar compartilhando das minhas dores e problemas. Ela é forte e eu sou fraco.
Neste momento, lágrimas predominam em um quarto frio. Minha mente gira como um ventilador em meio a uma leve dor no peito. Uma tristeza inconfundível, remédios me fazem aguentar tudo isso. E a única coisa que desejo é dormir o sono dos broxas. E de uma vez por todas fechar os olhos e nunca mais acordar.
Paulo Henrique Oliveira
Enviado por Paulo Henrique Oliveira em 06/05/2018
Código do texto: T6329070
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Henrique Oliveira
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 32 anos
321 textos (19456 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 14/08/18 14:16)
Paulo Henrique Oliveira