Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

UM PEDAÇO DE MIM - AUTO BIOGRAFIA-PARTE 1

Continuação da Auto Biografia- Um pedaço de Mim

OS DIAS NA ESCOLA.

- Como em toda família de classe média, para não dizer de outra classe, nós éramos de uma que poderíamos dizer intermediária, entre a pobre e a remediada. Verdade seja dita, às vezes faltavam umas coisas no dia a dia.

-Um sonho de criança que nunca se realizou

Minha grande vontade quando ainda tinha de 7 para 15  anos era ter uma bicicleta. Naquela época , era da moda aquelas monaretas, dobráveis, eu achava aquilo a maior coisa. Sempre sonhei em ter uma. Os coleguinhas de escola iam de monareta para a escola, carregavam seus objetos na garupa da bicicleta. Nós, ficávamos somente observando e de vez em quando pedia a um amigo para dar uma voltinha. Alguns deles não permitiam de forma alguma. Mas, fazer o que, somente ficávamos de agua na boca e sem poder ter aquela bicicleta. Era um sonho distante, pois, não podíamos comprar.

-Mas, certos de que nós não poderíamos comprar com o dinheiro dado pelos pais, fomos à luta. Naquela época era muito comum sairmos pelas casas vendendo laranjas, pequi, milho cozido etc. O milho cozido era sempre vendido na própria rodoviária da cidade e a molecada adentrava nos ônibus oferecendo milho cozido para os passageiros. Cada um com sua bandeja cheia de milho verde, uma delícia o milho verde, vendíamos bastante, mas, havia um contratempo. Nós iniciantes, sempre levávamos o milho cozido, nas latas de 18 litro, aquelas de querosese ou tinta mesmo feita de material de flande e aos poucos o milho começava a ficar meio rocheado, pela reação química da lata com a agua e o milho. O nosso ficava roxo primeiro e teria que ser vendido rapidamente, senão ninguém iria comprar, então era aquela gritaria...Olha o milho verde...olha o milho verde.. Milho verde aí senhora!! milho verde aí seu moço... Assim, enquanto não azulava o milho íamos vendendo. Mas, se ainda restavam algumas espigas, 10 ou mais, o fregues olhava e como já estava meio roxo eles não se agradavam e ia comprar do visinho. Aí meu irmão, não tinha jeito, e então voltávamos para casa e cozinhávamos mais e retornávamos para o mesmo ponto , onde era muito disputado por um grupo de amigos.

-Dentre esses amigos, tinha uma parte deles que já eram tradicionais no ponto e como éram macacos velhos, levam o seu milho verde e cozido em vasilhas, caldeirões de alumínio e o seu milho não iria roxear jamais. Até que nós observamos isso e compramos posteriormente os caldeirões iguais aos deles também e assim poderíamos competir em qualidade com eles...

- Naquela época, o dono do prédio da rodoviária não gostava nada daquilo e perseguiam a todos que faziam ponto no local, como se ele vendesse o produto também, mas, ele não vendia, ele vendia somente salgados , sucos, refrigerantes, cervejas, chocolates etc...

-Fato bem marcante na época, era que o dono do ponto da rodoviária, ficava zangado pela presença dos vendedores de milho, ele muito nervoso e já com uma idade de 50 anos mais ou menos e irracionalmente passava a agredir os moleques e passava dando chutes nas vasilhas de milho, derramando por completo todo o milho no chão e ainda saia rindo daquilo. As pessoas que estavam viajando, só observavam a cena espantados em ver a meninada correndo do velho. "Curioso mesmo foi quando ficamos sabendo que ele possuia uma doença nos pés e que seus dedos caíram, acho que era "morfético", não sei se ele ainda vive, pois, fazem anos que não o vejo....

-Aquele sonho de possuir a bicicleta estava quase perto de se realizar.
Eu e outro irmão, conseguimos juntar dinheiro suficiente para comprar a tal bicicleta. Eu e ele , vendemos milho verde, pequi , laranjas e tínhamos a grana que dava pra comprar pelo menos duas bicicletas, uma seria minha outra dele. Quase não dormíamos, só pensando naquele dia e isso tudo escondido do velho. Mas , o pior ainda estava por vir, o velho ficou sabendo disso e alarmou de vez. " Não quero saber de ninguém com bicicletas aqui, voce podem morrer atropelados no asfalto, então , se comprarem bicicletas , aqui elas não ficarão", este, foi o balde de agua fria nos nossos planos. O sonho acabou. Ficamos lamentando, pois, era o que mais desejávamos,  era poder andar de bicicleta e poder mostrá-la para a garotada, só a gente não tinha bicicleta...!!!??? Somente obseervávamos os garotos e até garotas com aquelas Caloi dobrável. Eu tinha uma vontade imensa de ter uma daquelas. Mas, esse foi um sonho. Sonho mesmo e nunca se realizou, pelo menos durante a infância.!!!!!????

-Acabamos gastando o dinheiro em roupas, calçados etc...Lamentavelmente esse sonho nunca se realizou naquela época.
Só se realizou muitos anos depois, quando já não tinha mais aquele gosto de infância. Mas, até hoje conservo aquela que foi a primeira bicicleta que pude comprar...É uma velha Monark de uma marcha só.
Hoje, o que mais gosto de fazer é pedalar, tenho uma bicicleta de 21 Marchas, adoro bicicleta, e todos os dias pedalo.

- Na realidade foi uma grande, talvez a maior frustração que tive, não poder ter esse sonho realizado. Mas, como tudo passa, isso já passou. Virou passado...!!!

-Na vida encontramos diversos obstáculos a serem transpostos, chegamos ao ponto em que não existe mais barreiras e tudo o que fazemos é só para frente. Sempre em frente, avante, é isso é muito legal.

A LUTA POR UM LUGAR AO SOL.

Desde muito cedo , aprendemos a lutar, trabalhar de sol a sol. quando não era na foice, era no machado. E a vida nunca foi fácil para nós. Mas, Deus é muito bondoso e nos deu a grande dádiva , que é a própria saúde. Disso , nós não podemos nos queixar. Onde tem saúde, tem trabalho e progresso.

Ainda no ano de 1976 e seguintes, tinhamos que trabalhar duro em cima de um trator, arando terras, gradeando etc...Seguiram-se pelos anos de 1977, 1978. Aquele trabalho não era nada fácil. durante o dia arando terras, gradeando, poeira , sol e chuva. todo tipo de obstáculo se encontra pela frente. cobras pelo mato, cortadas em vários pedaços pelo arado afiado, ví muitas vezes. O calor do motor da máquina, aqueciam as pernas excessivamente, aquecia excessivamente também  todo o corpo. De repente uma chuva se iniciava. Era largar a máquina e se esconder debaixo de uma árvore, ou se molhar e correr o risco da máquina atolar no barro.

- Foram anos nesse trabalho árduo. Já em 1979, resolvemos ir para Brasília e tentar a vida por lá. " Cidade muito fria , no aspecto humano, tentei estudar e até arranjei um trabalho meio esquisito. "Fomos ser caçadores de insetos. Isto mesmo, matar baratas e pernilingos, insetos em geral, .Me lembro do primeiro dia em que coloquei uma daquelas bombas de veneno nas costas e pelo apartamento a fora, fui detetizando. 'de repente comecei a passar mal, tonturas, então me deitei no sofá de lá, era cedo, 9 da manhã. O mundo girou, era o veneno que estava atuando em meu organismo. Não usava nenhum tipo de máscara. Tudo mal feito. Quase que morri. Resolvi largar aquilo, era muito ruim. Nunca consegui emprego lá.      MORAVA NA ASA SUL E ESTUDAVA NA ASA NORTE.  Os estudos também não foram de resultado positivo, tive que largar o Colégio gisno, perto do Ceub em Brasília, pois, na metade do ano, já sem nenhum dinheiro, só fazia uma refeição, o almoço, comprávamos a comida onde nós morávamos, mas, a dona era muito suvina e colocava pratos razos demais. Sentia fome à noite, mas, não tinha dinheiro pra comer a janta. Foi muito difícil esses 6 meses em Brasília. Gastei as minhas economias, pagando ônibus para a escola , até um dia resolvi voltar. Fui trabalhar no Trator e o outro irmão ficou estudando no objetivo.

-Ganhava dinheiro trabalhando no trator, um pouco o velho mandava para o irmão que estava fazendo Odontologia, para comprar seus livros, instrumentais etc... foi uma grande ajuda para ele. Até que se formou..
-Naquele mesmo ano 1979 para 80, eu comecei a viajar de Alexânia para Anápolis, numa Kombi, alugada justamente para levar alunos para os  melhores colégios de Anápolis e todos os dias às 17:00 horas eu saia nessa Kombi lotada até a tampa em direção à cidade de Anápolis-Go, onde estudava no Colégio Einstein. Foram anos difíceis também, pois, corríamos muitos riscos pela estrada, mas, não tinha outro jeito.

Foram quase  dois anos nessa luta. Até que resolvi que tinha que morar em Anápolis de vez.

Ainda no ano de 1980, já morando na cidade deAnápolis, Go, estava cursando o 3º ano  científico,e Técnico em eletrônica, pois, naquela époco tinhamos que optar por um curso técnico e assim foi.Inclusive o meu primeiro emprego, foi nesse ramos de conserto de calculadoras eletrônicase máquinas de escrever, ainda manuais. Já em 1983, dezembro, Nesse período consegui entrar para a faculdade de Direito e ainda andando a pé e de ônibus. Um detalhe, "3º vestibular que fiz, estava tão quebrado, sem grana até para o ônibus, tive que sair do centro da cidade a pé e fui até a Faculdade para ver o resultado das provas que havia feito."

- Chegando lá, um tumulto de pessoas querendo ver ao mesmo tempo
 se o nome estava no mural da Faculdade. "Percorri os nomes até que cheguei à letra 'E", e lá estava o meu nome escrito, aprovado:A minha alegria era tanta que deu vontade de pular e gritar, porém, saí dali com o coração muito alegre e muito satisfeito, pois, afinal  o meu esforço foi recompensado, não falei com ninguém, pois, cada um queria saber do seu resultado. Ví muitos alunos tristes, pois, os seus nomes não estavam na lista. Mas, o que fazer nesta hora? Nada. Nada consola uma pessoa que não passou no vestibular. Para mim era muito importante aquela vitória e sentia que Deus estava e está comigo.

- O primeiro ano na Faculdade foi muito estranho, pois, as matérias são totalmente diferentes daquelas as quais estávamos acostumados. Muito estranhas aquelas matérias, mas, o jeito foi entrar de cabeça, pois, aquilo para mim era tudo o que mais queria e "!Dou Graças a Deus por tudo e por todos que contribuiram para o meu sucesso"


Hoje , dia 22 de março de 2001.  Muita coisa já mudou, com certeza muita coisa desde o tempo em que aqui cheguei, confesso que as coisas que mudaram não foram coisas tão simples, a primeira, são os parentes que se foram, pessoas muito queridas e difícil de aceitar, mas a vida é mesmo assim.   Hoje, temos quase tudo que queremos, nem tudo, mas, o que parece essencial, quem sabe algum dia teremos aquilo que sonhamos. Claro, todo sonho nosso, é possível .  A cada dia que passa tudo parece estar diferente. A maneira de pensar muda a cada dia que se passa. Somos pessoas e como pessoas, somos mutantes. Cada segundo que passa de nossas vidas é computado como momento perdido ou experiência adquirida. Depende de que angulo estamos vendo a coisa. Nem todas as pessoas possuem este senso crítico. Não são todas as pessoas que possuem aquela vontade de descobrir o novo, de agarrar com vontade a novidade e de certa forma aprender também com as coisas novas.

 Hoje são 18 de setembro de 2007, muito já aconteceu, quero dizer muitas coisas aconteceram, porém, nós continuamos os mesmos, a mesma fé que nos move ainda existe.

Hoje, o tema principal de volta para o meio ambiente, o Aquecimento Global é a bola da vez. Todas as ações estão voltadas para temas relacionados ao meio ambiente. Este aquecimento é preocupação de muitos ambientalistas, que lutam sem armas contra os grandes imperialistas destruidores do meio ambiente e potenciais destruidores da camada de Ozônio...

As Grandes indústrias poluidoras, muitas delas, não estão nem um pouquinho preocupadas com o que irá acontecer daqui a 50 anos. As geleiras estão derretendo aceleradamente, o planeta esquenta dois graus C a cada 10 anos.. E o que nós estamos fazendo para que isto venha mudar. Se cada um de nós fizermos a nossa parte, certamente o mundo seria outro.

- Me lembro, que desde os 6 anos de idade , tempos em que ainda vivíamos na  fazenda, que tenho uma preocupação exagerada com a natureza. Toda fruta que comia, eu lançava sua semente na terra, eram mangas, abacates, laranjas, caju ( neste caso, planta-se o próprio fruto do cajueiro que é a castanha) etc... qualquer fruta de pudesse extrair sua semente, eu a plantava. Perdi a conta de quantas árvores plantei. Até hoje, faço isso. São milhares de mudas plantadas.Não pretendo parar, serei um defensor eterno da nossa natureza, haja o que houver, nunca desistirei dessa boa ação.

Hoje, 17 de outubro de 2007, gostaria de dizer que isto aqui é um eterno construir, é como se a história estivesse sendo escrita dia a dia. Não pretendo parar. Sempre que tiver aquela inspiração retornarei para emendar aquilo que está sendo construído..

Paz para todos.
eliasjoao
Enviado por eliasjoao em 20/09/2007
Reeditado em 15/02/2012
Código do texto: T660427
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
eliasjoao
Palmas - Tocantins - Brasil
554 textos (45854 leituras)
5 e-livros (185 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/17 10:05)
eliasjoao