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book I

Estava aqui pensando e percebi uma coisa: tenho poucos textos falando sobre essa minha viagem, inicialmente programada para ser um intercâmbio, mas que com o passar do tempo e o decorrer dos fatos, tornou-se, sem dúvida alguma, pelo menos até o presente momento, a viagem da minha vida. Digo isso, pois foram e estão sendo, na verdade, momentos intensos, tanto os bons, ainda que poucos, quanto os ruins, que são maioria. Ok, talvez pareça exagerada, mas conforme vai se conhecendo a história, desde seus primórdios, vê-se que sou até condescendente.

Pra começar, sempre fui megalomaníaca e sonhadora. Durante toda a minha existência idealizei momentos, falas, amizades, relacionamentos e tudo mais que se possa imaginar. Pensava que, aos dezoito, já seria independente, moraria sozinha, teria meu carro, trabalharia e ainda estaria na federal. Chegada essa data, estava eu frustrada por não ter passado no vestibular de primeira, não tinha trabalho, continuava morando com minha mãe, que estava sem grana pra pagar minha carteira, que, na minha opinião custa muito mais do que vale, e, conseqüentemente não tive meu primeiro carro. Sentia-me uma fracassada, nada poderia ser pior que isso em minha vida, mas, hoje, aos vinte e três, pouca coisa mudou. Mentira minha, muita coisa mudou, uma infinidade delas, mas faz parte da minha personalidade reclamar e ver defeitos onde não há ou simplesmente aumentá-los exageradamente.

Sei que esse papo chato de ‘’quem é a Lívia’’ pode estar sacal, mas ele é necessário.

Sempre gostei de aparecer. Queria ser atriz e cantora, mas que criança não quer? Talvez muitas não queiram, mas seus pais sim, e fazem de tudo para que elas sigam carreira, ainda que as pequenas não estejam nem aí pra isso e peçam pra parar, mas eles sempre seguem adiante pra realizar nos filhos, seus sonhos frustrados. É o que chamamos de projeção. Pode ser difícil de acreditar, mas queria muito que minha mãe fizesse parte desse time, porém, ela sempre seguira o caminho oposto. Era eu quem pedia, chorava, implorava pra ela me levar pra TV, mas ela sempre negava. Dizia que eu devia estudar, que aquilo lá não era um meio saudável para mim e que eu ainda não teria discernimento pra enfrentar tal situação. Sempre achei uma grande baboseira todo esse seu discurso moralista sem fundamento, mas hoje percebo que ela estava com toda a razão. Um a zero, mamãe!
Porém, nesse meio tempo, fazia de tudo pra conseguir realizar meu sonho e uma das atividades que mais fazia era ler o jornal. Sim, comecei pela parte ‘’fútil’’, a da TV. Era lá que se encontrava tudo o que eu gostava: quadrinhos, fofocas, programação, entrevistas com os atores e atrizes etc. Esse meu hábito não é recente, creio que tenha começado por volta dos sete ou oito anos, quando já possuía uma leitura afiada. Com o passar do tempo, fui lendo as outras partes do jornal também. É tudo uma questão de evolução. Além disso, tinham os gibis, as revistas, os livros, os cartazes na rua e tudo mais. Quando viajava ou ia à praia, não dormia no carro só para ler os anúncios na estrada. Idiota, mas eu amava. Mal sabia que era isso que estava guardado pra mim, pois minha mente pueril estava ainda encantada com o glamour televisivo e o exibicionismo intrínseco à minha alma ainda não havia se moldado. De fato, eu sabia o que queria, mas não como queria.
(c0ntinua)
Lee Bueno
Enviado por Lee Bueno em 19/10/2007
Código do texto: T701157

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Sobre a autora
Lee Bueno
Estados Unidos, 33 anos
11 textos (1354 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 03:36)
Lee Bueno