História de Abraão - parte 1

HISTÓRIAS DE PERSONAGENS BIBLICOS DO ANTIGO TESTAMENTO

ABRAÃO, NOSSO PAI NA FÉ

A narrativa de Abrão se encontra no livro de Genesis dos capítulos 12 ao 22. Deus mudou o nome de Abrão para Abraão como veremos no cap. 17.

A Bíblia não trata só de história bonitas, de filhos de Deus bem sucedidos na fé, de grandes feitos. Ela retrata o homem como ele é. Com seus pecados e fraquezas. Mas depois nos apresenta a cura, a salvação por intermédio de Jesus.

Na história deste patriarca veremos obediência, chamado de Deus, o início da família escolhida, incestos, conflitos, mentira, cura de esterilidade, briga de mulheres, quase sodomia, promessas do Senhor e, principalmente, a graça de Deus, trazendo salvação para a família de Abraão e seus descentes na fé, que somos nós hoje.

E quem foi o pai de Abrão? Chamava-se “Terá” e diz Josué que ele servia a outros deuses. “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Muito tempo atrás, seus antepassados, incluindo Terá, pai de Abraão e de Naor, viviam além do rio Eufrates e serviam outros deuses. Mas eu tirei seu antepassado Abraão da terra além do Eufrates e o conduzi à terra de Canaã. Dei-lhe muitos descendentes por meio de seu filho Isaque (Josué 24:2,3).

Mesmo após 4.000 anos três grandes religiões – cristianismo, judaísmo e islamismo – homenageiam Abraão. Ele foi considerado pelos filhos de Hete: “Tu és príncipe de Deus sobre nós” (Gn. 23.6).

O CHAMADO DE ABRÃO (Genesis 12.1-9)

Em Gn. 12.1,3 “Disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei. ... em ti serão benditas todas as nações da terra.” Essa promessa concretizou-se em Jesus, que é o salvador de todo aquele que nele crer. Isso aconteceu por volta de 2.100 a. C. Abrão morava em Ur, dos caldeus. Deus desafiou Abrão a sair da sua zona de conforto. Você tem sido desafiado a sair da sua zona de conforto?

Por meio da fé de um homem, Deus mediou a salvação para todas as nações. “de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma benção!” (12.2).

A primeira característica importante em Abrão foi a obediência. Ele partiu sem questionar. Onde fica? é muito longe? haverá abundante pasto para o gado? Será que eu tenho idade para começar um novo projeto? E se minha esposa não quiser ir? Ele não fez nenhuma pergunta e foi. Ele era um homem disponível para mudanças. Que mudanças você tem feito em sua vida na área espiritual, profissional ou estudantil?

Esta pequena terra entregue a um único homem, Abrão, teve um tremendo impacto na história do mundo (hoje Israel tem a área equivalente ao estado de Sergipe, 22.000 km2).

Abrão é considerado um dos heróis da fé registrados na carta aos Hebreus no cap.11 juntamente com Noé, Jacó, José, Gideão, Davi, Samuel. Ele tinha setenta e cinco anos quando obedeceu à ordem de Deus e saiu com sua família e Ló, seu sobrinho. Ele foi de Harã para Canaã (terra dos cananeus, descendentes de Cam, filho de Noé).

Ali, ele edificou um altar ao Senhor que lhe aparecera. Por este ato, o grande patriarca consagrou a Deus a Terra Prometida.

Essa pequena narrativa conta o início de história do homem Abrão que, com obediência e fé, transformou-se no grande patriarca que causou um tremendo impacto na história dos homens e do mundo.

ABRÃO E SARAI NO EGITO (12.10-12.20)

Como havia fome naquela terra, ele foi para o Egito. Antes de chegar naquele pais, ele combina uma mentira com Sarai, sua mulher:” Como você é muito bonita, vamos dizer que você é minha irmã, pois se souberem que é minha esposa, me matarão para ficar com você.”

Ela foi para o palácio de faraó. O Senhor castigou o faraó e sua família com pragas e assim foi descoberta a aquela artimanha. Deus o mandou sair da sua terra, mas não precisava inventar mentira para se dar bem, pois Aquele que o enviou iria resolver todas as coisas. Muitas vezes criamos uma “mentirinha” ou “meia verdade” para ajudar a concretizar os planos de Deus para as nossas vidas. Jesus condenou a mentira.

Muitas vezes temos que ir ao “Egito”, enquanto aguardamos novas oportunidades.

ABRÃO E LÓ SEPARAM-SE (13.1-13)

Abraão saiu do Egito e subiu para o Neguebe. Ele era muito rico e possuía rebanhos, prata e ouro. Ló seu sobrinho também havia enriquecido com rebanhos.

Ocorreu então um desentendimento entre os pastores de Ló e os de Abraão, porque a terra não tinha capacidade para alimentar os rebanhos dos dois. Então Abrão disse ao seu sobrinho que não deveria haver conflito entre eles. Abrão era um pacifista. Por ser mais velho, ele tinha o direito de escolher primeiro. Porém ele disse para Ló: “está toda a terra à sua frente. Se você escolher a direita, eu fico com a esquerda e vice versa.” Ele foi bastante assertivo, generoso e tinha discernimento.

Ló olhou demoradamente para as planícies férteis do vale do Jordão, escolheu a campina do Jordão e foi para lá. Esse foi um grande erro estratégico de Ló. Vemos o caráter de Ló através das suas escolhas. Ele escolheu o “melhor” e deixou a outra parte para o tio. Ele foi caminhando, armando suas tendas até a proximidade de Sodoma. Como era o povo de Sodoma? Extremamente perverso e vivia pecando contra o Senhor.

Na nossa vida, às vezes, vamos caminhando devagar em direção ao pecado, seja sexual, negócio ilícito, ética. Ló teve uma visão de curto prazo. Escolheu pelo que viu. Nem sempre a visão é o instrumento mais adequado para avaliar qualquer coisa. No casamento (a mais bonita/o), no emprego (o que paga mais), nos preconceitos (ele/ela é negro/a).

Observem as diferenças nas escolhas. A escolha de Ló foi pelo que agradou aos olhos; a de Abraão, o Senhor mesmo escolheu para ele. Temos colocado diante do Senhor as nossas escolhas da vida? ou escolhemos o que agrada aos olhos? A que ponto o nosso desejo de sucesso e prosperidade interfere com os nossos valores cristãos?

O SENHOR PROMETE A ABRÃO A TERRA DE CANAÃ (13.14-18)

Depois que Ló partiu, o Senhor disse a Abrão: “Olhe até onde sua vista alcançar, em todas as direções: norte e sul, leste e oeste. Toda esta terra que você está vendo, eu dou a você e a seus descendentes como propriedade para sempre. Eu lhe darei tantos descendentes quanto o pó da terra. Abrão foi recompensado pelo Senhor e não, pelo que estava vendo.

Abraão foi habitar em Hebrom. Mais uma vez aparece Abraão prestando um culto a Deus.

ABRAÃO RESGATA LÓ (14.12-17)

Ló se mete em encrenca. Como morava em Sodoma, foi refém numa guerra de cinco reis contra quatro e ainda tomaram seus bens. Ao tomar conhecimento da notícia, Abrão mobilizou trezentos e dezoito homens treinados e resgatou o sobrinho, com todos os bens e familiares.

MELQUISEDEQUE ABENÇOA ABRÃO (14.18-24)

Melquisedeque, rei de Salém, Sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho e abençoou a Abrão. Salém depois tornou-se Jerusalém. O autor da carta aos Hebreus se refere a Melquisedeque assim: “sem pai, sem mãe, sem genealogia, que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote perpetuamente” (Hb. 7.3). Melquisedeque é um tipo de Cristo e quer dizer “rei da justiça” e Salém “rei da paz”. Considerem a grandeza desse homem: até mesmo o patriarca Abraão lhe deu o dízimo dos despojos!”

Aparece pela primeira vez na Bíblia o dízimo (a décima parte do que ganhamos) deve ser devolvida ao Senhor. Não como uma obrigação, mas como gratidão da benção do nosso sustento. É a única maneira de manutenção da igreja.

DEUS ANIMA ABRÃO E LHE PROMETE UM FILHO (15.1-11)

Depois, o Senhor falou a Abrão em uma visão: “Não tenha medo, Abrão, pois eu serei seu escudo, e sua recompensa será muito grande”. Abrão, porém, argumentou que não tinha filhos e o herdeiro dele seria o Eliezer, de Damasco.

O Senhor lhe disse: “Não, não será esse o seu herdeiro; você terá seu próprio filho, e ele será seu herdeiro”. Em seguida, levou Abrão para fora e lhe disse: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se for capaz. Este é o número de descendentes que você terá”. Abrão creu no Senhor, e assim foi considerado justo, ou seja, justificado pela fé.

Então o Senhor lhe disse: “Eu sou o Senhor, que o tirei de Ur dos caldeus para lhe dar esta terra como posse”. Abrão perguntou: “Ó Senhor Soberano, como posso ter certeza de que a possuirei de fato?”.

DEUS ENTRA EM ALIANÇA COM ABRÃO (15.12-21)

Depois o Senhor disse a Abrão: “Esteja certo de que seus descendentes serão forasteiros em terra alheia, onde sofrerão opressão como escravos por quatrocentos anos.” Veja a precisão dessa profecia escrita 2.100 a. C. Os judeus sempre foram forasteiros em terra alheia e escravos por quatrocentos anos no Egito.

Então o Senhor fez uma aliança com Abrão e disse: “Dei esta terra a seus descendentes, desde a fronteira com o Egito até o grande rio Eufrates...

SARAI E AGAR / NASCIMENTO DE ISMAEL (16.1-16)

Sarai, esposa de Abrão não podia dar filhos para seu esposo. Como resolver o problema a infertilidade de Sarai? ela tinha uma serva egípcia chamada Hagar (Agar). Sarai disse a Abrão: “O Senhor me impediu de ter filhos. Vá e deite-se com minha serva. Talvez, por meio dela, eu consiga ter uma família”. Abrão aceitou a proposta de Sarai. Esse “protocolo” no qual a esposa permitia o marido se deitar com a escrava (esposa substituta), era um costume legalmente aceito naquela cultura.

Abrão teve relações com Hagar, e ela engravidou. Quando Hagar soube que estava grávida, começou a tratar Sarai, sua senhora, com desprezo. A mulher que não engravidava era considerado uma grande desonra pública para os judeus. Então quando Hagar engravidou, ela se considerou poderosa. Sarai quis interferir no tempo de Deus e propôs a ajuda da escrava, como se Deus não tivesse a solução para a sua promessa.

Então Sarai começou a culpar a Abrão pelo conflito que ela estava tendo com Hagar. Disse Abrão: “Hagar é sua serva. Faça com ela o que lhe parecer melhor”. Então Sarai a tratou tão mal que, por fim, Hagar fugiu. O anjo do Senhor encontrou Hagar no deserto, e lhe perguntou de onde ela vinha e para onde iria. Ela respondeu ao anjo que estava fugindo de sua senhora, Sarai. Então o anjo do Senhor disse que ela voltasse para sua senhora e se sujeitasse à autoridade dela.

O anjo do Senhor também disse: que ela estava grávida e daria à luz um filho. Disse ele: “Dê a ele o nome de Ismael, pois o Senhor ouviu seu clamor. Seu filho será um homem solitário e indomável, como um jumento selvagem”. Isso é uma metáfora para um modo de vida individualista, que não se prende a convenções sociais.

Então Hagar passou a usar outro nome para se referir ao Senhor, que havia falado com ela. Chamou-o de “Tu és o Deus que me vê”, pois tinha dito: “Aqui eu vi aquele que me vê!”. Essa é uma aplicação muito importante para nós. Nos tempos de Sarai até hoje, Deus é o Deus que me vê. Você tem tido essa experiencia? Você sente que Deus lhe vê, ou apenas o criou e o abandonou?

Hagar deu um filho a Abrão, e Abrão o chamou de Ismael. Naquela época Abrão tinha 86 anos.

DEUS MUDA O NOME DE ABRÃO (17.1-8)

Quando Abrão completou noventa e nove anos, Deus trocou o nome dele de Abrão (antepassado famoso) para Abraão (por pai de numerosa multidão). Deus também mudou o nome de Jacó para Israel, de Saulo para Paulo.

DEUS MUDA O NOME DE SARAI (17.15-22)

Deus muda o nome de Sarai (conflito) para Sara (princesa) e diz a ela que a a abençoaria e por meio dela a daria um filho. Haverá reis de nações entre seus descendentes”. Tudo isso se cumpriu, pois Davi, Salomão e muitos dos seus descendentes foram reis de Israel.

Abraão se prostrou com o rosto no chão e riu consigo. Pensou: “Como eu, aos 100 anos, poderia ser pai? E como Sara, aos 90 anos, teria um filho?”. Então Abraão disse a Deus: “Que Ismael viva sob a tua bênção!”. Mas Deus respondeu: “Na verdade, Sara, sua mulher, lhe dará um filho. Você o chamará Isaque, e eu confirmarei com ele e com seus descendentes, para sempre, a minha aliança. Quanto a Ismael, também o abençoarei, como você pediu. Ele será pai de doze príncipes, e farei dele uma grande nação.”

O SENHOR E DOIS ANJOS APARECEM A ABRAÃO (18.1-15)

O Senhor apareceu novamente a Abraão. Olhando para fora, viu três homens em pé e lhes disse: “Meu senhor, se assim desejar, pare aqui um pouco.” Abraão pediu que Sara preparasse uma refeição.

Então um deles disse: “Voltarei a visitar você por esta época, no ano que vem, e sua mulher, Sara, terá um filho”.

Abraão e Sara já eram bem velhos, e Sara tinha passado da idade de ter filhos. Por isso, riu consigo e disse: “Como poderia uma mulher da minha idade ter esse prazer, ainda mais quando, meu senhor, meu marido, também é idoso?”.

Então o Senhor disse a Abraão: “Existe alguma coisa difícil demais para o Senhor? Voltarei por esta época, no ano que vem, e Sara terá um filho”. Fica a pergunta para você: Existe alguma coisa na sua vida, difícil demais para o Senhor? Pode ser a saúde, um emprego, um concurso, uma gravidez impossível, um problema de adicção na família?

DEUS ANUNCIA A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA (18.16-21)

Deus fala a Abraão que destruirá Sodoma e Gomorra e Abrão intercede por eles. Abraão começa perguntando se Deus pouparia a cidade se houvesse lá pelos menos cinquenta justos. E a intercessão prossegue até que Abrão encerra perguntando: “e se tiver apenas dez justos?” Deus diz: “se tiver dez, eu não destruirei.” E Deus resolve destruir as duas cidades por não ter nem dez justos. Aqui vemos o Pai Abraão na posição de intercessor. Ele ora para que Deus não destrua o perverso.

LÓ RECEBE EM SUA CASA OS DOIS ANJOS (19.1-22)

Ao anoitecer, os dois anjos chegaram à cidade de Sodoma. Ló disse a eles: “Meus senhores, venham à minha casa para lavar os pés e sejam meus hóspedes esta noite”. “Não. Passaremos a noite aqui, na praça da cidade.” Mas Ló insistiu muito e, por fim, eles o acompanharam até sua casa. Ló lhes preparou um banquete e eles comeram.

À noite todos os homens de Sodoma, chegaram e cercaram a casa. Gritaram para Ló: “Onde estão os homens que vieram passar a noite em sua casa? Traga-os aqui fora para nós, para que tenhamos relações com eles!”. Disse Ló: “por favor, não cometam tamanha maldade. Tenho duas filhas virgens. Deixem-me trazê-las para fora, e vocês poderão fazer com elas o que desejarem. Mas, por favor, deixem os homens em paz.” Daí surgiu a expressão “sodomia”.

Então partiram para cima de Ló, tentando arrombar a porta. Os dois anjos, porém, estenderam a mão, puxaram Ló para dentro da casa e trancaram a porta.

Depois, cegaram todos os homens, que estavam à porta, de modo que eles se cansaram e desistiram de invadir a casa.

Os anjos perguntaram a Ló: “Você tem outros parentes na cidade? Tire-os todos daqui: genros, filhos, filhas, pois estamos prestes a destruir toda a cidade. O clamor contra ela é tão grande que chegou ao Senhor, e ele nos enviou para destruí-la”. Então Ló correu para avisar os noivos de suas filhas: “Saiam depressa da cidade! O Senhor está prestes a destruí-la”. Os rapazes, porém, pensaram que ele estava brincando. Acharam que era Fake News.

No dia seguinte, os anjos insistiram: “Rápido! Tome sua mulher e suas duas filhas que estão aqui! Saia agora mesmo, ou também morrerão quando a cidade for castigada!” Visto que Ló ainda hesitava, os anjos o tomaram pela mão, sua mulher e as duas filhas, e correram com eles para um lugar seguro, pois o Senhor foi misericordioso.

Quando estavam em segurança, um dos anjos ordenou: “Corram e salvem-se! Não olhem para trás nem parem no vale! Fujam ou serão destruídos!”.

Mas Ló suplicou: “Não, meu senhor! Não posso ir para as montanhas. A calamidade também me alcançaria ali, e bem depressa eu morreria. Vejam, aqui perto há um vilarejo.” Ele foi para o vilarejo e escapou juntamente com as duas filhas.

A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA (19.23-29)

Após Ló chegar lá, o Senhor fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra. Destruiu-as completamente.

A mulher de Ló, porém, olhou para trás enquanto o seguia e se transformou numa estátua de sal. O que significa olhar para trás? Uma forma de desobediência, curiosidade, saudade do que deixou para trás. Muitos dizem: vou voltar ao vicio só uma vez e paro de vez. E são destruídos como em Sodoma. Jesus disse: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o reino de Deus” (Lc. 9.62).

Carlos Alfredo Melo
Enviado por Carlos Alfredo Melo em 29/08/2020
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