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Alimentando o peito a desafios da alma (uma carta enderaçada a mim mesmo - não à esmo)

"Todas as cartas de amor são ridículas" (Fernando Pessoa, mestre)

A vida é cheia de desafios e disso eu já sabia (ou, ao menos, deveria saber). Prega-nos peças que mais parecem testes para provar pra nós mesmo o poder que temos de nos amar primeiramente e, somente depois disso, ter a capacidade de amar o próximo. Por diversas vezes me vi nessa situação, amando mais outra pessoa do que eu mesmo e vez ou outra cheguei a me assustar me deparando com situações em que eu fazia por outra pessoa algo que, se eu parasse pra pensar, não conseguia chegar a uma resposta concreta se eu o faria por mim. Talvez esse seja o nosso maior erro quando encontramos uma pessoa e vemos nela alguém tão especial a ponto de dedicar vinte e quatro horas por dia a essa pessoa, seja em atitudes ou idéias.

Mas creio que o pior disso tudo não é o fato de nos esquecermos para viver em função de outra pessoa, e sim, quando nos magoamos com essa pessoa. O peso do mundo cai sobre suas costas. Parece não haver saída, pois você já acha que fez tudo pela pessoa, sendo que não o fez, e busca (errôneamente) na própria pessoa a resposta de onde foi a sua falha. Acontece que a falha está na cara e é justamente o fato de que você não se amou. Ao deixar de te amar, você deixa de se cuidar para tentar cuidar da pessoa que já tinha seus cuidados. Na maioria das vezes essa pessoa pode não perceber o seu cuidado com ela, mas percebe nitidamente a tua falta de cuidado consigo mesmo e é justamente aí, na sua falta de cuidado, que a pessoa se vê incomodada e pode ter as recaídas.

Como é de praxe, todos sabem que o Amor é cego e, quando você se vê numa dessas, já não há muita saída. Pode-se fazer mil juras de amor à pessoa que, por mais que sejam verdadeiras, a ela provavelmente irá soar como algo cansativo. Mas você irá insistir por um motivo, o que já foi citado. Realmente o Amor é cego e tira toda a razão do homem.

Chega então o ponto mais crítico de um relacionamento. Você ama a pessoa, a pessoa te ama, mas não há entendimento e nem clima para uma continuidade do relacionamento, por mais que o ponto fundamental, o ápice, o elo que liga os dois, que é o Amor, se mantenha firme.

A vontade é de sumir. Quando você está viciado em alguma droga, a melhor solução talvez seja se recolher em algum canto onde você não tenha mais contato com ela, porém tenha contato com outras pessoas que se ajudam para superar os momentos de recaída. Parece que em um relacionamento onde há muito amor, aconteça algo parecido. Você quer se recolher em qualquer lugar, pensa nos lugares mais longínquos e crê profundamente que isso lhe fará não esquecer, mas se desprender da pessoa e, quando voltar, será diferente, você a verá com outros olhos (os que enxergam, e não os do Amor). Porém o Amor é mais forte. Ao menos em mim é mais forte do que tudo. Por mais que eu jure mil vezes que quero distância,  no fundo algo fica me cutucando e dizendo “você a ama, não desista, você a ama e ela te ama”. Acontece que uma hora ou outra, muito provavelmente por falta de resposta de outra parte, você se cansa. E isso piora, porque você continua amando. Pede para não ligar, porém se o telefone toca a primeira pessoa que você pensa ser é ela, e pede a tudo que você acredita que seja mesmo ela.

O Amor é muito estranho. E justamente eu, cético, que não vejo muito sentido em buscar sentido onde não há, passo noites acordadas tentando uma explicação qualquer que seja para que eu possa dormir em Paz. Mas não há sentido, apenas sentimento. Você se machuca, fere, fica mau, quer sumir, porém, no fundo, quer sumir com a pessoa amada pra um lugar onde você possa conversar sobre tudo, ou sobre nada. Apenas deitar no colo e fechar os olhos, dormir e acordar nos braços da pessoa amada. Deve-se, porém, ter muito cuidado com isso. Sonhar é sempre bom, mas não podemos tirar os pés da realidade.

Na minha opinião, o Amor deve ser sempre preservado e cultivado até o seu limite, pois pode se passar uma vida inteira amando alguém sem tê-la, porém, se você deixa de amar, pode tê-la pela vida inteira e passará todo esse tempo amando não a pessoa, e sim, amando o prazer de tê-la ao teu lado. Estaria mentindo pra você e pra ela. Mil coisas podem terminar um relacionamento, porém só vejo sentido no fim de um relacionamento entre pessoas que se amam quando na receita falta um dos ingredientes, seja o respeito, a confiança ou a amizade.

Deve-se correr atrás do teu amor? Desde que veja uma reciprocidade neste amor, creio que seja o melhor a se fazer, porém, com cautela. Antes, deve-se amar a si próprio. O Amor, quando verdadeiro, é a maior virtude que o homem pode ter.

Fato é que, perante a esse sentimento, jamais se terá uma resposta concreta, porém, isso não lhe tira o prazer de tê-lo, e sofrer por ele faz parte do jogo. Um dia triste às vezes cai bem...
Júnior Leal
Enviado por Júnior Leal em 04/03/2009
Reeditado em 04/03/2009
Código do texto: T1468386


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Sobre o autor
Júnior Leal
Lagoa Santa - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
958 textos (33322 leituras)
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Júnior Leal