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Carta ao pai

Faz dois anos que o meu pai morreu; eu não fui criada com os meus pais e, em 2003 enviei uma carta ao meu pai e agora ela foi encontrada. Peço permissão a vocês para relatar o meu sentir naquele momento e quanto esquecemos de nós ao longo da nossa vida.

Natal, 08 de janeiro de 2003

Querido papai,

                  As vezes sinto dificuldade em pronunciar a palavra "papai", principalmente pela falta de uso da mesma, Só agira me dou conta de que não os vi envelhecer, não sei quase nada da vida de vocês, papai e mamãe.
                 Sabe pai, as vezes me sinto uma estranha e acho que não pertenço a lugar nenhum. Na verdade, eu não tenho um lugar meu, uma família minha;eu não tenho nada! Fui ficando esquecida em um canto, juntgo a isso, um certo orgulho que carrego dentro de mim. Tornei-me estrangeira dentro da minha própria vida. Vivo a procura do meu lugar e parece que nunca vou encontrá-lo; já me maldiz por tudo, já chorei muuitas vezes só, e, sufoquei meus soluços....levei anos para aceitar que meu pai não poderia ser o herói idealizado por mim, que me fez muita falta nas horas em que precisei de um conselho, de uma defesa ou mesmo de um simples abraço. Eu nunca quis mais do que isso na vida, nunca quis dinheiro, nadas. Só queria o meu pai, que risse e brincasse comigo para que a vida fosse mais leve.
                   No entanto, eu consegui entender que esse pai foi um dia, filho e, deve ter desejado todas essas coisas e, também, deve ter enfrentado muitos medos sozinho e conteve seus soluços, abafando-os para que ninguém os escutasse. Apesar de tudo, se houver uma encarnação, desejaria ser sua filha outra vez, só que viveríamos esse sentimento de pai e filha em toda sua plenitude. Ainda tenho muitos obstáculos para superar, mas Deus dará tempo para recobrarmos a confianla entre nós.
                    Sinto muito se não fui muito suave com as palavras, mas, eu precisava falar desse sentimento engasgado que só faz adoecer nossa alma. Mas, com isso, eu tento entender o seu lado e não o culpo por nadam sõ fico maagoada ou com ciúme daquilo que tenho e não desgrutei.
                    Um grande beijo da sua filha que te ama, de um jeito meio atravessado, mas te ama.

Elvira.



Elvira Pereira de Araújo
Enviado por Elvira Pereira de Araújo em 26/08/2010
Código do texto: T2460973


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Sobre a autora
Elvira Pereira de Araújo
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 57 anos
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