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RESPOSTA AOS MEUS LEITORES SOBRE MONTEIRO LOBATO

Tenho reparado certo incomodo de alguns leitores quanto as minhas criticas a Monteiro Lobato. Dessa forma farei aqui alguns esclarecimentos.

1. Monteiro Lobato assim como muitos de sua época foram racistas, e vejo que meus leitores aceitam bem esse fato. Quanto aos outros, não me importam no momento.

2. Racismo é um mito e já apresentado no livro “Uma gota de sangue” de Demétrio Magnoli. Hoje se lavarmos ao pé da letra não cabe mais discutir, pelo menos no ponto de vista da ciência. Não existem raças. Na época sim poder-se-ia discutir sobre. Sendo assim, apesar de muitos defenderem o racismo não implica em total unanimidade. Um exemplo claro é a dissertação de mestrado do prof. Edivaldo Gois Junior que aponta diferentes pensamentos sobre os higienistas dos anos de 1930. E Monteiro Lobato poderia sim ter pensado de forma diferente de sua época.

GOIS JUNIOR. Os Higienistas e a Ed. Física: a história dos seus ideais. 2000. Universidade Gama Filho, UGF, Brasil, 2000.

3. Conforme carta enviada a Artur Neiva, Monteiro Lobato expõe a seguinte ideia racial:
País de mestiços onde brancos não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destino. André Siegfied resume numa frase as duas atitudes. “Nos defendemos o front da raça branca – diz o sul – e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil”. Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivemos ai uma defesa desta ordem, que mantem o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca – mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva (LOBATO apud SANTOS, 2008, p.167).

Citação retirada da obra:
SANTOS, R. A. Pau que nasce torto nunca se endireita E quem é bom, já nasce feito? Esterilização, Saneamento e Educação, uma leitura do Eugenismo em Renato Kehl (1917-37). Tese (Doutorado) – Universidade Federal Fluminense, Departamento de História, 2008.

4. Qual é o problema em aceitar que Monteiro Lobato era racista? Ao contrário dos críticos guiados por movimentos sociais e ideológicos, não sou contra as obras de Monteiro Lobato e não compartilho a ideia de proibir suas obras. Tal atitude é das mais imbecis que se poderia por em prática. Lobato é um dos melhores escritores da história da literatura brasileira, por isso mesmo é passível a críticas.

5. Monteiro Lobato era um nacionalista e certamente levou seu nacionalismo ao extremo. Sendo esse intolerante e totalmente passível de criticas. Ainda assim, é um grande autor.

6. Não é possível entender Monteiro Lobato lendo um ou dois livros de sua autoria, é preciso ler sua obra adulta, seus defensores e críticos. Em fim não parem de ler Lobato, apenas leiam com atenção. Boa leitura.

Sugestão de algumas críticas:

ABREU, J. R. T. Cruzada cívica e eugenia do C.M.E.F. Revista de Educação Física – Edição N 07, Outubro, 1933.

CAMPOS, A. Raça ou Doença? O Problema Vital do Brasil Ipotesi: Revista de Estudos Literários, Juiz de Fora, vol. 1, nº 2 - p. 45 a 52, 1998.

DOS SANTOS, R, A. O jeca tatu e o branqueamento do Brasil. IV Simpósio Nacional Estado e Poder: Intelectuais, São Luís – MA, 8 a 11 de de Outubro de 2007.

LAMARÃO . S. Os Estados Unidos de Monteiro Lobato e as respostas ao « atraso » brasileiro. Lusotopie /1 : 51-68, 2002.

MISKOLCI. R. A Hora da Eugenia: Raça, Gênero e Nação na América Latina. Stepan NL. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz;. 228 p. (Coleção História e Saúde). ISBN: 85-89697-05-3 Resenha. 2005.

MOLAR, J. O . Sou “Caipira Pira Pora...”: Representações sobre o caboclo, do parasita da terra o paradigma da realidade nacional (1889-1945). II Encontro Nacional de Estudos da Imagem, Londrina PR, 12, 13 e 14 de maio de 2009.
Alessandro Barreta Garcia
Enviado por Alessandro Barreta Garcia em 18/07/2011
Reeditado em 26/03/2012
Código do texto: T3101800
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alessandro Barreta Garcia
São Paulo - São Paulo - Brasil, 42 anos
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Alessandro Barreta Garcia