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Querida R

São Paulo, 12 de Julho de 2011.
Querida R...,
Ontem peguei o primeiro volume da obra “As mil e uma noites” que lhe pertenceu. Infelizmente, não nos conhecemos. Ao menos não nesta existência. Estou com seus livros porque seu filho me emprestou. Ele sabe o quanto gosto de lendas, estórias, contos, fábulas.
A confiança dele para mim é uma honra, pois é necessário muito desprendimento para emprestar algo assim tão valioso. Fico lisonjeada com seu gesto.
Ao abrir o primeiro volume me deparei com duas reminiscências. Dois cartões, com dedicatórias de seu filho mais velho e de sua neta. Senti profunda emoção entrar em contato com o carinho que lhe tinham seus queridos. Então, abri o livro na tentativa de sentir seu perfume, queria saber se tinha perfume e como era. Mas nada... Só senti cheiro de livro guardado. Numa tentativa desesperada, posso até dizer infantil, aproximei as páginas do nariz e folheei. Uma última tentativa de resgatar seu perfume. Em vão...
Depois fiquei tentando imaginar como você se sentiu recebendo este presente. Se iniciou a leitura pelo primeiro capítulo ou se iniciou por alguma estória que lhe chamou mais a atenção. Se leu os dois volumes. Se sim, quantas vezes? Quais fantasias, pensamentos foram evocados durante a leitura?
Imaginei tanto que nesta noite não consegui lê-lo.
Seu filho sempre fala sobre a Sra com muito carinho. As recordações do seu filho e do seu marido me fazem imaginá-la como sendo uma mulher forte e sensível, nada exagerado, ambas as coisas na medida exata, para exigir e proteger. Percebo que tanto seu filho quanto seu marido sentem muito a sua falta.
Penso que para seu filho tua presença era o “limite”. Não conheço muito da história da sua família, mas os homens da tua vida lhe têm profunda admiração.
Eu gostaria de tê-la conhecido. Talvez pudéssemos ter sido amigas, talvez a Sra me segredasse algumas informações sobre o homem que eu amo. Talvez fosse bom ter uma sogra.
Sinto medo de fazer seu filho sofrer, de impor algum sofrimento ou exigência que não consiga suportar.
Na verdade não quero fracassar!
Quero amar e ser amada por ele, mas não sei como fazê-lo.
Muitos abraços,
Leila
Leila Brito
Enviado por Leila Brito em 07/09/2011
Código do texto: T3206804

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Sobre a autora
Leila Brito
São Paulo - São Paulo - Brasil, 42 anos
59 textos (5423 leituras)
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Leila Brito