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MEU OCEANO DE LÁGRIMAS

Querido amigo


   Quando terríveis lembranças de um passado não muito distante retornam para atormentar-me, imagino as experiências desagradáveis daquele tempo como uma viagem pelo meu oceano de lágrimas.
   As lágrimas representa os momentos de tristeza que tanto me foram frequentes naquela fase. Foi um período difícil, constituída por momentos traumáticos em que a minha crença na minha capacidade tinha sido exterminada por completo. Eu não mais sabia o que era sentir-se bem comigo mesmo. Foi como se eu tivesse sido contaminado por uma cegueira que deixou-me inapto de enxergar não só o mundo externo, mas também o meu próprio mundo interno. Se até então eu me considerava resiliente para lutar contra as tempestades do meu oceano, agora sentia que nada poderia fazer para resistir.
   Inerte, afundei no mar das minhas lágrimas quando a primeira tempestade atingiu meu barco. Eu tinha sido pego de surpresa; não estava preparado para vencer aquele fenômeno torrencial.
   Enquanto eu me afogava, aos poucos a minha consciência foi se desligando. O que estava levando-me embora para o outro mundo não era a falta de ar, mas era a falta de sorrisos, de esperança, de prazer pela vida, de ação, de saúde, de amigos, de bons pensamentos, de bons momentos e de tudo de belo que tanto faz bem ao ser humano.
   Na medida que a minha visão foi ficando turva, os raios solares que penetrava pelo oceano aos poucos foi perdendo visibilidade. Enquanto eu me afundava cada vez mais, a luz diminuía e a escuridão crescia. Eu sabia que se continuasse afundando, seria só uma questão de tempo para que a minha alma se desconectasse do meu corpo de uma vez por todas.
   Os pensamentos negativos fazia-me latejar de dor.  Embora  tivesse vivo por fora, por dentro eu estava morrendo, não suportando a angústia que me torturava.  A dor era tanta, que a cachoeira de lágrimas que escorria pelos meus olhos fazia com que o oceano ficasse cada vez mais profundo.
   Sentindo-se fraco para resistir, desistir...  Estendi meus braços, minhas pernas, e me deixei afundar...afundar... afundar...
    Se existia vida após a morte, não tardaria para a que a minha alma desvendasse o mistério.
   E foi aí que antes de eu dar o meu último suspiro e fechar meus olhos, do nada você apareceu como uma estrela cadente. Você me segurou pela mão e levou-me até a superfície.
   Ao sair do fundo do oceano, voltei a contemplar a luz do sol após muito tempo imerso na escuridão. As abstrações negativas que tanto me consumiu sumiram.
   Graças a você, voltei a sorrir, a ter esperança e a sentir prazer na vida. Recuperei a minha saúde, voltei a viver   bons momentos, fiz novos amigos, comecei a agir para mudar o rumo das coisas, e apreciar a positividade da vida. E tudo isso só foi possível graças a você, que me ajudou em um momento onde até eu mesmo não me sentia capaz de me ajudar.
     Foi você que me ensinou de que eu não devesse me envergonhar de pedir ajuda caso   precisasse. Foi você que me ensinou de que ser forte não consistia em vencer as tempestades, mas sim em retornar para o barco nadando sempre que eu fosse vencido por elas. Foi você que me ensinou de que a vida é como uma roda gigante: às vezes estamos lá em cima; às vezes estamos lá em baixo.  Foi você que, em outras palavras, me ensinou a amar, a sentir, a compartilhar, a observar, a absorver e a aprender.
    Serei-lhe eternamente grato, querido amigo, por ter-me trago de volta ao meu barco e por ter-me ensinado a nadar.


                                                                    Com amor, Winzy Martin
 
Helenilson Martins
Enviado por Helenilson Martins em 12/01/2018
Reeditado em 15/01/2018
Código do texto: T6224428
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Helenilson Martins
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Helenilson Martins