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Zona


A zona
Terceiro ato da nossa transgressão.
Sempre quis entrar em um puteiro... Creio que seja este um local que permeia a imaginação ou a fantasia de quase todas as mulheres. Ou porque gostam ou porque temem, mas qualquer uma gostaria de saber o que há de trás daquelas paredes.
Incrível como foi fácil:
Mostrar o R.G., pagar, entrar... Só. Nenhum olhar inquisidor questionando porque uma mulher entra com um homem que pode ser seu marido, namorado ou qualquer outra coisa em um puteiro... Uma maravilha. Ah, como a Augusta é fascinante não é mesmo? Onde mais tanta liberdade?
Eu imaginava algumas coisas, que se confirmaram...
Os tipos físicos de mulheres que encontraria as roupas que estariam usando, sua forma de abordagem, a luz, a música, o pole dance... Até mesmo o papo, difuso, me pareceu estar dentro dos parâmetros que eu havia estabelecido, no meu “puteiro” íntimo e particular.
Toques de insanidade e humor permearam nossa aventura.
Como assim aquela mulher me dando conselhos sobre como manter o casamento cuja base se firma na liberdade em permitir que seu marido transe com as putas que quiser?
Muita autoestima e segurança? Muito desapego? Não sei... Mas estava ali, era real, e apesar da bizarrice me parecia caminhar bem... Seria verdade? Seriam casados mesmo, e por vinte e três anos como ela fez questão de salientar? Não sei... Talvez haja coisas que só nesses lugares se encontre...
Como a nossa boa amiga tonta de drogas... Enlouquecida para ir embora, querendo saber que horas são... Beijando qualquer boca disponível, se enfiando dentro de qualquer abraço.
Penso, penso e não consigo formular uma ideia concreta do que seria aquilo... Todas as outras me pareceram tão profissionais... Tão cientes “da missão, da visão e dos valores” da organização da qual fazem parte... Ela não. Deu-me a sensação de estar perdida. Perdida não porque parecia (certamente estava) drogada, mas perdida antes disso, perdida porque se rendeu a isso (no caso as drogas). Nunca vou esquecer-me daquele olhar de náufrago. Talvez por ser capaz de me reconhecer nele.
Somos todas iguais no fundo...
Prostitutas, mães de família, empresárias, donas de casa... Ricas e pobres. Cultas e ignorantes. Todas com o mesmo potencial criativo e destrutivo... Todas de alguma maneira capazes de gerar ou manter uma vida e de acabar com a de outro, ou com a própria.
Obrigada por ter me apresentado a esse mundo. Não consigo pensar por quais outras mãos eu poderia adentra-lo.
Sei que com outro homem, com um homem qualquer, esta visita seria diferente... Seria da ordem do fetiche. Não que eu descarte a ideia de um dia, ser fodida numa zona, como uma prostituta. Mas naquele dia o que eu queria era olhar, só olhar, só me perder naquela luz vermelho-escura.
Obrigada, meu querido!

Patricia Petta
Enviado por Patricia Petta em 13/06/2018
Código do texto: T6363145
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Patricia Petta
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Patricia Petta